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Bispos dos EUA respondem com veemência à morte de George Floyd

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Enquanto pedem protestos pacíficos, os bispos dizem que estão “de coração partido, enojados e indignados” com o episódio. Eles clamam por “firme conversão”

Para uma resposta oficial perante o assassinato de George Floyd, os bispos dos EUA convocaram chefes de vários departamentos internos, desde o escritório pró-vida até os departamentos dedicados à justiça e ao desenvolvimento humano.

A declaração conjunta de sete bispos afirma que eles estão “de coração partido, enojados e indignados ao assistir a mais um vídeo de um homem afro-americano sendo morto diante de nossos olhos. O mais surpreendente é que isso está acontecendo após poucas semanas de várias outras ocorrências desse tipo. Esta é o último chamado de alerta que precisa ser respondido por cada um de nós em um espírito de firme conversão.”

Os bispos afirmam que o racismo “não é coisa do passado” e que “não podemos fechar os olhos para essas atrocidades”. “Servimos a um Deus de amor, misericórdia e justiça.”

A declaração foi divulgada já em 29 de maio, quatro dias após a morte de Floyd, mas ainda em meio aos protestos que ganham força nos EUA e no mundo.

“Embora seja esperado que nós imploremos por protestos pacíficos e não violentos, e certamente assim o fazemos, também apoiamos veementemente as comunidades que estão compreensivelmente indignadas”, dizem os bispos.

“Muitas comunidades em todo o país sentem que suas vozes não estão sendo ouvidas, suas queixas sobre o tratamento racista não são ouvidas e não estamos fazendo o suficiente para apontar que esse tratamento mortal é contrário ao Evangelho da Vida”, escrevem os bispos.

O bispo da maior diocese da Igreja nos EUA, Los Angeles, e o atual presidente da conferência episcopal americana, também se declarou, dizendo que a morte de Floyd foi “brutal e sem sentido, um pecado que clama aos céus por justiça”.

“Como é possível que, nos Estados Unidos, a vida de um homem negro possa ser tirada dele enquanto seus pedidos de ajuda não são atendidos, e seu assassinato é registrado assim?”, disse o arcebispo.

“Estou rezando por George Floyd e seus entes queridos e, em nome dos meus irmãos bispos, compartilho a indignação da comunidade negra e daqueles que estão com eles em Minneapolis, Los Angeles e em todo o país.”

Embora afirmando que a “crueldade” e “violência” sofrida por Floyd “não reflete a maioria dos homens e mulheres de bem na polícia, que cumprem seus deveres com honra”, o arcebispo disse:

Todos deveríamos entender que os protestos que estamos vendo em nossas cidades refletem a justificada frustração e raiva de milhões de nossos irmãos e irmãs que ainda hoje sofrem humilhação, indignidade e desigualdade de oportunidades apenas por causa de sua raça ou cor da pele. Não deveria ser assim na América. O racismo tem sido tolerado há muito tempo em nosso modo de vida.

Essas declarações oficiais da hierarquia dos bispos são ecoadas por declarações semelhantes que ainda estão sendo feitas por bispos individualmente em todo o país.

O cardeal Sean O’Malley, de Boston, observou como a morte de Floyd mostra a desconexão da experiência vivida pela comunidade afro-americana da experiência da comunidade em geral.

Há uma história aqui, documentada ao longo de décadas na imprensa e agora nas mídias sociais e na televisão em nossas casas. A história é clara e trágica: George Floyd era um homem afro-americano que morreu pelas mãos de um policial. Essa é uma narrativa que tem se repetido com frequência e em vários locais do país. A história está bem documentada, mas é conhecida pessoalmente pela comunidade afro-americana de uma maneira que não é amplamente compartilhada.

A comunidade em geral tem conhecimento de alguns casos, mas a comunidade afro-americana vive com a experiência e as memórias dessas mortes de uma maneira totalmente diferente. É uma realidade diária.

O cardeal O’Malley também pediu paz nos protestos:

Em resposta a esta morte, alguns usaram a violência. Eu posso entender a frustração, mas devo me opor fortemente a esses métodos. Para qualquer um de nós, a voz singular do Dr. Martin Luther King ainda soa verdadeira: ‘As trevas não podem expulsar as trevas; somente a luz pode fazer isso. O ódio não pode expulsar o ódio; somente o amor pode fazê-lo.

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