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Avião com 136 peregrinos e 6 tripulantes esteve a ponto de cair em Lourdes

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Relatório das autoridades sobre o incidente revela que todos se salvaram por muito pouco e no último instante

As autoridades da Bulgária (AAIU) responsáveis pela investigação de acidentes aéreos divulgaram neste mês o relatório final sobre um grave incidente ocorrido em junho de 2018 com uma aeronave MD-82 pertencente à Bulgaria Air Charter, que quase caiu quando o comandante abortou uma tentativa de pouso na pista do aeroporto de Lourdes, na França, sob duras condições climáticas.

O voo BUC-8115 tinha partido do Aeroporto Internacional de Catânia, na ilha italiana da Sicília, como um fretamento com 136 passageiros e 6 tripulantes. Tratava-se de uma peregrinação ao Santuário de Nossa Senhora de Lourdes.

LOURDES
rutamariana.com

Nos instantes finais da aproximação, porém, o avião perdeu sustentação durante uma arremetida já sobre a pista do aeroporto, ficando a um triz de cair e, portanto, de causar uma tragédia histórica.

O voo tinha sido normal até que, já na região de fronteira entre a França e a Espanha, pouco antes do início da descida, os pilotos tentaram evitar um grande sistema de nuvens cúmulos-nimbos, as que requerem mais cuidados na aviação porque se associam a eventos meteorológicos como tempestades com raios, chuva volumosa e, em muitos casos, granizo. Havia condições de formação de gelo, além de turbulência moderada.

Nestas circunstâncias tempestuosas, os pilotos receberam a instrução de executar a aproximação por instrumentos (ILS) para pouso na pista 20 do aeroporto, onde chovia forte.

Momentos críticos

Faltando 90 segundos para o pouso, voando a cerca de 671 metros do solo a 259 km/h, a aeronave estava configurada dentro dos procedimentos de descida ILS, com o piloto automático e a aceleração automática funcionando normalmente. Devido às condições meteorológicas de tempestade e vento, porém, o copiloto desacoplou o piloto automático, mas manteve a aceleração engajada. Imediatamente após passar para o controle manual, o avião sofreu fortes rajadas de vento e chuva intensa. O copiloto não conseguiu manter a aeronave em curso, e, na rampa de aproximação, ela começou a se desviar para a esquerda. Foi quando o comandante assumiu o controle e iniciou uma correção à direita, aumentando também a inclinação do nariz da aeronave para manter o perfil de descida. Apesar disso e da aceleração dos motores, considerando-se que a aceleração automática estava mantida em velocidade definida de 140 nós, a aproximação estava completamente fora do padrão; ainda assim, o comandante prosseguiu com a tentativa de pouso.

A apenas 26 metros de altura e com velocidade de 257 km/h, ele desengajou a aceleração automática, e, segundos depois, aumentou a inclinação do nariz do avião de 4° para 11°, sem aumentar, no entanto, a potência dos motores – ação obrigatória, já que ele tinha desengajado a aceleração automática. O avião chegou a cruzar a cabeceira da pista a 10,7 metros de altura, a 240 km/h, e, após 5 segundos percorrendo cerca de 350 metros da pista ainda no ar, o comandante decidiu abortar o pouso e arremeter. A aceleração automática, porém, continuava desengajada e não tinha sido feito o ajuste manual nas manetes de potência dos motores. A aeronave estava voando com potência mínima e com a elevação do nariz próxima do limite crítico para a perda de sustentação. Segundo as informações divulgadas, os pilotos teriam tardado a observar a posição dos controles e as variações de velocidade do avião, bem como a levar os controles do motor para o padrão de decolagem. A partir do recolhimento do trem de pouso para voltar a subir, o avião perdeu velocidade até chegar à mínima de 215 km/h, inferior à própria velocidade de descida, e com ângulo de inclinação a 15°. Foi quando os pilotos perceberam a posição errada das manetes de potência dos motores e, praticamente na última chance, as moveram para a posição necessária.

Final Report AAIU – Ministry of Transport of Bulgaria

Tanto o comandante quanto o copiloto tinham os seus certificados e licenças em dia. O avião não apresentava nenhum problema na estrutura nem nos sistemas. A investigação búlgara, que qualificou o incidente como grave, identificou erros dos pilotos, provavelmente devido ao grande estresse decorrente das condições meteorológicas significativamente complicadas.

Providencialmente, porém, os mesmos pilotos também acabaram sendo os salvadores do dia, graças à percepção, no último instante, das configurações que precisavam ser feitas urgentemente na potência dos motores para contornar a condição crítica do avião e evitar o que poderia ter sido a maior tragédia da história das peregrinações a Lourdes.

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Com informações de Aeroin.net

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