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Ativista diz que estátuas de Jesus são “supremacia branca” e devem ser demolidas

Cristo Redentor
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A pregação do caos começa pelo caos do próprio pensamento

Não é de hoje que determinados ativistas manipulam ou se aproveitam da justa indignação popular para desvirtuar protestos e direcioná-los aos seus próprios interesses ideológicos.

Este fenômeno, geralmente composto por cavalares doses de desonestidade intelectual, se abate também sobre alguns aspectos da recente onda de manifestações necessárias e justas contra o racismo: a honesta reivindicação de respeito aos direitos humanos fundamentais foi misturada com narrativas de todo tipo, muitas delas propulsoras de violências tão covardes quanto as que os seus perpetradores alegam combater.

É no meio dessas narrativas que, desvirtuando fatos e contextos, disparam-se declarações carregadas de ódio mal disfarçado de engajamento social.

Nesta semana, Shaun King, ativista da extrema-esquerda norte-americana, pontificou via redes sociais que as estátuas de Jesus com biotipo europeu devem ser depredadas porque seriam uma forma da “supremacia branca”:

“Se a sua religião exige que Jesus seja um Jesus de cabelos loiros e olhos azuis, a sua religião não é o cristianismo, mas a supremacia branca. A brancura cristã, não o cristianismo branco, tem sido a religião principal deste país há centenas de anos. Sim, acho que as estátuas do europeu branco que eles alegam ser Jesus também devem cair. Elas são uma forma de supremacia branca. Sempre existiu. Na Bíblia, quando a família de Jesus quis se esconder e se misturar, adivinha para onde eles foram? EGITO! Não para a Dinamarca. Derrube-os”.

Como é próprio da estupidez ideológica raivosa, o ativista fecha os olhos para o fato de que a tradição cristã etíope representa Jesus com traços etíopes há séculos e séculos, assim como relevante quantidade de obras de arte asiáticas O representam com traços asiáticos, vestes asiáticas e cenários asiáticos. Não é preciso de muita Wikipédia para observar que a localização geográfica de Nazaré dista o suficiente de Adis Abeba e de Tóquio para que essas obras também recebam do ativista a mesma patada que ele desferiu contra os dinamarqueses, mas ele foi seletivo na sua indignação.

Assim como os cristãos da África e do Oriente, também os cristãos europeus representaram Jesus com traços físicos europeus e em cenários que variavam do românico ao neoclássico, passando pelo gótico e pelo renascentista. Os artistas etíopes, japoneses, holandeses, italianos, espanhóis e um longo etcétera tinham suficiente noção de que nenhum dos seus estilos locais era típico de Belém, da Samaria ou do Monte das Oliveiras. O que acontece é que a arte cristã, independentemente de épocas e lugares, procura incentivar não apenas o conhecimento da história de Jesus, mas também a identificação entre a Sua mensagem e o contexto histórico de cada povo – desde que preservando, obviamente, a essência tanto da Pessoa do Cristo quanto da Sua Palavra.

O ativista iconoclasta deixou de criticar também as narrativas e representações de Jesus como guerrilheiro marxista ou como ideólogo sexual, por pouco que tais “interpretações” tenham a ver com o Egito, a Galileia ou a Judeia e por nada que tenham a ver com a vida real do Cristo, que Se encarnou e morreu por todos e cada um – inclusive por Judas, que não era dinamarquês.

Parece que a pregação do caos começa pelo caos do próprio pensamento, ao qual o bom senso manda lembranças.

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