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Por que os casos de Covid-19 não “explodiram” no Paraguai?

PARAGUAY
NORBERTO DUARTE | AFP
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O país está entre as nações que registram os menores números de infectados e de mortes pelo coronavírus na América do Sul

A história do Paraguai tem capítulos épicos, em que, apesar das adversidades, o país conseguiu seguir adiante. Destaque para o episódio da Guerra da Tríplice Aliança, em que as corajosas mulheres chamadas “residentas” doaram suas joias para reconstruir o país.

Agora, a pandemia do coronavírus apresentou ao Paraguai (e ao mundo) um novo desafio. O inimigo invisível pegou o país em uma situação vulnerável. O frágil sistema de saúde não demoraria a entrar em colapso se o número de casos de Covid-19 aumentasse rapidamente.

Porém, apesar das expectativas catastróficas, inclusive do próprio Ministério da Saúde paraguaio, o país está conseguindo enfrentar o coronavírus e registra um dos menores índices de contágio da América do Sul. Os casos de coronavírus no Paraguai, até o dia 19 de maio, não tinham chegado a 800. O número de mortos pela doença (11 até a referida data).

O combate ao coronavírus no Paraguai 

O infectologista Tomás Mateo Balmelli explicou à Aleteia que o Paraguai tem várias vantagens em relação ao combate ao coronavírus: “O Paraguai adotou precocemente o isolamento social, antes que houvesse a circulação comunitária do vírus. Além disso, fechamos as fronteiras para evitar a importação do vírus”. 

O governo de Mario Abdo Benítez decretou as primeiras medidas sanitárias no dia 11 de março, três dias após a confirmação do primeiro caso de Covid-19 no país. Com o passar dos dias, foi instituída a quarentena total, sendo o primeiro país sul-americano a tomar decisões drásticas diante da presença do vírus. 

Para o ex-ministro da saúde e coordenador do isolamento do Instituto Nacional de Enfermidades Respiratórias do Paraguai, Carlos Morínigo, a rápida ação do governo foi fundamental para evitar o contágio e as mortes em massa. Morínigo disse à Aleteia que o tempo que o país ganhou durante a quarentena também permitiu uma melhor preparação do sistema sanitário, garantindo uma atenção maior aos pacientes com sintomas de coronavírus. Ele também afirmou que a pausa nas atividades foi importante para os profissionais de saúde conhecerem mais sobre o vírus e melhorar os protocolos de tratamento. 

Outras vantagens 

Tomás Mateo Balmelli considera que a densidade populacional do Paraguai, a população predominantemente jovem e o clima foram outros fatores determinantes para que o país enfrentasse o coronavírus sem maiores sobressaltos. 

Segundo o departamento de projeções populacionais local, o Paraguai tem 7.252.672 de habitantes e 94% da população tem menos de 60 anos de idade. Por isso, o impacto da Covid-19 foi amenizado, comparando com outros países. 

Além disso, o Paraguai é um país com pouca atividade turística proveniente da Ásia, Europa e América do Norte, onde os contágios avançam rapidamente. 

Fronteira com o Brasil  

Os casos de coronavírus (bem como as mortes) disparam diariamente no Brasil, que tem 700 quilômetros de fronteira com o Paraguai. Cerca de 3.000 paraguaios voltaram ao seu país depois do fechamento das fronteiras e outros 3.500 estão em quarentena obrigatória em albergues mantidos pelo governo. 

Nas últimas semanas, subiu o número de contágios nos albergues que têm pessoas provenientes do Brasil. Segundo o Ministério da Saúde paraguaio, 70% dos casos de Covid-19 registrados no país são de pessoas que voltaram da nação  vizinha.

Até o dia 20 de maio, o Brasil tinha mais de 291.000 casos de coronavírus e ultrapassou 18.000 mortes.

 “Quarentena inteligente”

O ministro da saúde, Julio Mazzoleni, elaborou um plano de flexibilização das medidas sanitárias. O documento é chamado de “Quarentena Inteligente”.

Nesta etapa, 78% das atividades econômicas poderão voltar a funcionar. O sistema avaliará os resultados a cada 21 dias e não descarta a possibilidade de retomar a quarentena total, caso o número de contágios aumente.

Por outro lado, o governo decidiu que as escolas não voltarão a ter aulas presenciais até o fim do ano. 

Apesar da pandemia estar bastante controlada no aspecto sanitário, milhares de paraguaios perderam seus empregos ou foram afetados pela suspensão de contratos de trabalho. 

Retorno dos fiéis às missas 

A Conferência Episcopal do Paraguais solicitou recentemente ao Ministério da Saúde permissão para que os fiéis voltem a participar das missas nas igrejas. 

Já são três meses em que as celebrações com a presença de devotos estão proibidas. Igreja e governo devem chegar a um acordo nos próximos dias.

 

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