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Asia Bibi lança apelo em favor de Maira Shahbaz e Huma Younus

Hans Lucas

Fundação AIS - publicado em 20/09/20

“O Paquistão é para todos os cidadãos paquistaneses, portanto, as minorias religiosas também devem ter os mesmos direitos de cidadania"

A partir do Canadá, onde reside desde há cerca de 15 meses, Asia Bibi, a mulher que se tornou num símbolo à escala mundial do sofrimento causado pela aplicação da Lei da Blasfémia e da perseguição à comunidade cristã, lembrou, em entrevista em exclusivo com a Fundação AIS, os casos de duas jovens paquistanesas, Maira Shahbaz e Huma Younus, vítimas como ela da intolerância religiosa. “Como vítima, estou a falar por experiência própria. Sofri muito e passei por tantas dificuldades, mas agora estou livre e espero que essas leis possam ser alteradas de forma a prevenir qualquer abuso.”

Maira e Huma, como a Fundação AIS tem denunciado, foram vítimas de sequestro, violência e abuso quando tinham apenas 14 anos de idade. Ambas menores de idade foram raptadas, forçadas à conversão e forçadas também a contraírem matrimónio. Agora, têm Asia Bibi a erguer a voz em sua defesa. “Sei que essas meninas estão a ser perseguidas e apelo ao primeiro-ministro do Paquistão, Imran Khan, [que], por favor, ajude as nossas meninas, porque nenhuma delas deveria sofrer assim!”

Na entrevista com Alessandro Monteduro – director do secretariado italiano da Ajuda à Igreja que Sofre –, gravada dia 1 de Setembro, Asia Bibi agradece também todo o empenho da Fundação AIS na longa campanha pela sua libertação, fazendo mais um apelo a Imran Khan, o primeiro-ministro do Paquistão, para proteger as minorias religiosas no seu país. “Apelo ao primeiro-ministro especialmente pelas vítimas das leis de blasfémia e pelas meninas que foram convertidas à força – para salvaguardar e proteger as minorias, pois também são cidadãos paquistaneses.”

A ideia de que o Paquistão deve ser um país aberto a todas as confissões religiosas, não excluindo ninguém por causa das questões de fé, foi repetida nesta conversa com Monteduro. “O Paquistão é para todos os cidadãos paquistaneses, portanto, as minorias religiosas também devem ter os mesmos direitos de cidadania, e a lei do Paquistão diz que todos devem poder viver em liberdade… e, portanto, essa liberdade deve ser garantida e respeitada.”

As palavras de Asia Bibi têm a força da sua própria história. O exemplo da sua luta continua a ser inspirador. Condenada à morte por blasfémia por ter bebido um copo de água de um poço, esta mulher, mãe de cinco filhos, esteve presa no chamado “corredor da morte” durante quase uma década, de 2009 até Outubro de 2018. Em todo esse tempo, confinada a uma cela minúscula, nunca renunciou ao cristianismo, apesar das ameaças que sofreu.

Mesmo quando a sentença de morte foi anulada num recurso interposto ao Supremo Tribunal de Justiça do Paquistão, teve de se esconder durante meses até conseguir deixar o país. Hoje, apesar de viver no Canadá e de ser uma mulher livre, na verdade continua com a vida ameaçada por fanáticos que desejam a sua morte.

Na entrevista à Fundação AIS, Asia Bibi falou também do enorme apreço que sente pelo Papa Francisco e pelo Papa emérito, agradecendo o empenho e as orações de todos os que estiveram de alguma forma envolvidos na defesa da sua causa. “Tenho dois Terços que me foram oferecidos pelo Santo Padre”, diz. “Um ficou no Paquistão e o outro tenho-o comigo e rezo com ele todos os dias pelo dom da fé e por aqueles que são perseguidos no Paquistão. Agradeço ao Santo Padre Francisco e também ao Papa Bento XVI que também intercedeu por mim, e agradeço à AIS e a todas as outras pessoas que rezaram por mim.”

Durante a entrevista, através da Internet, Alessandro Monteduro convidou Asia Bibi e família a visitarem Roma. Asia Bibi não só aceitou o convite como manifestou o desejo de se encontrar pessoalmente com o Papa. “Tenho um profundo desejo de ir a Roma e, se possível, encontrar-me com o Santo Padre”, disse, acrescentando: “Rezo pelo Papa Francisco, que nos sustente na nossa fé”.

Sobre o trabalho realizado pela Fundação AIS em prol dos cristãos perseguidos e na defesa da liberdade religiosa, Asia Bibi teve uma palavra final de enorme apreço. “Agradeço à [Fundação] AIS e a todos os vossos benfeitores, em Itália e em todo o mundo, por apoiarem pessoas como eu, que são perseguidas por causa da sua fé.”

(Departamento de Informação da Fundação AIS)

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