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Maior cemitério do Brasil dobra o número de enterros diários

MANAUS
MICHAEL DANTAS | AFP
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“Nossa média eram 30, 35, um dia com muitos, eram 45. Hoje, estamos fazendo 60 [enterros] por dia”

“É um atrás do outro. Não para”, diz um dos coveiros do cemitério Vila Formosa, o maior de São Paulo e da América Latina, vestindo macacão branco e máscara de pano coberta por outra de acetato transparente para se proteger da COVID-19.

O barulho das pás se mistura ao das escavadeiras que há semanas removem a terra freneticamente para abrir milhares de novas sepulturas neste cemitério do estado brasileiro com o maior número de vítimas da pandemia.

“Nossa média eram 30, 35, um dia com muitos, eram 45. Hoje, estamos fazendo 60 [enterros] por dia”, diz James Alan, supervisor de uma das equipes de coveiros do cemitério que se tornou o retrato do avanço da pandemia no Brasil.

O Vila Formosa, na periferia de São Paulo, tem 750.000 m2 e abriga os restos mortais de 1,5 milhões de pessoas.

Uma parede que se estende de ponta a ponta do cemitério coleciona nomes, fotos e lembranças. Mas os coveiros nunca viram tantas mortes.

“Todo cuidado é pouco, a gente não pode levar a vida como se fosse normal não”, diz Carlos Gomes, encarregado do transporte dos corpos, cujos atestados de óbitos são selados com um “D3”, código usado para identificar os suspeitos ou confirmados com COVID-19.

Gomes tem 22 anos e, embora diga estar bem de saúde, se sente preocupado: “Este vírus não tem idade. Vemos isso aqui, ele leva qualquer um”, diz, enquanto veste um segundo par de luvas.

Para atender a demanda, o cemitério recebeu um reforço de funcionários. Todos os que têm contato direto com os caixões devem vestir os macacões brancos, que contrastam com a terra avermelhada.

Lágrimas, gritos, cânticos, orações e silêncio. Os que foram etiquetados como D3 não serão velados pelos familiares, que só podem assistir rapidamente ao enterro, que costuma demorar menos de cinco minutos.

“Não têm direito nem de pôr roupa. São embrulhados em três sacos no hospital. A prefeitura traz o corpo aqui, marca o horário, chamam de cinco em cinco [falecidos]. Não têm direito a nada”, conta Flavia Dias, que acompanhou uma amiga que perdeu o pai para a COVID-19.

Mas alguns, nem companhia têm. O senhor Anízio foi sepultado em menos de dois minutos, sem que ninguém tivesse aparecido para se despedir.

“Não acontece todo dia, mas a gente está começando a ver”, diz um dos coveiros, com a máscara no pescoço enquanto para para fumar um cigarro.

– “Isto é real” –

Tem neblina esta manhã de outono em São Paulo. O estado, com 69.859 casos e 5.363 óbitos, é o epicentro da COVID-19 no Brasil, onde a pandemia já deixou 18.859 mortos e 291.579 contagiados.

As autoridades estaduais e municipais adiantaram um feriado para esta quarta-feira, tentando limitar a circulação de pessoas que, apesar da quarentena parcial, ainda beira os 50%.

“Esto é real, é um vírus, ele se espalha enquanto as pessoas não tomarem consciência disso, da importância da quarentena”, desabafa Alina da Silva, de 37 anos, que trabalha em um laboratório.

Seu pai, de 69 anos, com quem ela morava, morreu depois de três semanas internado e de ser submetido a vários tratamentos, inclusive com cloroquina.

“O mais difícil foi não ter podido nem abraçá-lo (…) No meu aniversário, no dia 21 de abril, ele puxou a minha orelha. Foi o último contato [físico] que tive com meu pai”, relata, enquanto cai em prantos.

(AFP)

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