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Pobreza na Venezuela já atinge 96% da população, diz novo estudo

VENEZUELA
RONALDO SCHEMIDT - AFP.jpg
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Os poucos que podem gastar em dólar são basicamente privilegiados políticos que vivem numa bolha em meio à catástrofe criada por eles próprios

Um estudo publicado nesta semana aponta que o percentual de pobreza na Venezuela já atinge 96% da população, índice superior a qualquer outro do continente e ao de muitos países africanos, que, infelizmente, costumam constar entre os mais pobres do mundo.

O levantamento foi realizado pela Universidade Católica Andres Bello (UCAB), fundada pelos jesuítas na década de 1950. Trata-se do segundo centro universitário mais importante da Venezuela segundo o QS World University Rankings de 2019.

O percentual verificado considera apenas a renda de acordo com a Pesquisa Nacional de Condições de Vida (Encovi), publicada pela mesma universidade sediada em Caracas. O estudo também constata que quase 65% da população venezuelana empobreceu em 2019, alta de 14 pontos percentuais em relação aos 51% do ano anterior. Os prognósticos para 2020 são piores ainda por causa da pandemia de covid-19. Os números desta doença no país, a propósito, são praticamente desconhecidos, dada a falta de confiabilidade dos dados fornecidos pelo governo: o registro oficial seria de “apenas” 120 mortes até o momento, num país em que a crise do sistema de saúde já era dramática fazia anos, com falta contínua de médicos e remédios; em comparação, a vizinha Colômbia, em condições econômicas e estruturais muito melhores, passa de 6.000 óbitos.

O estudo da UCAB descreve a situação dos lares da Venezuela como de “pobreza multidimensional”, com insuficiência de renda, educação e serviços públicos.

O país acumula inflação de 3.684% em 12 meses (dados consolidados até maio deste ano), segundo o Parlamento do país, o que desvaloriza ainda mais o já combalido bolívar soberano, cuja cotação está em torno de 246 mil bolívares por 1 dólar. Nesse contexto, o salário mínimo atual equivale a menos de 2 dólares por mês (menos de 11 reais). O Índice Nacional de Preços ao Consumidor, aferido pela Assembleia Nacional venezuelana, mostra que um cidadão do país precisa de 12,6 salários mínimos para comprar um par de sapatos.

A desvalorização galopante da moeda levou muitos estabelecimentos comerciais a preferirem receber em dólares, mas a falta de troco dificulta as transações para grande parte dos proprietários de comércios. De qualquer forma, a grande maioria da população não tem acesso à moeda norte-americana e é forçada a sobreviver com bolívares equivalentes a quase nada. Quem tem e pode gastar em dólar são os poucos empresários que conseguiram não quebrar, mas, principalmente, os privilegiados políticos que vivem numa bolha em meio à realidade catastrófica criada por eles próprios e imposta ao seu povo em nome de uma ideologia que, hipocritamente, se apresenta como salvadora dos pobres.

Ainda no ano passado, segundo informações conjuntas da Agência da ONU para os Refugiados (ACNUR) e da Organização Internacional para as Migrações (OIM), os venezuelanos chegaram a ser a segunda maior população absoluta de refugiados do planeta Terra, perdendo apenas para os sírios vitimados pela genocida perseguição do Estado Islâmico e pela guerra civil entre o governo de Bashar Al-Assad e as várias milícias que tentam derrubá-lo. Isto quer dizer que a Venezuela de Chávez e Maduro e do socialismo bolivariano produz mais refugiados que países em frangalhos como o Iraque, a Somália, o Congo e o Sudão do Sul.

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