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Paquistão: Igreja pede justiça no caso do cristão assassinado por comprar casa em bairro muçulmano

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Fundação AIS - publicado em 26/07/20

O cristão Nadeem Joseph morreu porque os seus vizinhos muçulmanos consideraram-no, assim como à sua família, “indignos e indesejados”

Comprar casa num bairro muçulmano foi fatídico para Nadeem Joseph. Este cristão de Peshawar não resistiu ao tiro disparado no dia 4 de Junho, por um vizinho que não se conformou com o facto de ele ter comprado casa no bairro muçulmano da cidade.

Nadeem morreu no hospital a 29 de Junho apesar de ter sido submetido a cinco intervenções cirúrgicas. Desde então, o seu caso tem vindo a suscitar protestos por parte da comunidade cristã.

A morte de Nadeem Joseph lançou um clamor de justiça no país e a própria Comissão Nacional de Justiça e Paz [CNJP] emitiu um comunicado sobre este caso, pedindo às forças de ordem para fazerem o possível para levar à justiça o culpado pelo assassinato deste cristão. “Este caso é uma clara violação dos direitos humanos e contra a lei e não pode ficar impune”, pode ler-se no comunicado.

“A sociedade paquistanesa tornou-se intolerante e viver como minoria religiosa está a tornar-se cada vez mais difícil”, lê-se ainda na nota assinada, entre outros, pelo presidente da CNJP, D. Joseph Arshad. Nesse comunicado refere-se ainda que “este não é um caso isolado”. “Existem muitos episódios que não são relatados. As minorias religiosas continuam a enfrentar discriminação diariamente.”

O cristão Nadeem Joseph morreu porque os seus vizinhos muçulmanos consideraram-no, assim como à sua família, “indignos e indesejados”, como descreve a agência de notícias Fides.

“Primeiro, ameaçaram a família de Nadeem, ordenando que deixassem a casa dentro de 24 horas. Quando Nadeem chamou a polícia, e antes de terem chegado [os agentes], começaram a bater-lhe e depois abriram fogo e fugiram assim que a polícia chegou.”

Joel Amir Sahotra, um antigo membro do parlamento provincial do Punjab, comentou este caso para a Fundação AIS em Lisboa.

Dizendo que “a discriminação religiosa contra as minorias é infelizmente muito comum no Paquistão”, este dirigente da comunidade cristã diz mesmo que “as pessoas não estão preparadas para alugar as suas propriedades aos não-muçulmanos”. E, muitas vezes, “até dizem abertamente que os não-muçulmanos não podem lá entrar”.

“Parece a idade da pedra”, diz ainda Sohatra. “Que tipo de mentalidade é esta? Realmente, não tenho resposta. Pode ser que as pessoas no Ocidente consigam entender esta situação tão difícil que estamos a enfrentar aqui devido à religião.”

(Departamento de Informação da Fundação AIS)

Tags:
MuçulmanosPerseguição
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