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Fratelli Tutti é a carta encíclica número 299 da história da Igreja: veja curiosidades

encyclical

OSSERVATORE ROMANO | AFP

Francisco Vêneto - publicado em 07/10/20

As cartas circulares do Papa são um tipo específico e especial de correspondência com católicos e não-católicos

As cartas circulares do Papa: esta é a definição geral das encíclicas. Trata-se, de fato, de correspondências que os Papas enviam de modo aberto às Igrejas em comunhão com a Santa Sé, mas que, em muitos casos, também se dirigem à humanidade como um todo.

O próprio termo “encíclica”, aliás, quer dizer “circular”, em sua origem grega.

As cartas circulares do Papa

Esse tipo de correspondência sempre fez parte da história da Igreja. Seu objetivo fundamental, no geral, é fomentar a unidade dos cristãos em torno à reta doutrina. Era frequente, por exemplo, a distribuição de circulares entre os bispos de certas regiões para tratar de esclarecimentos e definições doutrinais.

Mas, ao longo dos primeiros séculos, essas cartas circulares ainda não constituíam uma categoria específica de documentos pontifícios, como ocorre com as encíclicas atualmente. Além disso, elas também não tinham uma distribuição universal, como hoje.

O Papa que “formalizou” o antigo costume das cartas circulares foi Bento XIV (1740-1758). Ele passou a usar esse tipo de correspondência para tratar de temas doutrinais e disciplinares de interesse da Igreja como um todo. Algumas décadas depois, o Papa Gregório XVI (1831-1846) adotou definitivamente o termo “encíclica” para nomear esse tipo específico de documento.

O Papa que mais escreveu encíclicas foi Leão XIII, com nada menos que 86. No entanto, segundo a classificação atual, boa parte delas não seriam encíclicas propriamente, mas sim cartas apostólicas ou mensagens.

Cartas circulares para católicos e não-católicos

Há encíclicas que não se dirigem somente aos católicos, mas “a todos os homens e mulheres de boa vontade”. É o caso, por exemplo, das circulares pontifícias que abordam assuntos sociais, econômicos ou políticos. Quem as “popularizou” foi principalmente o Papa São João XXIII, a partir da “Pacem in terris”, de 1963.

Uma encíclica “franciscana”

A mais recente das encíclicas é a “Fratelli Tutti”, do Papa Francisco. O seu tema-chave é a fraternidade e amizade universal.

O Papa assinou a carta em Assis, terra natal de São Francisco. O título, aliás, vem dos escritos do próprio São Francisco e da sua saudação aos “irmãos todos”. E é por isso, inclusive, que esse título permanecerá em italiano em todas as traduções do documento.

Outra peculiaridade da “Fratelli Tutti” é o próprio fato de que o Papa a assinou fora do Vaticano, coisa bastante incomum. A viagem do Papa até Assis, além disso, também tem peso histórico: é a primeira desde a eclosão da pandemia de Covid-19. Trata-se de uma viagem privada, sem eventos massivos, por conta desta mesma situação sanitária.

Por fim, vale observar que esta nova carta é a terceira encíclica do Papa Francisco e a número 299 da história da Igreja.

Os títulos das encíclicas

Costumeiramente, as duas ou três palavras iniciais das cartas encíclicas se tornam seus títulos. E, como o texto oficial é via de regra em latim, a maioria dos títulos das encíclicas fica nesse mesmo idioma.

Há, porém, exceções ilustres.

Além da “Fratelli Tutti”, de nome italiano, o Papa Francisco escreveu a “Laudato Si'” (“Louvado sejas”): ela também traz um título em italiano medieval, e, mais uma vez, com base em palavras de São Francisco de Assis.

Outra exceção, e de enorme importância histórica, é a “Mit brennender Sorge” (“Com ardente preocupação”), do Papa Pio XI. Com título em alemão, esta carta condena explicitamente o nazismo. Aliás, foi o primeiro documento oficial e público de um chefe de Estado em toda a Europa a criticar aberta e corajosamente essa ideologia.


PAPIEŻ FRANCISZEK

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Vaticano dá fim à polêmica “politicamente correta” sobre título de nova encíclica

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