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Por que um bom católico deveria importar-se com o que come?

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Monkey Business Images | Shutterstock

Reportagem local - publicado em 09/09/20

O cuidado equilibrado do corpo não é capricho nem vaidade, mas parte constituinte do respeito por si e pelo próximo como templos do Espírito Santo

Para um católico coerente, o cuidado equilibrado do corpo humano não é um capricho nem uma vaidade, mas uma parte constituinte do respeito por si próprio e pelas outras pessoas como templos do Espírito Santo.

A dignidade do corpo na visão católica

Diferentemente de outras correntes de espiritualidade, nós não consideramos que o espírito esteja “preso” ao corpo, como se o corpo fosse apenas um pesaroso invólucro temporário de segunda categoria: nós acreditamos que somos uma unidade de corpo e espírito, a tal ponto que a ressurreição faz parte do nosso credo como um dos seus pilares imprescindíveis. Como a alma espiritual não morre e, portanto, não precisa ser ressuscitada, a ressurreição se refere necessariamente ao corpo.

É evidente que, no tempo e no espaço, o corpo está sujeito às limitações de toda matéria orgânica, inclusive a deterioração e a morte biológica; no entanto, ao sermos ressuscitados para a eternidade, retomaremos de alguma forma a corporeidade, mas de modo incorruptível. Uma corporeidade fora da materialidade deste mundo é certamente um dos grandes paradoxos e mistérios da fé católica, mas, segundo a filosofia cristã, a manutenção da nossa corporeidade em alguma forma gloriosa decorre precisamente da nossa unidade individual indissociável.

Para um católico, o corpo humano faz parte da dignidade intrínseca da pessoa humana como um todo unitário, merecendo cuidados amorosos e conscientes – que não se confundem nem com as deturpações do culto ao corpo, nem com as negligências do desprezo por ele. É uma questão de equilíbrio e bom senso.

Virtudes e vícios ligados à nossa visão do corpo

Nesse contexto, entendem-se com ainda mais clareza as virtudes cristãs relacionadas com o respeito pelo corpo, seja o nosso, seja o das outras pessoas.

Todos sabem da importância, para um cristão, de virtudes como a pureza e a modéstia, ou conhecem a força das convicções cristãs de que a vida humana deve ser protegida com responsabilidade e amor desde a concepção até a morte natural, mas essa mesma lógica de respeito ao corpo também se aplica à boa nutrição, que é uma das mais óbvias demandas de cuidado apresentadas pelo corpo humano: o que ingerimos faz grande diferença no tocante a como valorizamos o tesouro da vida recebida de Deus, mesmo nesta fase passageira da existência no mundo material.

Além disso, a forma como nos alimentamos tem graves implicações que vão muito além de nós mesmos como indivíduos. Os nossos descuidos na boa alimentação estão entre as causas da fome de grande parte da humanidade: desenvolvemos hábitos tão ruins e tão irresponsáveis em relação ao consumo e desperdício de alimentos que a maneira como estruturamos os processos de produção e distribuição de comida exclui milhões de pessoas do acesso não apenas a uma alimentação saudável, mas a qualquer forma de alimentação.

Dadas todas essas premissas e cenários, deveria ficar mais claro o entendimento de por que não é supérfluo cuidar bem da nossa nutrição e das suas implicações, tanto para nós próprios quanto para os nossos irmãos que sofrem de modos brutais as consequências das nossas escolhas.


JEDZENIE NIEZDROWE

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Tags:
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