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Como superar os medos da depressão

DEPRESSED
Marjan Apostolovic - Shutterstock
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“Cheguei a pensar que morrer é o fácil e viver, o difícil”

Lembro-me muito bem de uma das frases de Antonio em nossa primeira consulta: “Cheguei a pensar que morrer é o fácil e viver, o difícil”. Ele estava na escuridão mais profunda de sua depressão.

Acabara de falir em seu pequeno comércio e tentava se erguer financeiramente, sem um projeto definido, quando os velhos fantasmas de seus medos retornaram à sua vida. Medo de relacionar-se com outras pessoas, medo de eventos imprevisíveis, medo do azar. Medos que o levaram à raiva e ao sofrimento.

“Não é justo, não é justo”, dizia a si mesmo, sentindo-se dolorosamente fraco.

“Há quem fale da fome ou da sede sem conhecê-las de verdade”, disse ele, “e o mesmo acontece com quem fala que compreende o sofrimento.”

“É verdade”, respondi, “mas existem pacientes terminais que morreram com grande dignidade, dando pleno significado aos seus últimos dias; portanto, não posso deixar de admitir que as pessoas que enfrentam seu destino sempre têm a possibilidade de alcançar algo através do sofrimento.”

“Bem, não estou doente de morte, mas bem que eu poderia me encaixar na figura de um náufrago”, disse ele, pensativo.

“Não, eu não concordo”, disse-lhe, “porque você pode se ver como o capitão de seu navio no meio de uma forte tempestade, numa situação em que você pode usar todas as suas habilidades para avançar, mudar o curso, retornar ao porto ou se aproximar da costa em busca de proteção.”

Só naufraga quem perde a liberdade de responder às valiosas possibilidades que a realidade sempre oferece, ainda que interrompendo planos ou alcançando-os a longo prazo, mesmo que isso envolva dor, carências e mil contratempos.

Após várias sessões…

Antonio decidiu aceitar um emprego modesto, ajustar as despesas da família, vender a casa atual e comprar uma casa menor, entre outras mudanças. Sempre com o apoio incondicional de toda a sua família e a confiança em um futuro melhor.

Ele era novamente o capitão de seu navio e não um náufrago.

Era também a hora de enfrentar e superar seus medos.

Na infância, Antonio sofreu maus-tratos e deficiências afetivas, pelas quais se sentia emocionalmente à beira do abismo. Enquanto crescia, para evitar punições, ele mentiu, buscou fugas e tornou-se agressivo e desconfiado. Muitas vezes ele ouviu que seu destino era fracassar, pois era desajeitado e inseguro, sendo, portanto, objeto de críticas e ridicularização.

Mas, no presente, nada disso já correspondia à sua verdade como pessoa: ele era um bom marido, um bom pai, um bom trabalhador. Ele tinha as virtudes necessárias para alcançar a maturidade e ser feliz.

Desordem interior

Como em muitas pessoas, sua dimensão interior era cheia de desordens e complexos, devido às experiências traumáticas de seu passado, às quais ele acrescentara seus próprios erros pessoais.

Portanto, era particularmente necessário para ele identificar as emoções ligadas ao seu “eu infantil”, que ele inconscientemente projetava no seu “eu adulto”, com sentimentos e reações erradas, o que o fazia se sentir mal.

Era uma questão de conseguir, nesse caminho, modificações não apenas no modo de lidar com as emoções ou manifestações negativas de seu comportamento, mas profundas mudanças na maneira de se relacionar consigo mesmo, para consolidar seus relacionamentos com os outros a partir daí.

Um exemplo:

“Não procurarei desculpas ou justificativas falsas, mesmo quando eu cometer erros, pequenos ou grandes.”

Por quê?

“Porque se, como todo ser humano, eu erro, sempre terei a oportunidade de corrigir, pedir desculpas ou perdão.”

Para quê?

“Pois só assim serei autêntico e repousarei em mim mesmo sem sentir medo.”

Aqui estão alguns aspectos básicos de sua terapia sobre a abordagem que adotamos para os eventos difíceis de sua vida:

  • Ficar repetindo constantemente o que nos faz sofrer e ficar falando sobre isso toda hora não ajuda a resolver nada, e só gera dor crescente.
  • Antecipar a dor futura, que não sabemos se ocorrerá ou se será facilmente superada, leva-nos a viver na tristeza.
  • A mesma realidade pode ser representada de maneiras diferentes, dependendo de como olhamos para ela. É por isso que nossos piores sofrimentos são aqueles que tememos, por causa do nosso enfoque sobre eles.
  • Você pode ser otimista sem fechar os olhos para a realidade.
  • É importante viver com esperança, porque com o tempo, os fatos e as pessoas adquirem uma importância relativa.
  • Acima de tudo: a vida é maravilhosa.

Antonio entendeu que o sofrimento faz parte da vida e que a dor que causa mais dano é aquela que não é aceita. Portanto, é melhor aprender a nadar em sua realidade, antes que a água te cubra completamente.

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