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A pandemia que expôs os limites da ciência

SCIENCE
Shutterstock | alphaspirit
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Ninguém deve duvidar da capacidade da ciência em conter uma epidemia como a do coronavírus. No entanto, ela está nos mostrando que também tem seus limites

A pandemia do novo coronavírus avança e a ciência está empreendendo todos os esforços para contê-la. No entanto, os resultados demoram a chegar, o que nos enche de angústia.

As pesquisas farmacêuticas na busca de uma vacina para barrar a Covid-19 estão exigindo muito dinheiro. Até a inteligência artificial, com uma quantidade incalculável de dados (Big Data) e computadores de potência descomunal, está tendo poucos resultados até agora, mas segue com a promessa de melhorar a vida da humanidade.

No entanto, precisamos apoiar a ciência e evitar a tendência negacionista. Em linhas gerais, ninguém deve duvidar da eficácia da ciência. No entanto, ela está nos mostrando seus limites, como informa o Bloomberg Opinion, um dos veículos de comunicação mais bem conceituados do planeta: “A pandemia está expondo os limites da ciência”(24/05/2020). Da mesma maneira, a prestigiosa revista digital The Conversation destaca como o coronavírus “expôs os limites da inteligência artificial”(20/7/2020).

Mas o que devemos pensar diante dessas limitações que a ciência está nos mostrando?

Nós não estamos falando de fracassos, pois, por exemplo, as vacinas exigem um longo período de testes. Estamos falando dos limites que nos devem fazer pensar que a ciência e a técnica não são infalíveis.

Há vários meses, dizemos que o homem está vivendo um momento histórico no qual se confirma que somos frágeis, dependentes e necessitados de ajuda. A ciência e a técnica são as instâncias que deveriam velar por nossas vidas, mas também estão demonstrando suas fragilidades.

Precisamos lembrar que, até dois meses atrás, a ciência era a cúspide de um saber diante do qual ninguém duvidada. O ocidente e o oriente estavam consolidando uma verdadeira fé na ciência e na técnica. No progresso humano dos últimos séculos, a razão dava uma certa segurança diante da ignorância e incerteza sobre o futuro.

Pois o futuro, hoje, é o presente e a verdade é que a ciência não tem a capacidade de resolver os problemas de um mundo impactado pela pandemia mais global que já existiu. Pelo menos não consegue fazer como tínhamos previsto, ou seja, imediatamente.

Insistimos: precisamos estar a favor da ciência, mas precisamos pensar também que ela é limitada. Talvez nos equivocamos em nossas crenças e convertemos a ciência em algo absoluto – o que ela não é.

O homem moderno, no caminho até sua autonomia, estava sacralizando a ciência e a técnica. E talvez o homem moderno autossuficiente esteja tocando hoje nos limites de sua própria autonomia. Talvez devamos reconsiderar, humildemente, nossa condição de filhos de Deus a partir de uma nova perspectiva tão palpável e mensurável quanto a mortalidade de uma pandemia. E talvez devamos esperar em um Deus providente.

As pesquisas científicas precisam continuar. E talvez a ciência e a técnica também devam ser mais humildes e aceitar seus limites e sua incapacidade de mudar o mundo imediatamente.

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