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Quem está nas trincheiras ao seu lado importa mais do que a própria guerra 

Octavio Messias - publicado em 12/06/20

Momentos de crise levam pessoas a se unirem em torno de amor, companheirismo e um objetivo comum 

Com o início da flexibilização da quarentena no estado de São Paulo (Brasil), fico deprimido ao ver pela televisão pessoas se aglomerando em shoppings, fazendo filas nas portas das lojas para matar seu desejo de consumir, de quebrar o jejum imposto pelas normas de distanciamento social.

Acho ainda mais grave isso ter ocorrido às vésperas do Dia dos Namorados, quando se usa a data comemorativa (de cunho estritamente comercial, convenhamos) como desculpa para se aglomerar e consumir. Acho triste que, conforme nos aproximamos do terceiro mês de pandemia e ultrapassamos a marca dos 40 mil mortos no país, tanta gente ainda não tenha entendido o recado.

Em primeiro lugar, porque existe a internet e dificilmente haverá algum produto que você deseje que não possa ser entregue na porta da sua casa. Pois o maior gesto de amor que você pode ter para com o próximo, hoje, é se protegendo, pois só assim você protege o próximo e você estará protegendo todos que coabitam este país conosco. E isso, claro, inclui o seu companheiro ou a sua companheira.

Em segundo lugar, ao estarmos diante de relatos diários de tantas vidas abaladas, de um futuro tão incerto, me espanta que o quanto o consumo desenfreado, o que, agora, mais claramente do que nunca, podemos perceber que está levando o planeta a um colapso, contribuindo com desigualdades sociais e agindo de maneira diametralmente oposta à solução de uma crise que está tirando vidas. Nunca foi tão claro que o consumismo não tem nada a ver com o amor. No contexto atual, é seu exato oposto.

Já frequentei muito a Serra Gaúcha, especialmente a cidade de Caxias do Sul, e sua vizinha, quase um vilarejo, colônia italiana até os dias de hoje, chamada Flores da Cunha. Lá, onde inclusive ainda se fala um dialeto, entre costumes e rituais tradicionais, as famílias conhecem as histórias de como seus antepassados vieram passar no Brasil. Geralmente são histórias de superação – seja para fugir da guerra, da fome, ou da peste –, na qual se unir e criar um núcleo de colaboração e companheirismo ao seu redor, fazia sentido em um propósito de superação. 

Ao meu ver, a crise trazida pela pandemia deve, ou ao menos deveria trazer, o estreitamento dos laços, o fortalecimento do companheirismo, a renovação do amor. Nessa perspectiva, não me espanta que diversos países tenham batido recordes de divórcio nos primeiros meses de distanciamento social. Ao meu ver, em um momento como esses é possível enxergar quem estará ao seu lado na saúde e doença, na riqueza e na pobreza. E me parece natural que relacionamentos não tão sólidos tendam a esmorecer.   

Por outro lado, essa é uma grande oportunidade para que relacionamentos já enraizados se fortaleçam ainda mais. E que novos se formem. Como o casal Adriana Cristina Ventura e Alexon Cardoso Silva, de Piracicaba (SP), que foi notícia na Folha de S.Paulo de hoje.

Eles se conheciam de vista, da vida de moradores de rua e dependentes de drogas, e só se aproximaram ao se encontrarem em um abrigo montado na cidade para proteger a situação da contaminação do novo coronavírus. Com o intuito não só de vencer a crise, como de superarem o vício juntos, Adriana e Alexon casaram-se na igreja que é responsável pelo abrigo. 

Eles entenderam o recado. Pois, como diz a expressão: “Mais do que a própria guerra, o que importa é quem está nas trincheiras ao seu lado”.  

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