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Igreja no Centro de São Paulo esconde órgão centenário de Guiomar Novaes

SAINT OMER ORGAN
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A primeira grande pianista Brasileira usou o instrumento quando fugiu da Primeira Guerra

Diariamente, milhares de pessoas passam – ou ao menos passavam, antes da quarentena – pelo Largo Santa Cecília, no Centro de São Paulo, que dá acesso à estação de metrô e ao terminal de ônibus, em frente ao qual ocorre uma agitada feira livre aos domingos. O que quase ninguém desconfia é que aquela igreja bege de aspecto sóbrio abriga um órgão que passou pelas mãos da realeza da música erudita brasileira, a pianista Guiomar Novaes (1894–1979).

Posicionado em uma plataforma de frente para o altar, o órgão com 1.300 tubos de até seis metros de altura, uma pedaleira com 30 teclas e dois teclados com 56 teclas cada foi fabricado na Alemanha por Wilhem Sauer, em 1913, e exportado para o Brasil. 

No ano seguinte, com a eclosão da Primeira Guerra Mundial, Guiomar teve de abandonar Paris, onde havia estudado no conservatório com Claude Debussy e estava baseada para uma série de shows na Europa. Ela usou o portentoso instrumento no evento de inauguração do instrumento, um de seus primeiros recitais de volta ao país, que também contou com a participação do maestro Furio Franceschini. Em 1915, Guiomar Novaes partiu para os Estados Unidos no ano seguinte, onde estreou o que seria uma longa temporada de sucesso. Ela só voltaria a se apresentar no Brasil na Semana de Arte Moderna, em 1922. 

Para saber mais sobre a artista, assista a este vídeo:

Desde que fora acomodado na Matriz Paroquial Santa Cecília, o órgão de tubo chegou a ficar inativo por uma década, até ser restaurado em 2014, quando foi completado o centenário da chegada do instrumento ao Brasil. Hoje, é possível escutar seu som estrondoso nas cerimônias aos domingos. Estima-se que existam apenas dez órgãos como esse em atividade no país.  

O órgão é interessante, mas não é a única atração turística que motiva a visita à Igreja de Santa Cecília. Em seu teto, há uma belíssima pintura de Nossa Senhora Imaculada da Conceição, pelo pincel de Benedito Calixto, que ainda pintou outros murais na igreja, assim como Oscar Pereira da Silva. O sino é original da antiga Igreja da Sé.   

Portanto, fica a sugestão de um lugar único, repleto de história da cultura brasileira, no qual celebrar uma missa quando de passagem por São Paulo.

 

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