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Líbano: comunidade cristã vive dias de desolação e medo, um mês depois da explosão

WYBUCH W BEJRUCIE

STR/AFP/East News

Fundação AIS - publicado em 06/09/20

A explosão ocorrida a 4 de Agosto, e que provocou mais de 180 mortos e mais de 6500 feridos

Cerca de um mês depois de uma gigantesca explosão ter devastada a região portuária da cidade capital libanesa, a Irmã Maria Lúcia Ferreira descreve um ambiente ainda de desolação, desespero e medo entre a comunidade cristã.

De fato, a explosão ocorrida a 4 de Agosto, e que provocou mais de 180 mortos e mais de 6500 feridos, atingiu fortemente o bairro cristão de Achrafieh. A religiosa portuguesa, mais conhecida como Irmã Myri, e que pertence à Congregação das Monjas de Unidade de Antioquia, explica, numa mensagem enviada para a Fundação AIS, que o bairro de Achrafieh, “habitado na sua maioria por cristãos”, foi uma das zonas mais atingidas pela explosão. “Foi um bairro que sofreu bastante durante a guerra”, recorda a religiosa portuguesa, “mas a destruição, agora, é muito maior do que durante todo esse tempo”.

A Irmã Myri vive no Mosteiro de São Tiago Mutilado, na Síria. No entanto, quando se deu a explosão em Beirute, tanto a sua madre superiora como algumas das religiosas da comunidade estavam muito perto da capital libanesa onde desenvolvem diversos projectos de ajuda humanitária.

“Apesar de estarem a cerca de 30 quilómetros de Beirute, nas montanhas que fazem face à cidade, as irmãs sentiram muito bem a explosão a ponto de a Irmã Carmen, que estava a cultivar a sua horta, ter sentido uma espécie de vento, um sopro que quase a fez cair por terra”, explica Maria Lúcia Ferreira.

A explosão atingiu fortemente dois bairros, o Mar Maroun e de Achrafieh, este predominantemente cristão. Quase um mês depois, esclarece a Irmã Myri, o cenário de destruição permanece quase inalterável.

“As casas que não estão destruídas têm os vidros partidos, e [importa] dizer que nessa região de Beirute, reconstruida depois da guerra, há muitos edifícios novos cujas paredes são envidraçadas. Então, as paredes das casas ficaram destruídas. Não só os vidros mas também portas e electrodomésticos. Tudo ficou estragado.”

A Irmã Myri diz ainda que há muitas famílias que ainda aguardam pela possibilidade de poderem colocar de novo portas e janelas nas suas casas de forma a poderem habitá-las de novo “sem medo de assaltos e roubos”.

O Líbano vive uma das mais profundas crises económicas da sua história, com uma desvalorização gigantesca da sua moeda, a paralisia do sistema bancária, desemprego e mesmo fome, como a Fundação AIS tem reportado nos últimos meses. Esta situação, já de si tão difícil, agravou-se profundamente com a brutal explosão que sacudiu a cidade de Beirute no dia 4 de Agosto e isso tem repercussões entre a comunidade cristã.

De facto, a crise económica, que parecer não ter solução à vista, tem levado muitas famílias a fazerem as malas rumo a outros países onde possam encontrar trabalho que ofereça uma vida com um mínimo de dignidade.

Diz a religiosa portuguesa, na mensagem áudio enviada para a Fundação AIS, que haverá cerca de “trinta mil famílias” nestas condições. São pessoas para quem a emigração é a única porta de saída. “Agora é muito pior”, sintetiza a Irmã Myri, referindo-se às consequências da explosão que atingiu duramente o bairro de Achrafieh, constituído por “cristãos resistentes, que não emigraram, que ficaram no Líbano apesar de tudo”.

O Padre Samer Nassif, especialista da Fundação AIS nas questões relacionadas com o Líbano, afirmou, secundando as palavras da Irmã Myri, que a explosão na região portuária de Beirute provocou, “num segundo, mais danos ao bairro cristão do que durante os longos anos de guerra civil”. A violência foi de tal magnitude, disse ainda este sacerdote, que será preciso “reconstruir [o bairro] do zero”.

Perante a tragédia que atingiu tão fortemente a cidade de Beirute e a própria comunidade cristã, a Fundação AIS decidiu logo nas horas seguintes à explosão enviar uma ajuda de emergência no valor de 250 mil euros, verba destinada, essencialmente, à “aquisição de cabazes alimentares”.

(Fundação AIS)

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