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“Fora da Igreja não há salvação”

KOŚCIÓŁ
Mateus Campos Felipie/Unsplash | CC0
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Para entender a contento essa questão de fé, convém analisar a sua interpretação ao longo da história

A expressão “Fora da Igreja não há salvação” aparece nos escritos de São Cipriano de Cartago († 258), na obra Sobre a unidade da Igreja (n. 6 e 14), e nas Cartas 141,5; 185,42 e 50, de Santo Agostinho de Hipona († 430). A Igreja fez sua essa afirmação, de modo especial nos Concílios de Latrão IV (1215), Florença (1438-45) e Vaticano II (1962-65). 

Este último afirma textualmente: “O santo Concílio ‘ensina, apoiado na Sagrada Escritura e na Tradição, que esta Igreja, peregrina na terra, é necessária à salvação. De fato, só Cristo é mediador e caminho de salvação. Ora, Ele se torna-nos presente no seu Corpo, que é a Igreja. Ao afirmar-nos expressamente a necessidade da fé e do Batismo, Cristo confirma-nos, ao mesmo tempo, a necessidade da própria Igreja, na qual os homens entram pela porta do Batismo. É por isso que não se podem salvar aqueles que, não ignorando que Deus, por Jesus Cristo, fundou a Igreja Católica como necessária, se recusam a entrar nela ou a nela perseverar” (Lumen Gentium, 14). Tal afirmação “formulada de modo positivo, significa que toda a salvação vem de Cristo-Cabeça pela Igreja que é o seu Corpo” (Catecismo da Igreja Católica n. 846), nunca de outra fonte. 

Para entender a contento essa questão de fé, convém analisar a sua interpretação ao longo da história. Os Padres da Igreja (homens que não necessariamente eram sacerdotes, mas recebem essa designação (Padres = Pais) por terem colaborado muito na formulação da reta fé) tinham em mente a condenação eterna dos que se afastavam da Igreja (apóstatas) e caíam no cisma (separação da Igreja sem negar verdades de fé) ou na heresia (afastamento da Igreja por negar verdades de fé). Tal interpretação se estendeu pela Idade Média e passou a incluir entre os condenados ao suplício eterno os pagãos, judeus e muçulmanos. Todavia, no próprio período medieval, alguns teólogos passaram a distinguir – sabiamente – entre incredulidade culpada e não culpada. Enquanto os primeiros, ao que tudo indica, se perderiam, os não culpados se salvariam, ainda que para isso Deus precisasse intervir milagrosamente.

Do século XVI em diante, ante a descoberta de povos não católicos nas Américas e na Ásia, a interpretação do dogma foi repensada: toda essa gente se perderia ou se salvaria por sucessivos milagres divinos? – Ora, o jesuíta São Roberto Belarmino, na obra De controversiis Liber III; De Ecclesia Militante, cap. 3, deu a entender que há duas formas de pertencer à Igreja: a visível (dos batizados) e a invisível (dos não batizados, mas de consciência reta). No século XVII, o pensamento dos Padres da Igreja sobre o Batismo de desejo – ou seja, se alguém se prepara para o Batismo, mas falece antes, morre já como cristão graças ao seu desejo de ser batizado – foi retomado com ênfase e ampliado para as modalidades de desejo explícito e implícito. O primeiro caso (explícito) é a doutrina clássica dos Santos Padres e o segundo (implícito) surge naquele século e se concretiza no teor de vida moralmente reto de alguém que, sem culpa própria, desconhece a fé católica (Suarez. De Fide teológica. Disputatio XII, 4,22).

O tema voltou na Encíclica Mystici corporis, de Pio XII, em 1943, mas foi melhor explicitado numa Carta do Santo Ofício ao Cardeal Cushing, arcebispo de Boston, em 08/08/1949, e, mais especialmente, no Concílio Vaticano II. Este reafirma, em suma, o seguinte: a única e verdadeira Igreja de Cristo subsiste, integralmente, na Católica Apostólica Romana. Portanto, quem a recusa, conscientemente, coloca em seriíssimo risco a sua salvação eterna (cf. Lumen Gentium 8 e 14; Dignitatis Humanae 1); no entanto, Deus leva em consideração a pureza de vida daqueles que desconhecem a Igreja ou, sem culpa própria, a conhecem de modo errôneo (cf. Lumen Gentium, 16).

Essas colocações rejeitam tanto o relativismo (“Todas as religiões são iguais”) quanto o rigorismo (“só se salva quem pertence visivelmente à Igreja”), mas nos leva a adorar os imperscrutáveis desígnios de Deus a nosso respeito e a afirmar que “Fora da Igreja não há salvação”. Quem se salva, salva-se por Cristo em sua Igreja; pertence a Ela de algum modo: visível ou invisível.

 

 

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