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História das pandemias: a Covid-19 vista em perspectiva

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John Burger - publicado em 02/09/20

Da Peste de Atenas à “gripe espanhola”, o mundo teve de enfrentar emergências de saúde realmente desafiadoras

Já são mais de 25 milhões de casos de COVID-19, com mais de 844.000 mortes, de acordo com a Organização Mundial de Saúde. Muitos especialistas temem que no outono e inverno no hemisfério norte a situação possa piorar muito.

Como todos sabem, uma pandemia é muito mais do que pessoas adoecendo ou morrendo. Confinamentos, quarentenas, uso de máscara e distanciamento social afetaram a maneira como as pessoas pensam e se comportam. A redução da mobilidade e as restrições ao comércio afetaram a economia, tanto no sentido macro quanto no dia-a-dia das pessoas, com demissões e redução de ganhos.

Compreensivelmente, as pessoas estão chateadas, cansadas, preocupadas, com medo, ansiosas e até deprimidas.

Às vezes, parece que nunca houve nada assim na história do mundo.

Mas, por favor, não perca sua força e esperança: não é como se estivéssemos vivendo na época da Peste Negra, que alguns estimam ter matado 200 milhões de pessoas.

Uma rápida olhada em algumas das piores pragas e pandemias da história pode nos ajudar a colocar a situação em perspectiva.

Peste de Atenas

Menos de um milhão de pessoas morreram de COVID-19. Não menosprezando nenhuma morte em particular – todo mundo é filho ou filha de alguém, irmão ou irmã ou amigo – mas um milhão de pessoas em uma população mundial de cerca de sete bilhões nos dá uma porcentagem bem pequena. Não é nada como a Peste de Atenas, que conhecemos pelo historiador grego Tucídides. O surto, que ocorreu durante uma série de guerras com Esparta no final do século 5 aC, pode ter matado até 25% da população, estimam alguns estudiosos.

Peste Antonina

Quando o novo coronavírus começou a ganhar as manchetes em janeiro, os jornais noticiaram uma doença “misteriosa” que causava pneumonia entre os residentes de Wuhan, na China. O elemento de mistério era ainda mais assustador na Roma do século II. Os soldados que voltaram da vitória em Parta em 164 trouxeram uma “doença misteriosa”, escreve Sarah K. Yeomans no Bible History Daily. Com base nos escritos do médico contemporâneo Galen, os cientistas modernos geralmente concordam que a doença era a varíola. Fosse o que fosse, a “Peste Antonina” acabou matando entre 7 milhões e 8 milhões de pessoas – aproximadamente 10% da população total do Império Romano.

Embora a taxa de moralidade da COVID-19 (ou seja, a porcentagem daqueles que contraíram a doença e não sobreviveram) tenha chegado a 10% na cidade de Nova York no início deste ano, a taxa de mortalidade da Peste Antonina foi de aproximadamente 30%.

“Além das consequências práticas do surto, como a desestabilização das forças armadas e da economia romana, o impacto psicológico nas populações deve ter sido substancial. É fácil imaginar a sensação de medo e impotência que os antigos romanos devem ter sentido em face de uma doença tão cruel, dolorosa, desfigurante e frequentemente fatal”, escreve Yeomans em outro artigo no Bible History Daily.

Peste de Cipriano

No século seguinte, o bispo Cipriano de Cartago descreveu uma pandemia transcontinental que recebeu o nome dele. A “Peste de Cipriano” durou de 249 a 270 e, em seu auge, até 5.000 pessoas morreram por dia, de acordo com um historiador ateniense.

“As consequências sociopolíticas e econômicas do evento da doença foram os principais fatores que contribuíram para o que às vezes é referido como a ‘crise do século 3’, um período de convulsão e instabilidade no Império que durou décadas e que acabou levando à dissolução de Roma no Ocidente e sua remodelação como um império cristão no Oriente”, escreve Yeomans.

Peste de Justiniano

Até agora, temos nos referido a esses eventos como “pestes”. Muitas vezes, no imaginário moderno, associamos essa palavra à doença específica que devastou a Europa em vários surtos na Idade Média, particularmente a “Peste Negra”. Mas foi a chamada Peste de Justiniano que marcou o primeiro aparecimento de que se tem registro da bactéria Yersinia pestis, hoje conhecida como peste bubônica, no continente europeu. Isso foi em meados do século VI. As fontes primárias colocam sua taxa de mortalidade em algum lugar entre 50% e 60%.

Peste Negra

A Peste Negra no século 14 teve taxas de mortalidade semelhantes. Estima-se que a população da Europa em meados do século 14 caiu de 450 milhões para 350-375 milhões.

“A peste chegou à Europa em outubro de 1347, quando 12 navios do Mar Negro atracaram no porto siciliano de Messina”, explica o History.com. “As pessoas que se reuniram nas docas tiveram uma surpresa horrível: a maioria dos marinheiros a bordo dos navios estava morta, e os que ainda estavam vivos estavam gravemente doentes e cobertos de furúnculos negros que escorriam sangue e pus.”

Gripe espanhola

Ocorreram várias pandemias no século 20, incluindo a mais conhecida, a “gripe espanhola” de 1918. Curiosamente, “gripe espanhola” é um termo impróprio. Embora certamente tenha havido um surto na Espanha, a pandemia não se originou lá. A Espanha foi um país neutro durante a Primeira Guerra Mundial, e sua imprensa não foi sujeita à censura de outros países. Assim, as notícias da pandemia que saíram da Península Ibérica deram às pessoas a impressão de que se tratava de uma doença espanhola.

“Os países aliados e as potências centrais tinham censores no tempo de guerra que vetavam as notícias da gripe para manter o moral alto”, explica History.com.

No entanto, em um período de dois anos, cerca de 500 milhões de pessoas, ou um terço da população mundial, foram infectadas com o vírus, e pelo menos 50 milhões de pessoas morreram em todo o mundo, incluindo cerca de 675.000 nos Estados Unidos.

Algumas pessoas vivas hoje se lembram da pandemia de 1918, incluindo a religiosa beneditina Ir. Vivian Ivantic. Ela tinha cinco anos na época e não se lembra de muitos detalhes, mas se lembra de sua mãe chorando – porque sua avó morrera de gripe. A jovem Vivian não adoeceu naquela ocasião. Mas agora, mais de um século depois, ela teve um leve caso de COVID-19. Totalmente recuperada, ela celebrou seu 107º aniversário em Chicago na sexta-feira passada.

Ir. Vivian tem a perspectiva da idade. O restante de nós pode ter uma perspectiva semelhante da história.




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