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Histórias Inspiradoras

No final da ocupação nazista da Polônia, o futuro papa João Paulo II salvou a vida de uma jovem

EDITH ZIERER

EAST NEWS

Spotkanie w Jerozolimie w 2000 roku.

Anna Gębalska-Berekets - publicado em 02/06/20

Ele a carregou por três quilômetros. Se não fosse por ele, aquela menina teria morrido de frio e fome

Era janeiro de 1945. Edith Zierer, de 13 anos, deixou o campo de trabalho alemão na cidade de Częstochowa. Mal sabia ela que todos os membros de sua família haviam sido mortos pelos alemães. Ela não conseguia andar. Um jovem seminarista a ajudou em uma estação de trem. Aquele seminarista era Karol Wojtyla.

Se não fosse por ele, ela teria morrido de frio e fome

Depois que ela deixou o campo, Edith entrou em um vagão de trem carregado de carvão. Suas forças foram diminuindo cada vez mais.

Ela desceu em uma estação de trem em Jędrzejów (província de Świętokrzyskie). Totalmente exausta, ela caiu no chão.

Ela ficou deitada ali, gelada e faminta, vestida apenas com um uniforme listrado do campo de trabalho. Estava infestada de piolhos. Ninguém olhou em sua direção, e ela não podia mais se mover. Apenas um homem parou para ajudá-la.

Como ela lembrou mais tarde, ele era bonito e cheio de energia. Ele perguntou à menina o que ela estava fazendo em um lugar como aquele. Ela respondeu que estava tentando chegar a Cracóvia.

Lágrimas encheram os olhos dela quando Karol Wojtyła perguntou qual era seu nome. Fazia muito tempo que ninguém a chamava pelo primeiro nome. Até recentemente, ela não passava de um número. Wojtyla saiu por um breve momento e retornou com chá quente, pão e queijo.

Devemos mencionar que durante a ocupação nazista alemã, Karol Wojtyla estava se preparando para o sacerdócio. Mais tarde, como papa, recordando aquele momento difícil, João Paulo II observou que seus estudos ocorreram parcialmente na pedreira de Solvay, em Cracóvia, e em meio a aulas clandestinas na residência do arcebispo de Cracóvia.

Em 1 de novembro de 1946, Karol Wojtyla foi ordenado padre pelo cardeal Adam Sapieha.

Ele a carregou nos braços e lhe deu seu sobretudo

“Tente se levantar”, o homem a encorajou. Infelizmente, ela não conseguiu. Estava tão exausta que caiu no chão. Vendo isso, o seminarista a pegou nos braços e a levou por três quilômetros até a estação de onde o trem para Cracóvia estava saindo.

Wojtyla cobriu Edith com seu sobretudo. A menina estava com muito medo. Quando o trem parou, ela entrou e se escondeu atrás dos tanques de leite. Wojtyla a chamou pela versão polonesa de seu nome: “Edyta, Edyta”. Ela manteve o nome dele em sua memória para sempre.

Os anos difíceis da guerra

Edith estava desconfiada. Apesar da tenra idade, ela já havia passado por muita coisa em sua vida. Ela se mudara de um lugar para outro com sua família. Depois que a guerra eclodiu, ela fora com seus entes queridos para o leste da Polônia e depois para Cracóvia.

Seu pai teve de viver escondido, pois sua aparência trazia fortes traços de sua origem judia. Edith, por outro lado, não parecia judia. Ela obteve documentos falsificados e tentou viver uma vida normal.

Mas um dia ela saiu e nunca mais voltou para casa. Presa, juntamente com sua irmã Judith, ela foi transferida para o gueto judeu. Infelizmente, em pouco tempo, toda a família foi enviada para o campo de concentração de Płaszow. Eles foram separados. Edith foi de trem em uma direção diferente do resto da família. O trem parou em Skarżysko Kamienna, onde todos foram divididos em grupos.

A menina Edith Zierer conhecia bem o alemão e foi designado para trabalhar em uma fábrica de munição. O trabalho duro a desgastou. Ela estava quase morrendo de fome e as demandas dos alemães estavam crescendo.

Em 1943, ela foi levada para o campo em Częstochowa. Lá prisioneiros judeus também trabalhavam na fábrica de munições.

Em 1945, o campo foi libertado pelos russos. Edith queria encontrar seus entes queridos. Ela estava completamente sozinha, embora ainda não soubesse. Seus pais haviam morrido em Dachau e sua irmã havia sido morta em Auschwitz. Ela foi ajudada pelo seminarista Karol Wojtyła.

Edith Zierer lembrou-se perfeitamente do nome dele. Ao longo de sua vida, ela foi grata a ele por resgatá-la. Ambos não tinham família. O jovem padre já havia perdido sua mãe, pai e irmão. Edith também.

Quando, em 1978, ela soube que Wojtyła se tornou papa, ficou tão impressionada com a alegria que chorou de felicidade. Naquela época, ela morava em Israel, pois havia deixado a Polônia em 1951. Ela tinha sua própria família; ela era esposa, mãe e trabalhava como técnica dentária. Ela escreveu uma carta a João Paulo II e o agradeceu por salvar sua vida.

Fale mais alto, eu sou um homem velho

O Papa lembrou-se dela e a convidou para visitá-lo no Vaticano. Eles foram se reencontrar depois de tantos anos em 1998. O Santo Padre disse a ela: “Fale mais alto, menina. Eu sou um homem velho. Ele abençoou a mulher e disse: “Volte, minha criança.”

Em 2000, durante sua peregrinação à Terra Santa, João Paulo II fez uma visita ao Instituto Yad Vashem e colocou ali uma coroa de flores.

Dirigindo-se a ele, uma mulher disse: “Quem salva uma vida, salva o mundo inteiro”. Este lema está estampado na medalha concedida aos “Justos Entre as Nações”, ou àqueles que salvaram a vida dos judeus durante o Holocausto.

Edith escreveria para o Papa, e ele responderia a ela. Mas eles não se reencontraram mais. Zierer faleceu em 2014.

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