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Papa: educar é ouvir, criar cultura, celebrar

PAPIEŻ FRANCISZEK
HANDOUT/AFP/East News
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“Nunca se esqueçam dessas três palavras: gratidão, sentido e beleza”

O Papa Francisco afirmou hoje que educar não é simplesmente saber as coisas.

Ao enviar uma mensagem em vídeo para uma teleconferência da organização Scholas Occurrentes, o Santo Padre destacou que educar implica ouvir, criar cultura e celebrar.

Scholas Occurrentes é uma organização internacional de direito pontifício, com sedes em Argentina, Cidade do Vaticano, Colômbia, Espanha, Haiti, Japão, Itália, México, Moçambique, Panamá, Paraguai, Portugal e Romênia, presente com sua rede em 190 países, integrando mais de 400 mil centros educativos e chegando a mais de um milhão de crianças e jovens em todo o mundo.

Disse o Papa:

Scholas olha através das fendas do mundo, não com a cabeça, mas com todo o corpo, para ver se através da abertura retorna outra resposta. E isso é educar. A educação ouve ou então não educa. Se não se escuta, não se educa. A educação cria cultura ou não educa. A educação nos ensina a celebrar ou não educa.

Ele prosseguiu:

Alguém poderia me dizer: “Mas como, educar não é saber as coisas?” Não. Isso é saber. Educar é ouvir, criar cultura, celebrar.

O Papa recordou que quando essa organização foi criada, há 20 anos, na Argentina, isso se deu num contexto de crise.

A crise naqueles tempos deixava uma terra de violência e aquela educação uniu os jovens, gerando sentido, gerando beleza.

Segundo o Papa, crise significa “ruptura, corte, abertura, perigo, mas também oportunidade.”

Quando as raízes precisam de espaço para continuar crescendo, o vaso acaba se rompendo. A questão é que a vida é maior que a nossa própria vida e, portanto, se quebra. Mas isso é a vida! Cresce, se rompe.

Pobre humanidade sem crise! Toda perfeita, toda arrumada, toda engomada. Pobre! Uma humanidade assim seria uma humanidade doente, muito doente. Graças a Deus que isso não acontece. Seria uma humanidade adormecida.

Mas o Papa advertiu dos perigos de qualquer crise.

Assim como a crise nos anima chamando-nos ao aberto, o perigo se apresenta quando não nos ensina a nos relacionar com essa abertura.

As crises, se não forem bem acompanhadas, são perigosas, porque é possível se desorientar, disse Francisco.

O conselho dos sábios, mesmo para as pequenas crises pessoais, conjugais e sociais é: “Nunca entre na crise sozinho, seja acompanhado”.

Na crise, o medo nos invade, nos fechamos como indivíduos, ou começamos a repetir o que muito pouco serve, esvaziando-nos de sentido, escondendo o próprio chamado, perdendo a beleza. Isso é o que acontece quando alguém  atravessa uma crise sozinho, sem reservas. Essa beleza que, como disse Dostoiévski, salvará o mundo.

O Papa disse que “nesta nova crise que a humanidade está enfrentando hoje, onde a cultura demonstrou que perdeu sua vitalidade” ele deseja “comemorar o fato de que Scholas, como comunidade que educa, como uma intuição que cresce, abre as portas da Universidade do Sentido. Porque educar é buscar e ensinar o sentido das coisas”.

Nunca se esqueçam dessas três palavras: gratidão, sentido e beleza. Elas podem parecer inúteis, sobretudo hoje. Quem cria uma empresa procurando gratidão, sentido e beleza? Não produz, não produz. No entanto, dessas coisas que parecem inúteis dependem toda a humanidade, o futuro.

(Com Vatican News)

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