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Busca por divórcio no Google cresce 9.900% na pandemia

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fizkes | Shutterstock
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Convivência extrema tem feito com que mágoas antigas venham à tona

A quarentena nos impôs uma realidade diferente sob diversos aspectos, muitos dos quais só estamos nos dando conta agora, e, a depender do quanto demorar para contermos a pandemia do novo coronavírus, talvez este já seja o “novo normal”. Entre os “efeitos colaterais”, por assim dizer, da crise, está a convivência entre os cônjuges. O que traz toda uma sorte de desafios. 

Minha avó costumava usar uma expressão da qual muito gosto que diz: “Você só conhece alguém de verdade depois de dividir um quilo de sal”. Às vezes é difícil não nos curvar à sabedoria popular. Em uma família saudável de quatro pessoas, um quilo de sal deve durar, em média, 40 dias (com a minha avó, representante da cultura mineira de fazenda tradicional, talvez durasse a metade disso), ou seja, é tempo para xuxu. Se for só um casal, dura o dobro disso. E, nessa quarentena, que já dura mais que o triplo de quarenta dias, perder a mão no tempero fica mais fácil.

A falta de espaço individual, a diminuição de novidades trazidas da rua, a divisão das contas, das tarefas de casa e das responsabilidades com os filhos, tudo isso potencializado pelo desânimo, pela ansiedade e pela desesperança que toma o país inteiro enquanto registramos uma média de mil mortes diárias há dois meses. As palavras saem errado, fora de contexto ou fora de lugar, os ânimos se exaltam, uma frustração qualquer se torna um drama, e assim o relacionamento se desgasta. 

Um dado recente do Google Brasil revelou que a busca pela expressão “divórcio online gratuito” cresceu 9.900% por cento na quarentena. Ou seja, pode-se estimar que o número de casais descontentes, que passaram a cogitar o divórcio, é cerca de 10 mil vezes maior do que na mesma época do ano passado. 

Assim como a China bateu recordes de divórcio no final de março, quando começou a sair da quarentena, teme-se que o mesmo aconteça no Brasil quando a situação se normalizar e que o “novo normal” seja repleto de casais desfeitos. Os efeitos do distanciamento social estão potencializando mágoas que estariam se tornando insuportáveis com a convivência extrema. 

A verdade é que um momento pede união, parceria, colaboração. Este é um momento em que picuinhas e cobranças excessivas não deveriam entrar na equação. É preciso estender a mão à parceira ou ao parceiro, ajudar a levantar, lavar toda a louça quando o outro não estiver disposto e vice-versa. E, o mais importante de tudo, diálogo.

Os problemas não devem ser confundidos e as causas das mágoas também não. Ajuda colocar as cartas na mesa, expor a natureza das questões, se esforçar para compreender e ao mesmo tempo fazer o possível para ser compreendido. As mágoas devem ficar no passado, só assim um casal consegue viver o passado e construir um futuro. 

Portanto, torçamos para que esses indicadores do Google sejam apenas reflexo de crises passageiras em relacionamentos que irão se fortalecer com a crise. Pois, como também diria minha avó, “o que não mata fortalece”. 

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