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Acolhida: resposta certa para perguntas difíceis

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Shutterstock | ESB-Professional
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Organização dá apoio a gestantes em situações difíceis, que poderiam estar tentadas a abortar, mas que conseguirão levar sua gravidez até o fim, contando com o auxílio de pessoas amigas e profissionais qualificados

Há muitos anos, Clint Eastwood fez um filme sobre eutanásia, belo, ainda que dando uma resposta errada ao problema, chamado “Garota de Ouro” (2004). Tratava de uma jovem lutadora de boxe que fica tetraplégica e quer morrer, pois não vê mais sentido em sua vida. Seu treinador, homem muito católico, pede conselhos a um padre, do qual ouve uma série de palavras até boas e justas, mas que não conseguem dar uma resposta à altura do drama da jovem paralisada.

Na época do lançamento do filme, um jornalista católico escreveu um artigo elogiando a pergunta aguda que Clint Eastwood fazia sobre o sentido da vida numa situação limite. Comentava, porém, que o padre do filme não soubera responder à pergunta, não soubera mostrar o sentido e a beleza que pode se apresentar mesmo nas situações mais difíceis.

Saliento que o verbo certo é “mostrar o sentido e a beleza”, não “explicar” ou “demonstrar racionalmente”, pois no momento da maior aflição, a racionalidade não funciona e a única alternativa é a própria experiência de um Algo maior, que os cristãos aprenderam ser o amor de Deus. Por ser uma experiência, dificilmente ela será apresentada só em palavras, é preciso mais: uma companhia, geralmente humana, mas na qual brilha uma centelha – talvez pequena, talvez grande – do amor de Deus.

Na aflição, poucas vezes basta dizer “a vida é o maior valor que temos” ou “Deus te ama”, na maior parte dos casos é necessário dizer também “eu estarei com você, respeitando sua liberdade, mas ajudando a superar as dificuldades e reencontrar a beleza da vida”.

Muitas vezes nós mesmos nunca enfrentamos problemas tão grandes quanto aqueles da pessoa desesperada e, então, só o testemunho de outros, que sofreram mais do que nós, mas superaram tudo com a ajuda de Deus, nos permite ser uma companhia adequada, ter uma palavra justa e oferecer um braço amigo e confiável.

Para isso somos uma grande comunidade, que se estende nos séculos: podemos contar não só com nossas forças e nosso testemunho, mas sabemos que a graça de Deus nos ajudará também por meio do testemunho e do apoio daqueles que são mais maduros na fé e mais experientes do que nós.

Essas reflexões me ocorreram ao ler o convite para a formação online de uma organização católica de São Paulo, “Filhos da Luz” (se quiser, veja aqui a descrição do trabalho e o formulário de inscrição de voluntários). Essa organização dá apoio a gestantes em situações difíceis, que poderiam estar tentadas a abortar, mas que conseguirão levar sua gravidez até o fim, contando com o auxílio de pessoas amigas e profissionais qualificados para ajudá-las em suas diversas dificuldades.

Muitos de nós estão seriamente empenhados num trabalho de defesa da vida, lutando, por exemplo, por leis contra o aborto e a eutanásia. Contudo, é cada vez mais fácil para uma jovem grávida encontrar a sugestão de um local para abortar. Existe uma vasta rede que oferece o aborto como alternativa “segura” e que (dizem) promove a liberdade da mulher, de modo que até parentes e amigas bem intencionadas indicam esses locais.

Contudo, se a grávida está buscando apoio para levar adiante a gravidez, terá muito mais dificuldade para encontrar ajuda qualificada. Temos a falsa ideia que basta a boa intenção e a força de vontade da gestante, enquanto nas situações de crise a existência de um apoio concreto pode fazer toda a diferença entre optar ou não pela vida.

Apoiar gestantes para que optem pela vida pode ser um trabalho exigente, mas muito recompensador e que propicia, também para os voluntários, uma grande possibilidade de crescimento humano e de fé.

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