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O poder do testemunho do pai de São João Paulo II em sua vida

EMILIA KAROL WOJTYŁA
EAST NEWS
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“Meu pai foi admirável; e quase todas as minhas recordações de infância e de adolescência se referem a ele”

Karol Wojtyla pai e Karol Wojtyla filho compartilhavam muito mais do que o nome: eles compartilharam muito dos mesmos sofrimentos e muito da mesma fé.

Karol Wojtyla filho tinha apenas 12 anos e já tinha perdido a mãe, Emilia, e o único irmão, Edmund. Restava-lhe o amado pai, o Karol que lhe dera a vida e o nome; um militar de carreira do exército polonês, bom e rigoroso, de fé inabalável apesar das tragédias pessoais, familiares e nacionais. O Karol pai acompanharia o Karol filho até a idade adulta, ajudando a consolidar a sua personalidade e a gerir a própria conduta com base na honestidade, no patriotismo, no amor à Virgem Maria e em outras virtudes humanas e espirituais que se tornariam para ele um “segundo DNA”.

Quando já era Papa, em conversa com o amigo jornalista francês André Frossard, São João Paulo II testemunhou:

“Meu pai foi admirável. E quase todas as minhas recordações de infância e de adolescência se referem a ele”.

O Papa declarou, ainda, que os muitos sofrimentos vividos tão cedo não fecharam seu pai em si mesmo, mas abriram nele “imensas profundezas espirituais”:

“A dor dele se transformava em oração. O simples fato de vê-lo se ajoelhar teve uma influência decisiva nos meus anos jovens”.

A influência do pai se estendeu também à vocação sacerdotal do filho. Em seu livro autobiográfico “Dom e Mistério“, publicado no seu aniversário de 50 anos de sacerdócio, o Papa contou:

“Não falávamos de vocação ao sacerdócio, mas o exemplo dele foi para mim, de qualquer modo, o primeiro seminário, um tipo de seminário doméstico”.

São João Paulo II também contou, no livro-entrevista “Cruzar o limiar da esperança“, escrito com o jornalista italiano Vittorio Messori, que o pai lhe tinha recomendado uma particular oração ao Espírito Santo:

“Ele me disse para rezá-la diariamente. E, desde aquele dia, procuro fazer isso. Foi assim que eu entendi pela primeira vez o que significam as palavras de Cristo à samaritana sobre os verdadeiros adoradores de Deus, ou seja, sobre aqueles que O adoram em espírito e verdade”.

Os anos da maturidade são decisivos para a sua confiança total no Senhor e na Mãe Santíssima. Karol filho e Karol pai vivem em Cracóvia, onde o jovem estuda na universidade, quando irrompe a ocupação nazista. Os sofrimentos da família se entrelaçam e se fundem com os da pátria polonesa, tornando-se um só.

Aos 21 anos, o futuro Pontífice perde também o pai, que morre na fria noite de inverno de 18 de fevereiro de 1941, talvez o dia mais doloroso da sua vida.

Karol Wojtyla parece ter ficado sozinho no mundo. Ainda assim, ele sabe que existe uma Esperança que nenhuma doença e nem sequer a morte podem vencer. Ele o sabe justamente graças ao amor e ao exemplo dos pais e do irmão, aqueles “santos da porta ao lado”, como diria o Papa Francisco.

Ao longo do caminho da sua existência, do seu peregrinar pelo mundo anunciando o Evangelho, Karol Wojtyla sempre manteve a família consigo. Como sua mãe, que se recusou a abortá-lo apesar da orientação dos médicos a “interromper” sua gestação de risco, ele defendeu a vida com coragem. Como seu irmão médico, que morreu aos 26 anos contagiado pela escarlatina porque escolheu atender os doentes apesar dos riscos, ele se doou ao próximo até o final. Como seu pai, o grande Karol, ele não teve medo, porque abriu, ou melhor, escancarou as portas para Cristo.

“Não tenham medo! Abram, ou melhor, escancarem as portas para Cristo!” (São João Paulo II, discurso de inauguração do pontificado, 22 de outubro de 1978).

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