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Como é ser católico e cientista?

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Ray Cavanaugh - publicado em 27/08/20

Os cientistas têm uma mensagem para os jovens fiéis: não tenham medo de entrar na ciência; vocês não estarão sozinhos!

Pessoas de fé fizeram (e fazem) muitas contribuições para a ciência. No entanto, não é segredo que, hoje, ciência e religião são, muitas vezes, falsamente vistas como adversárias.

“As forças culturais em ação na América turvaram as águas … e criaram esse tipo de falso binário” entre ciência e religião, diz a Dra. Kate Bulinski, Professora Associada de Geociências na Bellarmine University em Louisville, Kentucky.

Bulinski acredita que essa “incompatibilidade percebida” está fazendo com que os jovens se afastem da Igreja.

Afirmando que a Igreja precisa de “mensagens fortes e consistentes sobre a compatibilidade da fé e da ciência”, ela diz que encontrou “muitos estudantes universitários” (muitos deles provenientes do ensino fundamental e médio católico) que estão “totalmente confusos ou pouco informados sobre o que a Igreja ensina sobre a ciência. ”

“A última vez que cientistas tiveram um desentendimento com a Igreja Católica foi há 400 anos, no caso Galileu”, destaca o Dr. Stephen M. Barr, Professor Emérito de Física da Universidade de Delaware e autor de livros sobre ciência e religião.

Barr também é presidente da Sociedade de Cientistas Católicos. Formado por seis indivíduos no verão de 2016, a instituição tem atualmente 1.250 membros, que variam de estudantes universitários a especialistas de renome internacional.

O site da sociedade possui uma seção que inclui 84 ​​curtas biografias de cientistas católicos. Assim, pode-se comprovar como a Igreja Católica “realmente tem um histórico notavelmente bom no que diz respeito à ciência”, como Barr afirma. De fato, os padres católicos foram pioneiros em vários campos científicos (como o Pe. Georges Lemaître, que escreveu a Teoria do Big Bang e o Pe. Gregor Mendel, que fundou a genética).

Nos 42 anos de Barr como físico, apenas duas vezes ele encontrou um colega dizendo algo hostil a ele sobre ser religioso. “Raramente se ouve falar de religião, mesmo sendo mencionada por colegas, quanto mais atacada”, diz ele. “Entre eles, os cientistas discutem principalmente ciência ou assuntos relacionados ao trabalho e, quando não o fazem, geralmente discutem esportes, restaurantes, filmes, política e assim por diante.”

“Normalmente, não há muitas oportunidades ou cenários em que a fé possa surgir em uma conversa em um ambiente profissional”, diz Bulinski. Ela relatou uma exceção, no entanto, que ocorreu há alguns anos em uma conferência para geólogos. Ela e seus colegas estavam discutindo onde poderiam assistir à missa, já que a conferência durou todo o fim de semana.

Em quase 20 anos de participação em encontros científicos, aquela foi a primeira vez que a Missa surgiu como um tópico de conversa. Esses colegas em particular, porém, haviam feito pós-graduação juntos e sabiam de sua fé compartilhada.

Entre os cientistas católicos, Barr diz que conhece “alguns que temem que seus colegas descubram” sobre sua fé. Ele acrescenta: “Mesmo os cientistas que não são religiosos geralmente têm alguns amigos ou familiares que são religiosos ou colegas que eles respeitam e que sabem ser religiosos”.

“A ideia de que o mundo científico é desprovido de crentes e um lugar onde todos desprezam a religião está errada”, afirma. “Talvez muitos não cientistas imaginem que seja assim porque, até agora, os cientistas que desprezam a religião tendem a ser muito mais francos do que os cientistas religiosos.”

Algum grau de discrição religiosa, entretanto, pode ser aconselhável em certas situações. “Estudantes de ciências e cientistas mais jovens, estando em estágios mais vulneráveis ​​da carreira tendem a ser mais cuidadosos com quem falam sobre sua fé ”, diz Barr. “E devem ser”, acrescenta. “Embora eu ache que a probabilidade de realmente ser discriminado seja muito baixa, não é tão baixa que possa ser ignorada.”

Por este motivo, a sociedade mantém o sigilo dos membros. “É preciso ser membro para ter acesso ao Diretório de Membros”, ressalta. “E os membros podem optar por não ser listados, embora poucos o façam.”

Barr aconselha qualquer jovem aspirante a cientista católico a “não ter medo de entrar na ciência” por causa de suas crenças. “Você não estará sozinho!”

Bulinski ecoa esse sentimento, dizendo que é “perfeitamente possível prosperar como um cientista católico, embora nem sempre possamos ser os melhores divulgadores de nossa fé”.


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