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Por que estamos ficando cansados de conversar por vídeo?

CONFERENCING CALL,

Girts Ragelis | Shutterstock

Octavio Messias - publicado em 14/06/20

Já se fala em "fadiga do Zoom"; novo hábito vem causando estresse 

Com o isolamento social ocasionado pelo novo coronavírus, aplicativos como Skype, Facetime, Facebook Messenger, WhatsApp, Google Duo e especialmente o Zoom – cujas vendas aumentaram em US$ 1,8 bilhão desde o início da pandemia, chegando a contabilizar 300 milhões de usuários em reuniões virtuais por dia –, tornaram-se ferramentas essenciais do nosso dia a dia.

Com elas conseguimos nos manter produtivos mesmo sem sair de casa, fazemos reuniões de trabalho, conversamos com amigos e familiares enxergando o interlocutor, o que faz uma grande diferença. Já agora, conforme nos aproximamos de nossa 13ª semana confinados,  começam a surgir as primeiras contraindicações ao uso excessivo de tais dispositivos. 

Afinal, passada a alegria de ver alguém que você não vê de verdade desde antes da pandemia, ficam as dificuldades de conexão, os travamentos dos aplicativos, os problemas com áudio etc. E como estamos usando chamadas de vídeo como nunca, esse tipo de inconveniente tende a um efeito acumulativo. 

Geralmente, quando conversamos com alguém ou fazemos uma reunião pessoalmente, ou até mesmo por telefone, o interlocutor não exige toda a nossa atenção. É possível olhar o movimento, ou ao menos o entorno, refletir sobre aquilo que está sendo falado, e a conversa atinge um tom natural. 

Já em uma chamada por vídeo, além de você ter de ficar olhando ininterruptamente para a tela, às vezes com mais de uma dúzia de participantes, fica mais difícil ficar à vontade, em um tom de voz natural, e se fazer entender. Sem contar as preocupações adicionais como postura, aparência, iluminação etc. 

Também fica mais difícil notar e interpretar expressões faciais e linguagem corporal, o que requer ainda mais atenção. Todos esses são fatores que adicionam tensão ao ato de se comunicar, e consomem mais de nossa energia do que costumamos imaginar. É como se houvesse um distanciamento entre corpo e mente, pois os dois deixam de agir de maneira integrada e espontânea durante uma conversa 

Uma pesquisa realizada na Alemanha em 2014, à qual a rede BBC recentemente teve acesso, mostra que, com delays de 1,2 segundos na conexão, já tendemos a perceber o interlocutor como menos amigável. Outro desafio apontado são os momentos de silêncio. Comuns em nossas interações cotidianas, eles tendem a dar um ritmo espontâneo à conversa, mas costumam ser constrangedores em vídeo chamadas. 

A reportagem ainda diz que, por vermos a nossa própria imagem, por tanto tempo, no vídeo, tendemos a ficar mais preocupados em como somos vistos pelos interlocutores. Todos estão nos olhando, é como se estivéssemos em um palco. Quando entramos em uma vídeo chamada com vários participantes, muitos dos quais não conhecemos, esse desconforto tende a aumentar. 

Soma-se a tudo o estresse de se estar confinado, em meio a uma pandemia, e o resultado pode não ser dos mais saudáveis.

Portanto, é indicado que se reduza ao máximo o tempo usado em vídeo chamadas, o que pode até motivar a volta da boa e velha chamada por telefone. E, quando pudermos voltar a interagir pessoalmente, quem sabe não valorizaremos mais essa troca? Assim deixaremos nossos smartphones de lado, o que seria uma boa lição para se levar da pandemia. 

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