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Papa: Deus nos surpreenderá quando menos esperarmos

Antoine Mekary | ALETEIA

Reportagem local - publicado em 10/06/20

Em mais uma catequese sobre a oração, o Papa Francisco disse: "este é um convite bonito a nos deixar mudar por Deus. Ele sabe como fazê-lo, porque conhece cada um de nós"

O Papa Francisco afirmou hoje que todos nós temos um encontro com Deus na “noite escura” de nossa vida, nos “momentos de desorientação”, pois Deus nos surpreende quando menos esperamos.

Em sua catequese de hoje no Vaticano, o Papa deu continuidade ao tema da oração, enfocando especificamente “a oração de Jacó”.

O Papa falou:

No ciclo dos patriarcas, encontramos também a de um homem que tinha feito da astúcia o seu melhor talento: Jacó. A história bíblica nos conta a difícil relação que Jacó teve com o seu irmão Esaú.
Desde crianças, houve rivalidade entre eles, que nunca foi resolvida. Jacó é o segundo filho, mas, com o engano, consegue obter de seu pai Isaac a bênção e o dom da primogenitura. É apenas a primeira de uma longa série de astúcias das quais este homem sem escrúpulos é capaz. O nome ‘Jacó’ significa algo de alguém que sabe como se mover não diretamente. Significa astúcia em se mover.

O Papa Francisco explicou que Jacó, em linguagem moderna, seria considerado “um homem que se fez sozinho”, uma pessoa hábil nos negócios, que enriquece muito.

Mas um dia Jacó tem saudades de casa, da sua antiga pátria, onde ainda vivia Esaú, o irmão com o qual sempre tivera péssimas relações.

Jacó partiu e fez uma longa viagem com uma caravana de pessoas e animais, até chegar à última etapa, ao rio Jaboc. Aqui o Livro do Gênesis oferece-nos “uma página memorável”, disse o Papa.

Narra que o patriarca, depois de ter feito todo o seu povo e gado atravessar a torrente, permanece sozinho na margem estrangeira. E pensa: o que o espera no dia seguinte? Qual será a atitude do seu irmão Esaú? A mente de Jacó é um turbilhão de pensamentos. Quando anoitece, de repente um desconhecido apodera-se dele e começa a lutar com ele.

Segundo Francisco, a tradição espiritual da Igreja divisou nesta narrativa o símbolo da oração como combate da fé e vitória da perseverança.

Jacó lutou até o despertar da aurora, sem nunca deixar as garras do seu adversário. No final, foi derrotado, atingido pelo seu rival no nervo ciático, ficando aleijado para o resto da vida.
Esse misterioso lutador pergunta o nome ao patriarca, dizendo-lhe: «Você não se chamará Jacó, mas Israel». Você não será o homem que caminha assim, mas reto. Muda o seu nome, muda a sua vida, muda a sua atitude; você será chamado de Israel, «porque você lutou com Deus e com os homens e conseguiu vencer!». Depois Jacó pergunta também ao outro: «Peço-te que me digas o teu nome». Ele não o revela, mas em troca o abençoa. Jacó percebe que encontrou Deus “face a face”.

O Papa explicou que lutar com Deus é uma metáfora da oração.

Pela primeira vez Jacó nada mais tem para apresentar a Deus a não ser a sua fragilidade e impotência, e também os seus pecados. E é este Jacó que recebe a bênção de Deus, com a qual entra coxo na terra prometida: vulnerável, e vulnerado, mas com um coração novo.

Francisco concluiu sua catequese dizendo que “todos nós temos um encontro com Deus na noite da nossa vida, nas muitas noites da nossa vida: momentos sombrios, momentos de pecados, momentos de desorientação. Ali, há um encontro com Deus, sempre”.

Ele nos surpreenderá quando menos esperamos, quando nos encontramos realmente sozinhos. Naquela mesma noite, lutando contra o desconhecido, tomaremos consciência de que somos apenas pobres homens, permito-me dizer, “coitados”, mas, naquele momento, no momento em que me sinto um coitado, não devemos temer: porque naquele preciso momento Deus nos dará um novo nome, que contém o sentido de toda a nossa vida; mudará o nosso coração, e nos dará a bênção reservada para aqueles que se deixaram transformar por Ele.

Segundo o Papa, este é um convite bonito a nos deixar mudar por Deus. Ele sabe como fazê-lo, porque conhece cada um de nós. “Senhor, você me conhece”, podemos dizer cada um de nós. “Senhor, você me conhece. Muda-me”.




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(Com Vatican News)

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