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Estilo de vida

Considerações sobre o amor real

Justin Lowery | CC

Talita Rodrigues - publicado em 29/05/20

Precisamos ter coragem de viver o amor da vida real, lembrando que a vida não possui pausas para reescritas; a vida simplesmente segue.

Há algum tempo, assisti a um filme de romance. Nele, como é de praxe, o amor era como uma mágica. No final, o enredo teve um desfecho perfeito e o casal encerrou a trama com um beijo triunfante e com um “felizes para sempre”.
Quando o filme terminou, eu perguntei a mim mesma sobre o depois da cena final (e depois do “felizes para sempre”?) caso a história não se tratasse de uma ficção. Será que o casal ainda seria reluzente e perfeito? Qual seria a cor do amor, considerando o soprar do tempo? Será que é possível manter o amor intacto e perfeito com a rotina, com o caos e com as tempestades? É obvio que não. O amor nunca sai intacto de uma relação. Todos nós sabemos disso, mas ao que parece, nos esquecemos que o amor real não é intacto e muito menos perfeito, e por nos esquecermos disso, projetamos uma ideia de um amor que simplesmente não existe – existe somente em Deus. Por isso, as frustrações emocionais humanas acontecem.
O ato de amar alguém com todo o coração é um ato meritório, e não há mérito algum em apenas se lançar naquilo que facilmente acontece e que é fácil de ser amado. O amor, em seu estágio inicial, desperta algo mágico para que sejamos conduzidos a abraçar o novo e o outro.
Contudo, do mesmo modo de quando crescemos, observamos que o mundo não era absolutamente nada do que imaginávamos, também experimentamos a verdadeira face do amor quando ele começa a ser caracterizado pelo que é custoso, difícil e até árido. Amar é uma decisão de renúncia, um doar, um muitas vezes perder. Não há lucro. Tudo é e deve ser gratuito. Assim como Jesus nos amou – na gratuidade.
Isso parece ser complicado e difícil. Contudo, a verdade é que achamos complicado e difícil  porque queremos viver em um filme como os que assistimos, que se baseiam em um final feliz resumido a apenas uma cena. Nos esquecemos que a vida não é composta apenas por uma cena, nos esquecemos que não temos controle sobre o tempo, e sobre quando será a nossa última cena. Queremos que a nossa vida tenha um desfecho magnífico, queremos ser lembrados e queremos viver uma jornada perfeita nesta terra. Queremos que nada nos custe, que tudo seja fácil.
Precisamos nos lembrar de que somente em Deus somos permanentemente felizes e só em Deus recebemos um amor gratuito – falamos aqui de um amor divino, completo e real.
E é justamente por isso, que Deus permite que o amor humano se faça e seja construído diante de nossa jornada de vida. Afinal, é a única forma deste amor perdurar no tempo, sobrevivendo de formas diversas e em diferentes momentos: nos momentos alegres, nos momentos tediosos e nos momentos decepcionantes. Percebamos que, na vida real, só sabemos que alguém amou de verdade pelo que ele viveu, pelo que ele pôs em prática o doou no seu “amar” e não somente com o que restou do fim.
De nada vale o beijo de cinema, de nada valem as pontualidades da vida, se a narrativa é comprometida. E não há boa narrativa quando o desejo de si mesmo é quem conduz a história.
Nós só reconhecemos verdadeiramente o amor pela saudade e pelas lembranças. A saudade é um sentimento humilde, não fala de si, não promete, apenas recorda e aponta onde existiu o amor. Que tenhamos coragem de viver o amor da vida real, nos lembrando sempre de que a vida não possui pausas para reescritas, a vida simplesmente segue.
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