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Cachorros são os mais felizes durante a quarentena

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Contato mais próximo com os bichos permite perceber o que gera ansiedade

Enquanto o mundo está preocupado com a Covid-19, meu cachorro está mais feliz do que nunca. Se antes o meu tempo era disputado por ele, literalmente na unha, enquanto eu caminhava da porta de saída até o portão, hoje ele me tem a disposição. E isso tem feito muito positivo não só para o bem estar do meu cachorro, como para o seu comportamento de modo geral. 

Antes da quarentena, ele parecia sempre ansioso, agitado, como que aflito com a próxima vez em que fosse ser deixado sozinho. E por mais que eu passeasse com ele por alguns quilômetros, duas vezes por dia, todo dia, e brincasse e lhe desse atenção algumas vezes ao longo do dia, o bichinho parecia sempre agitado, como se os passeios e o corre-corre não fossem suficientes para gastar toda sua energia. 

E agora, em que, para respeitar as normas de distanciamento social, eu apenas o solto, durante 20 minutos, na praça exatamente em frente à minha casa, uma vez por dia, ele me parece muito mais tranquilo, sociável e menos afobado do que quando recebia treinamento digno de um atleta. 

Preciso esclarecer que estamos falando de um cachorro que ainda não completou um ano e dez meses, quase um filhote, e que desde que o adotei, quando não tinha nem dois meses, se comportou de maneira afobada e pouco sociável quase que só de olhar para ele, especialmente com visitas. 

Mas, mesmo saindo e correndo menos, acredito que só por me ter por perto o tempo inteiro, sua ansiedade, antes engatilhada pela porta do quintal ou pela expectativa de quando eu voltaria para casa, cessou quase que por completo. E, entre uma página e outra de texto que redijo, agora, sempre o vejo de canto de olho, está dormindo o sono dos justos enquanto eu trabalho. Chega quase a roncar, de tantos barulhos estranhos que emite enquanto descansa, algo em que, antes da pandemia, inclusive, eu nunca tinha prestado atenção.

Acho que com a quarentena nosso relacionamento finalmente atingiu um estágio simbiótico, em que o tempo transcorre naturalmente, assim como nossas ações e interações. Agora meu cachorro, até outro dia um filhotinho, tem tempo para interagir tranquilamente com seu dono, sem a afobação, que antes eu achava ser dele, mas, como agora percebo, era minha, o que o cão apenas captava e ao que reagia a cada afago afobado que eu lhe concedia entre uma tarefa e outra. 

Agora, que estamos mais próximos, além de mais tranquilo, ele está também mais obediente, como se agora eu finalmente tivesse credibilidade para exigir que ele se comportasse de determinada maneira. 

Acho que essa lógica se aplica a muitos relacionamentos humanos. Temos muito a aprender com os cães.

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