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Bento XVI a seu irmão, pe. Georg: “Deus te pague por tudo o que me deste”

RATZINGER
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O último adeus do Papa Emérito ao seu irmão recém-falecido foi lido neste 8 de julho, durante o funeral

O arcebispo dom Gänswein, secretário particular do Papa Emérito Bento XVI, teve que lutar várias vezes com as lágrimas para conseguir ler o texto escrito pelo pontífice para o funeral de seu irmão mais velho, o pe. Georg Ratzinger.

“Que Deus te pague, querido Georg, por tudo o que fizeste, sofreste e me deste”. 

A carta escrita neste 7 de julho pelo Papa Bento foi lida nesta quarta-feira, 8, durante o funeral do irmão falecido em 1º de julho. Bento, de 93 anos, não pôde comparecer ao funeral devido à idade. Ele acaba de retornar ao Vaticano após uma viagem delicada, feita entre 18 e 22 de junho a Ratisbona, Alemanha, justamente para visitar o irmão de 96 anos, então já muito enfermo. Foi a primeira e única vez que Bento saiu da Itália desde que renunciou ao pontificado em fevereiro de 2013.

Sobre essa breve e comovente viagem familiar, Bento escreveu na carta:

“Ele não pediu a minha visita. Mas eu senti que era hora de ir até ele de novo. Por este sinal interior que o Senhor me deu, estou profundamente agradecido”.

Quando se despediram na manhã de 22 de junho, os dois irmãos e amigos sabiam:

“Seria uma partida deste mundo para sempre”.

Mas também sabiam muito mais do que isso:

“Deus, que nos deu esta união neste mundo, também reina no outro mundo e nos dará uma nova união”.

O Papa Emérito agradeceu ao bispo de Ratisbona, dom Rudolf Voderholzer, pelo apoio e proximidade “nestas semanas de despedida”.

Bento também falou dos sofrimentos do irmão mais velho como regente do coro infantil da catedral de Ratisbona, cargo que lhe rendeu acusações cruéis de conivência com abusos físicos e sexuais. Não houve nenhuma prova contra ele em particular. O pe. Georg, que respondeu a todas as acusações, pediu perdão e manifestou solidariedade às vítimas de outros sacerdotes. Sobre as violências físicas que de fato aconteceram, ele confirmou que, infelizmente, na época investigada (décadas de 1950 a 1970), “as bofetadas eram comuns não só no coro da catedral, mas em todos os âmbitos da educação, assim como nas famílias”.

Ao se referir a esses episódios, Bento comentou:

“A hostilidade e a rejeição não faltaram, especialmente no princípio. Mas, ao mesmo tempo, ele se tornou um pai para os jovens que lhe estavam e estão agradecidos como seus estudantes no coro da catedral”.

O pe. Georg Ratzinger dirigiu de 1964 até 1994 o mundialmente famoso coro de crianças conhecido como Domspatzen. Ele foi sepultado, aliás, num túmulo da fundação do Domspatzen no cemitério católico de Ratisbona.

Ao início do funeral, o bispo dom Rudolf lembrou mais uma vez a visita de Bento ao irmão entre 18 e 22 de junho: “Este sinal de humanidade emocionou muita gente”. Concelebraram com ele o secretário pessoal de Bento, o arcebispo dom Georg Gänswein, e o núncio apostólico na Alemanha, o arcebispo dom Nikola Eterovic. Também participaram o bispo emérito de Ratisbona, cardeal Gerhard Ludwig Müller, o cardeal Reinhard Marx, de Munique, e o bispo dom Gregor Maria Hanke, de Eichstätt.

Os cantos litúrgicos ficaram a cargo de 16 antigos alunos do coro da catedral.

Requiescat in pace.

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