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São Justino e as sementes do Verbo

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Trata-se de um conceito iluminador sobre como Deus vai preparando todo ser humano para conhecer e aderir à Verdade plena

O mártir São Justino (100-165) foi um filósofo leigo a quem o Papa Emérito Bento XVI definiu como “o mais importante dos Padres Apologistas do segundo século”.

Um apologista é aquele que faz uma apologia, ou seja, uma defesa de uma ideia ou doutrina, contestando argumentos contrários. Justino escreveu diversos textos apologéticos em defesa do cristianismo nascente, em particular um que é intitulado simplesmente “Apologias” e outro conhecido como “Diálogo com o Judeu Trifão“.

Nessas obras, como resume o Papa Bento, São Justino trata do “projeto divino da criação e da salvação que se realiza em Jesus Cristo, o Logos, isto é, o Verbo Eterno, a Razão Eterna, a Razão Criadora“, bem como faz uma “crítica implacável em relação à religião pagã e aos seus mitos, por ele considerados diabólicas despistagens no caminho da verdade“.

Trajetória

Os pais de Justino eram pagãos de origem grega que lhe deram excelente educação em filosofia, literatura e história. O jovem, que nasceu na Samaria, começou a ler as Sagradas Escrituras depois de encontrar um ancião que falou da religião cristã como “a única que fala de Deus devidamente e de maneira que a alma fica plenamente satisfeita“. É sobre esta experiência, aliás, que ele fala em sua obra “Diálogo com o Judeu Trifão“.

Justino tinha em torno de 30 anos quando se converteu.

Mais tarde, ele fundou em Roma uma escola em que ensinava a religião cristã, entendida como aquela que contém a verdadeira filosofia e a arte de viver de forma correta.

Essa apologia lhe rendeu o martírio por decapitação, já que a pregação da religião cristã era brutalmente reprimida pelo paganismo então oficial no Império Romano.

As “sementes do Verbo”

Uma das ideias mais inspiradas da obra de São Justino, e muito elogiada pelo Papa Bento XVI, é a das “sementes do Verbo”: Justino afirmou todo homem participa do Logos, ou seja, do Verbo Eterno de Deus, e, portanto, traz em si uma “semente do Verbo”, que pode germinar e chegar à plenitude. Isto quer dizer que em cada cultura humana existem sementes da Verdade que podem frutificar, à medida que os mitos vão cedendo espaço ao reconhecimento da Verdade plena, revelada por Deus ao longo da história e culminada em Cristo, que é a própria Verdade, Caminho e Vida.

Segundo Bento XVI, “a obra de Justino marca a opção decidida da Igreja antiga pela filosofia, mais pela razão do que pela religião dos pagãos“. Antes ainda, São João Paulo II já havia escrito sobre ele na importantíssima encíclica “Fides et Ratio“: Justino foi um “pioneiro de um encontro positivo com o pensamento filosófico, ainda que no sinal de um cauto discernimento“.

O Magistério da Igreja também reforça, na “Dominus Iesus“, número 12, que “é o Espírito que infunde as ‘sementes do Verbo’, presentes nos ritos e nas culturas, e as faz amadurecer em Cristo“.

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