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Evo Morales é denunciado ao Tribunal de Haia pela crise do oxigênio na Bolívia

BOLIVIA

Patricio Crooker | Patricio Crooker

Reportagem local - publicado em 08/09/20

Está sendo pouco noticiado mundo afora o quanto a pandemia tem sido útil e lucrativa para determinados interesses econômicos e políticos

O ex-presidente boliviano Evo Morales foi denunciado na última sexta-feira, 4 de setembro, ao Tribunal Penal Internacional, sediado em Haia, nos Países Baixos, por crimes contra a humanidade.

A denúncia

O denunciante foi o próprio Estado boliviano, que responsabiliza Evo Morales pelas mortes de ao menos 40 doentes por falta de oxigênio medicinal. Os tubos de oxigênio deixaram de chegar aos hospitais devido aos bloqueios realizados em estradas do país durante 12 dias consecutivos de violentos protestos, em agosto. Essas manifestações foram convocadas por grupos de esquerda ligados a Evo e contrários ao atual governo interino da Bolívia, tais como a Central dos Trabalhadores Boliviana, sindicato cujo secretário executivo, Juan Carlos Guarachi, também foi denunciado ao tribunal de Haia.

O Estado boliviano solicita do tribunal internacional uma investigação sobre os autores do que considera um crime contra a humanidade, que “provocou o sofrimento de populações afetadas e derivou na morte de ao menos 40 pacientes por falta de atendimento médico”. A Procuradoria da Bolívia responsabiliza Evo Morales pelas consequências trágicas dos protestos. O ex-presidente, que está na Argentina, é considerado foragido pela justiça boliviana.

A denúncia em Haia foi apresentada pelo procurador-geral da Bolívia, José María Cabrera, cuja nota especifica que os bloqueios “impediram a passagem de alimentos, oxigênio medicinal, circulação de ambulâncias, médicos e paramédicos que eram essenciais para atender à emergência sanitária gerada pela pandemia do coronavírus”.

A presidente interina da Bolívia, Jeanine Áñez, comentou o caso no Twitter:

“A impunidade não pode prevalecer. Os abusos de poder mais perversos que têm sido cometidos na Bolívia não podem ficar impunes”.

Bebês em risco de morte

Durante a crise do oxigênio, em 9 de agosto, o fotógrafo e jornalista Patricio Crooker mostrou ao mundo, via Instagram, uma série de imagens da Unidade de Terapia Intensiva de Neonatologia do Hospital de la Mujer em Miraflores, La Paz. Os recém-nascidos também haviam passado por uma situação crítica devido à escassez de oxigênio.

BOLIVIA
Patricio Crooker
BOLIVIA
Patricio Crooker

Na ocasião, a redação de Aleteia em língua espanhola conversou com Crooker, que autorizou a publicação de suas fotos. Ele declarou ao repórter Pablo Cesio:

“Há escassez de oxigênio por causa dos bloqueios nas principais rodovias do país há mais de uma semana pelas disputas políticas entre seguidores de Evo Morales e o governo transitório. Isto é uma crise de magnitude tremenda, porque, além da crise de saúde da covid-19, aparece também esta situação dos bloqueios”.

O “Anjo do Oxigênio” morre no Peru

Entre junho e julho, o oxigênio também havia sofrido grave escassez no Peru, onde o preço do insumo chegou a aumentar tão drasticamente que o país passou a considerar como heroi nacional o empresário Mario Romero Pérez, por ter continuado a vender oxigênio medicinal a preço justo. O empresário foi apelidado de “Anjo do Oxigênio de San Juan de Miraflores”. Os peruanos ficaram profundamente consternados quando o próprio Mario veio a falecer em decorrência da covid-19, em 19 de julho.

PERU
Shutterstock | ARTURO CRISANTO

Interesses que matam

Esse tipo de situação, chamativamente, está sendo pouco noticiada mundo afora: o quanto a pandemia tem sido lucrativa e útil para determinados interesses econômicos, políticos e ideológicos. Seria, talvez, porque parte relevante dos que fabricam as pautas estão entre os interessados na parcialidade da informação? Perguntar ainda é permitido.


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