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Um diálogo difícil, mas necessário, entre cristãos, familiares e amigos

MŁODZI CHRZEŚCIJANIE

Freedom Studio | Shutterstock

Francisco Borba Ribeiro Neto - publicado em 17/05/20

Dialogar com quem tem ideias diferentes nunca foi fácil. Mas, em que mundo viveremos se nem os cristãos forem capazes de fazer isso entre si?

“Política não se discute”. O ditado popular é sábio, discussões políticas provocam divisões e conflitos. Mas, discutir e dialogar são coisas diferentes. Se não trocamos ideias e informações, adquirimos uma visão distorcida da realidade, falseada por quem sabe dizer o que parece agradável a nossos ouvidos. Por isso, o Papa Francisco insiste tanto no diálogo, que deve ser praticado não apenas entre políticos, gestores e intelectuais, mas por todos nós, em todos os âmbitos da vida.

Num momento como o atual, carregado de polarizações e incertezas, esse diálogo se torna mais difícil, e até antipático, porém mais necessário. Pesquisas de opinião, sobre diversas polêmicas, sugerem que – em média – num grupo de quatro adultos, dois são moderados e abertos ao diálogo, enquanto dois estão em posições extremadas, opondo-se uns aos outros, sem aceitar argumentos que os contradigam. Mas, mesmo esses extremados, podem dialogar minimamente com os moderados, se criamos um contexto de afeto e interesse mútuo. Além disso, os jovens são muito mais flexíveis e precisam de diálogo e informação para não se fecharem em posições sectárias.

As famílias, as comunidades e os grupos de amigos não deveriam ser os espaços onde os temas polêmicos são evitados, mas sim onde nos sentimos mais livres de externar nossas posições, confiantes na sinceridade e na boa intenção uns dos outros. Em tempos de distanciamento social, as redes virtuais permitem esse diálogo, mas – sem dúvida – necessitamos de alguns cuidados se queremos realmente dialogar:

1) Estejamos sempre prontos a compreender as razões do outro. A partir de um mesmo desejo de bem, podemos fazer percursos mentais muito diferentes, ainda que a raiz seja a mesma. Seguindo a hipótese desse anseio por algo bom, podemos encontrar um ponto em comum para iniciar o diálogo.

2) Procuremos não só os erros, mas principalmente os acertos que existem nos argumentos do outro – e aceitemos quando ele está certo, mesmo que parcialmente. Quando dizemos “não dá nem para responder a esses argumentos” frequentemente estamos diante não de erros monumentais, mas de ideias que não sabemos rebater. Sinal de que precisamos estudar mais e entender melhor a situação.

3) Mesmo que tenhamos concluído que os argumentos do outro são estúpidos, nunca menosprezemos a ele ou às pessoas que ele segue. Esta posição vai levar a um ressentimento mútuo e dificultar que tanto nós quanto ele reconheçamos erros e acertos mútuos. 

4) Nas redes sociais, evitemos difundir fake news. Normalmente uma busca rápida usando a ideia central com a palavra “fake” já direciona para um site confiável e especializado em checagem de informação. Só enviemos notícias que trazem a fonte onde foram publicadas. Os veículos de comunicação também erram, mas têm um nome a zelar e mecanismos de apuração interna que diminuem o risco de informações descabidas.

5) Não propaguemos discursos de ódio e raiva. Diante dos descalabros atuais, os comunicadores sociais aprenderam que quanto mais agressivos são, mais seguidores conseguem. Dizemos “finalmente alguém que fala as coisas que eu penso, com a raiva que eu sinto”. Mas essa prática acaba por ofender os demais e impedir que façamos uma análise serena e racional dos acontecimentos.

6) Em todos os casos, procuremos sempre o maior número de informações possíveis sobre a situação. É útil, inclusive, consultar bons sites com posições diferentes das nossas, para obter dados que normalmente não receberíamos.

7) Por fim, é importante não sermos insistentes. Se um grupo nas redes sociais pediu para não enviarmos mensagens com temas políticos ou polêmicos, se um amigo se recusa a continuar um diálogo ou se torna agressivo, é melhor respeitar o contexto. O diálogo deve ser feito entre os que estão dispostos a ele. Se bem feito, chegará – mais cedo ou mais tarde – mesmo aos que estão fechados em suas posições, se eles estiverem bem intencionados.

Dialogar com quem tem ideias diferentes nunca foi fácil. Mas, em que mundo viveremos se nem os cristãos forem capazes de fazer isso entre si? Para quem estivesse vendo, pareceria impossível que Jesus, um pobre hebreu crucificado, pudesse mudar a história do mundo – mas o cristianismo está aí. Conseguir dialogar com as pessoas que amamos é infinitamente mais fácil, basta que nos abandonemos à Graça e não procuremos forçar o outro a pensar como nós, mas busquemos realmente – com amor – a verdade junto com ele.

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