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O caso do padre que não era padre porque o seu batismo não era batismo

Facebook MatthewHood (Fair Use)

Reportagem local - publicado em 28/08/20

Sem nenhuma culpa pela situação, o pe. Matthew só descobriu que a sua ordenação era inválida por causa de uma nota recente da Santa Sé

Durante 13 anos, de 1986 até 1999, um diácono chamado Mark Springer, em Detroit, nos EUA, presidiu cerimônias de batismo usando uma fórmula errônea que invalidava o sacramento: em vez de usar a fórmula correta, “Eu te batizo em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo“, ele dizia “Nós te batizamos em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo“.

Também houve casos de ministros que usaram outras fórmulas arbitrárias como “Em nome do pai e da mãe, do padrinho e da madrinha, dos avós, familiares, amigos, em nome da comunidade, te batizamos em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”. O Vaticano chegou a ser formalmente consultado sobre a validade de fórmulas como “Eu te batizo em nome do Criador e do Redentor e do Santificador” e “Eu te batizo em nome do Criador e do Libertador e do Sustentador“.

Nenhuma delas é válida, conforme resposta da Congregação para a Doutrina da Fé. A mesma congregação vaticana confirmou, em comunicado oficial emitido no dia 6 deste mês de agosto, que a frase “Nós te batizamos…” não é válida, assim como nenhuma outra arbitrariamente modificada. A nota acrescenta que aqueles que receberam o batismo dessa forma devem ser batizados “de modo absoluto”, isto é, repetindo o rito de acordo com as normas litúrgicas estabelecidas pela Igreja.

Em suma, os sacramentos precisam ser levados a sério e sua matéria e forma devem ser respeitadas sem invencionices.

A Arquidiocese de Detroit está tentando entrar em contato com todas as pessoas que foram invalidamente “batizadas” pelo diácono Mark Springer para solucionar caso a caso. Não se trata de julgar o diácono, pois pressupõe-se que ele tinha reta intenção e não agiu com má fé. Trata-se apenas de reiterar que é preciso seguir o rito corretamente e que é necessário corrigir o problema com objetividade.

Um padre não batizado?

Acontece que uma das pessoas que foram batizadas invalidamente pelo diácono Springer é o pe. Matthew Hood. Ao assistir a fitas antigas da cerimônia do seu batismo, ele constatou que o diácono tinha usado a fórmula inválida, o que significa, na prática, que ele de fato não foi batizado naquela ocasião. O problema não parava por aí: todos os sacramentos que ele recebeu depois (e que exigem o batismo como requisito) também estavam automaticamente inválidos. E isso incluía até mesmo a ordem sacerdotal.

O padre então recebeu o batismo válido, a primeira comunhão e a crisma. Em seguida, fez um retiro espiritual e recebeu validamente a ordenação diaconal. Por fim, foi validamente ordenado sacerdote.

Mas isso não é pura burocracia cruel e desnecessária da Igreja?

A Igreja sempre presume que um sacramento é válido, a não ser que exista alguma prova em contrário. Caso houvesse alguma dúvida sem a possibilidade de resolvê-la mediante alguma prova, o pe. Matthew continuaria sendo considerado validamente batizado. O fato é que existia um vídeo comprovando a invalidade do seu batismo.

Essa invalidade de um sacramento não é uma invenção caprichosa da Igreja. A Igreja não pode modificar os sacramentos porque eles foram instituídos por Cristo. No caso do Batismo, a fórmula vem do Evangelho de São Mateus, capítulo 28, 18-20. Ela tem a obrigação de respeitá-los e exigir que sejam respeitados.

De fato, a Arquidiocese de Detroit se pronunciou a esse respeito, esclarecendo:

“A teologia é uma ciência que estuda o que Deus nos disse. Quando se trata de sacramentos, deve haver não apenas a intenção certa do ministro, mas também a ‘matéria’ certa (material) e a ‘forma’ certa (palavras e gestos, como um triplo derramamento ou imersão de água por quem diz as palavras). Se faltar um desses elementos, o sacramento não é válido”.

E Deus vai ficar monitorando esse tipo de “formalidade”?

A Arquidiocese responde:

“Podemos ter a confiança de que Deus ajudará aqueles cujos corações estão abertos a Ele. No entanto, podemos ter um grau muito maior de confiança fortalecendo-nos com os sacramentos que Ele nos confiou. De acordo com o plano ordinário que Deus estabeleceu, os sacramentos são necessários para a salvação: o batismo traz a adoção na família de Deus e coloca a graça santificante na alma, visto que não nascemos com ela, e a alma precisa da graça santificante quando se afasta do corpo para passar à eternidade no céu”.

E os sacramentos celebrados pelo pe. Matthew antes da sua ordenação válida?

A Arquidiocese de Detroit publicou instruções para as pessoas cujos casamentos foram celebrados pelo pe. Matthew pedindo que entrem em contato com sua paróquia para tirar quaisquer dúvidas. Cabe lembrar que a validade do sacramento do matrimônio depende mais dos noivos do que do padre, pois, neste caso, os verdadeiros ministros do sacramento são eles: o sacerdote é testemunha e não ministro do matrimônio.

E no caso do sacramento da reconciliação? As pessoas que se confessaram com o pe. Matthew não foram absolvidas validamente? A arquidiocese se pronunciou dizendo que “todos aqueles que foram até o pe. Matthew, de boa fé, para fazer sua confissão, certamente receberam alguma medida de graça e perdão de Deus“. No entanto, acrescentou:

“Se você se lembra de quaisquer pecados graves (mortais) que tenha confessado ao pe. Matthew antes de ele ser validamente ordenado e ainda não fez uma confissão posterior, relate-os na sua próxima confissão, explicando a qualquer sacerdote o que aconteceu. Se você não consegue se lembrar se confessou algum pecado grave, leve-o também para sua próxima confissão. Uma absolvição subsequente incluirá esses pecados e trará paz de espírito”.

E por que só foram tomadas providências agora?

A Arquidiocese de Detroit informou que, ao tomar conhecimento de que o diácono Springer estava usando uma fórmula inválida para o batismo, ainda em 1999, orientou-o a não se desviar mais dos textos litúrgicos. Na época, porém, considerou-se que a celebração do sacramento era ilícita, mas não inválida, já que se pressupunha a reta intenção do diácono de batizar validamente.

A situação mudou devido ao esclarecimento divulgado pelo Vaticano neste mês, que deixou clara a obrigatoriedade da fórmula correta para que o sacramento seja válido.

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