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Alcoolismo: o lado obscuro da vulnerabilidade

ALCOHOLISM, MAN, DRUNKEN

Kamira | Shutterstock

Orfa Astorga - publicado em 26/05/20

Aqui estão algumas reflexões sobre a luta de um homem por uma nova vida depois de passar por um processo de desintoxicação: um caso que chegou ao "consultório da Aleteia"

Depois que lutei para viver e projetar uma imagem de maturidade e justiça em minha empresa, de repente tive um acesso de raiva repreendendo um subordinado, e joguei minha pasta no chão à vista de todos. Foi um vexame. A verdade é que não sou e não quero ser assim.

Foi assim que se expressou o homem de mais de quarenta anos. Carlos era alcoólatra. Um fim de semana antes da acesso de raiva, ele passara bebendo sozinho, ignorando as alegações e angústias de sua família. Na segunda-feira, com suas habilidades cognitivas enfraquecidas, e depois de muita cafeína, ele apareceu no trabalho.

Ele nos contou que, quando jovem, vangloriava-se de consumir álcool sem afetá-lo tanto quanto os outros, então sua ingestão de bebida aumentou, seja simplesmente para relaxar, ser feliz ou estar com os amigos.

Em várias ocasiões, ele tentou se afastar da bebida e considerou que poderia fazer isso sozinho. E até o fez por um tempo, confiando em que o problema havia desaparecido para sempre. Mas não demorou muito para que ele se permitisse “tomar um drinque” e entrasse em um ciclo vicioso cada vez mais angustiante.

Sua força de vontade era muito pequena, e ele cedia aos impulsos. Ele estava indefeso contra sua fraqueza.

“Como uma substância pode ser mais poderosa que a minha própria vontade?”, ele se perguntou.

Mas o problema não era apenas álcool. Havia nele uma vulnerabilidade ignorada, onde essa impotência era, na verdade, um “querer sem querer”, uma atitude com a qual ele passara toda a vida.

Ele estava cada vez mais imerso no lado sombrio de sua vida, a repetição de comportamentos negativos afetava sua capacidade física, psicológica e emocional.

A verdade é que, nessa dimensão sombria, podem-se identificar distúrbios cujas causas podem ser alterações químicas cerebrais, estresse causado pelas circunstâncias do ambiente, traços da personalidade, a herança genética a ser, por exemplo, mais propenso a certos vícios ou certos distúrbios de comportamento.

No caso dele, foi um mau uso de sua liberdade. Descobrir e admitir isso significava para Carlos metade da solução para o problema, porque a verdade é que ele vinha de uma família com um forte histórico de alcoolismo. Assim, Carlos nasceu com uma vulnerabilidade que ele não conhecia e contra a qual apostou. Mas ele estava perdendo.

Foi assim que ele descobriu que qualquer dose, por menor que fosse, o colocaria de volta em uma situação em que ele poderia perder tudo. Sua luta teria que ser firme, sóbria pelas próximas 24 horas, pelo resto de sua vida.

Sair do poço era possível, desde que ele assumisse isso seguindo um regime rigoroso de nutrição, exercícios e medicamentos, para conseguir levar uma vida normal.

Aqui estão algumas reflexões sobre sua luta por uma nova vida após um processo de desintoxicação:

  • Esteja ciente de que sua liberdade não deve ser determinada por predisposição genética ou pelas circunstâncias da sua vida;
  • Comece todos os dias com o reconhecimento voluntário de sua vulnerabilidade;
  • Sempre mantenha na memória um medo saudável de suas quedas;
  • Valorize diariamente o que foi alcançado através do esforço, colocando em primeiro lugar o amor e a segurança de sua família;
  • Evite a arrogância e evite qualquer ocasião arriscada;
  • Em compensação, você tem a possibilidade de alcançar virtudes valiosas e ser melhor que outra pessoa sem essa vulnerabilidade.

Não está descartado que, diante das tentações e da sua própria vulnerabilidade, Carlos tenha recaídas. Mas ele deve reagir sem permitir que o erro cresça em consequências. Dessa forma, ele gradualmente sairá do vício. Ele terá sucesso se, diante de uma queda, não se surpreender nem se perturbar, mas logo recuperar sua serenidade para recomeçar com determinação e humildade.

A luta dele está apenas começando.

Álcool, drogas, pornografia, o perigo via adrenalina, jogos de azar ou infidelidade são comportamentos que ocorrem no contexto do mau uso da liberdade, mas sempre existe a possibilidade de um fundo no qual a liberdade se encontre limitada, e nesses casos é necessária ajuda especializada.

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