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Igreja é “a única a aliviar o sofrimento das populações” em Cabo Delgado

Aid to the Church in Need

Fundação AIS - publicado em 20/09/20 - atualizado em 20/09/20

Importa colocar Moçambique como uma questão prioritária ao nível de decisão política da União Europeia

Horas antes de o Parlamento Europeu votar uma resolução sobre Cabo Delgado [hoje, dia 17 de Setembro], Paulo Rangel, vice-presidente do Partido Popular Europeu, destaca, em declarações à Fundação AIS, o papel essencial da Igreja Católica, nomeadamente do Bispo de Pemba, D. Luiz Lisboa, no trabalho humanitário que está a ser desenvolvido junto das populações vítimas dos ataques terroristas que têm vindo a assolar a região norte de Moçambique.

“A Igreja Católica, nomeadamente o Bispo de Pemba, será com certeza, um dos grandes interlocutores para canalizar o apoio [que vier a ser aprovado pela União Europeia] porque é, na verdade, a única entidade no terreno que tem estado activamente a tentar, já não digo resolver, mas ao menos aliviar o sofrimento por que estas populações estão a passar e que é realmente atroz.”

Paulo Rangel refere que o objectivo principal da aprovação desta resolução “é tentar encontrar apoio financeiro, logístico e em recursos humanos para lidar com a situação humanitária e para travar a onda de ataques”.

Face ao desconhecimento por parte “da maioria dos decisores” políticos sobre o que se está a passar na região norte de Moçambique, assolada por uma onda de ataques terroristas, o vice-presidente do PPE considera que “o simples facto de haver uma resolução vai ter um efeito positivo” na abordagem da Europa face a este problema.

Falando ao telefone desde Bruxelas com a Fundação AIS, Paulo Rangel explica que está em cima da mesa a discussão sobre um “drama humanitário muito grave”, que reflecte uma “dinâmica internacional regional”, pois há outros países que estão a lidar também, “embora de forma talvez menos grave”, com “esta insurgência”.

Essa “dinâmica regional” refere-se, acrescenta Rangel, “ao Sahel e ao próprio Corno de África”, regiões onde “os jihadistas têm aumentado imenso” e onde se têm verificado “ataques deste género”, havendo “claramente uma ligação entre esses dois fortes surtos e aquele que está [a acontecer] em Cabo Delgado”.

Paulo Rangel, que tem assumido um papel charneira na divulgação da questão de Cabo Delgado nos fóruns políticos europeus, reconhece que se está perante um problema muito complexo e que tem de ser visto em várias vertentes. “Há aqui uma dinâmica que é religiosa, que é política, que é militar e que não pode deixar de ser também considerada.”

Dar visibilidade ao drama humano que se está a viver em Moçambique é outra das suas preocupações. Em consequência dos ataques por grupos armados que reivindicam desde há algum tempo pertencer ao Daesh, o Estado Islâmico, e que tiveram início em 2017, calcula-se que já terão perdido a vida mais de mil pessoas e que mais de 250 mil foram forçadas a fugir de suas casas, abandonando tudo o que possuíam.

Para Paulo Rangel, importa colocar Moçambique como uma questão prioritária ao nível de decisão política da União Europeia. A resolução de hoje do Parlamento Europeu vai nesse sentido. “Há uma grande invisibilidade e opacidade quanto a este drama, reconhece o vice-presidente do PPE. “Moçambique não tem visibilidade nenhuma [a nível internacional]. É como se não existisse. Portanto, isto é, desde logo, um primeiro passo.”

Um primeiro passo para que a própria iniciativa da União Europeia possa “ter algum resultado concreto para as populações”. Esse trabalho terá de ser realizado, explica Rangel, pelo Serviço de Acção Externa da União Europeia, “no fundo, o nosso serviço diplomático”, que deverá “iniciar um diálogo com as autoridades moçambicanas porque elas são indispensáveis para a resolução do conflito”.

A Fundação AIS tem ajudado os cristãos em Moçambique com diversos projectos, desde a reconstrução de igrejas até ao apoio de subsistência aos missionários. Actualmente está em curso uma campanha de ajuda de emergência para a Igreja local dada a situação particularmente grave que se vive em Cabo Delgado.

(Fundação AIS)

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Perseguição
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