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A pandemia, o Tinder e uma revolucionária oportunidade para as relações afetivas

NARZECZENI
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Não terá chegado a hora de a sociedade repensar se a quantidade de parceiros sexuais é mesmo mais “avançada” que a “antiquada” qualidade de um amor duradouro?

O aplicativo Tinder se tornou um dos mais conhecidos instrumentos tecnológicos voltados a facilitar encontros sexuais entre seus usuários, o que o coloca frequentemente no centro de discussões sobre a superficialidade e a objetificação das relações afetivas.

No atual contexto de distanciamento social decorrente da pandemia de covid-19, o Tinder volta às notícias como um “indicador” das interações humanas, ou, mais especificamente, das expectativas de retomada dessas interações quando a pandemia estiver sob controle.

Um levantamento feito pela rede britânica BBC aponta que, em 29 de março, ainda no começo da quarentena, os usuários do aplicativo realizaram 3 bilhões de combinações (“matches”), ou seja, marcaram outros usuários como sendo pessoas de seu “interesse” e com as quais gostariam de tentar algum encontro. Foi um recorde histórico do Tinder para um único dia.

Elie Seidman, executivo da companhia proprietária do aplicativo, afirma que, por um lado, a quarentena impactou negativamente a empresa, já que as assinaturas pagas diminuíram significativamente; por outro lado, ele considera que os usuários do plano gratuito estão “ansiosos por interação”.

Ele acrescenta algo interessante: em sua avaliação, a popularidade dos “encontros virtuais” não desaparecerá depois da quarentena, porque os usuários tenderiam a prestar mais atenção à etapa inicial de “testes de compatibilidade” antes de partirem para o encontro presencial.

O que cabe perguntar é de que tipo de “compatibilidade” se está falando. Aparência física? Atração sexual? Gostos e hobbies? Estilos de vida?

Talvez o atual contexto seja propício para recordar às pessoas “ansiosas por interação” que uma das mais “radicais” e “eletrizantes” finalidades do namoro, independentemente de religiões e contextos culturais, é justamente que os namorados se conheçam como pessoas e compreendam de modo mais profundo e consciente se estão dispostos a construir juntos uma vida.

Sem pretender “radicalizar” excessivamente, essa vida poderia muito bem incluir a formação de uma família feliz, estável e plena – sim, com filhos.

E não querendo ir longe demais, valeria até o atrevimento de lembrar que um possível propósito declarado dessa família poderia ser o de perdurar até que a morte os separe.

A tecnologia é bem-vinda para contribuir com esta que, sim, seria uma verdadeira revolução na frustrante vida afetiva de milhões de homens e mulheres que, embora “ansiosos por interação”, não estão encontrando na quantidade a qualidade que no fundo almejam.

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