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 Professores: Educação é uma questão de material humano

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Francisco Borba Ribeiro Neto - publicado em 18/10/20

Existem 3 formas de valorizar um profissional: bom pagamento, boas condições de trabalho, reconhecimento social

No dia 15 de outubro, aqui no Brasil, foi celebrado o Dia do Professor. Particularmente nesse ano, em que o Papa Francisco lançou a proposta do Pacto Educativo Global, vale a pena fazer uma reflexão sobre a situação dos educadores em nosso País. A leitura de dois artigos em particular, pode ser interessante. Um se refere ao fato do Brasil, em pesquisas internacionais, liderar o ranking mundial de violência contra professores. Outro comenta os frequentes casos de doenças nervosas e transtornos mentais entre docentes.

Sem entrar no detalhamento das duas questões, interessa notar as más condições de trabalho encontradas por educadores e educandos na maior parte das escolas brasileiras, principalmente nas públicas. Além dos problemas materiais, os docentes encontram também dificuldades oriundas da falta de reconhecimento, das dúvidas e incertezas que pairam com relação a sua atuação, da falta de integração entre família e escola.

A valorização do profissional

Educação é uma questão de material humano, professores e alunos são gente e como tal precisam de incentivo, apoio, formação, acompanhamento, cobranças e – por que não dizer? – amor. Mas nosso sistema educacional (com poucas e louváveis exceções) é muito mais um castigo cotidiano ao qual se submetem professores e alunos do que um espaço de valorização do material humano que eles representam.

Existem 3 formas de valorizar um profissional: bom pagamento (o ídolo de nossos tempos), boas condições de trabalho (a quase perdida satisfação de saber que se fez um trabalho bem feito), reconhecimento social (aquela gratidão com a qual o outro nos comove e mostra o valor de nosso esforço). O professor médio hoje não recebe nenhum destes estímulos.

A contribuição das famílias

O que cada um de nós e nossas comunidades podem fazer nesse contexto? Às vésperas de uma nova eleição, sempre vale a pena lembrar de buscar candidatos que se comprometam com a melhoria da educação, trabalhando para dar condições de trabalho e remuneração justa aos professores – e depois acompanhar a atuação dos eleitos, para ver o que estão fazendo nesse sentido. Mas existem outras práticas importantes.

Em primeiro lugar, famílias e professores devem ser parceiros e colaboradores ativos uns com os outros. Debates ideológicos estéreis tentaram criar uma divisão inexistente, na prática, entre a educação para os valores (que seria atribuição da família) e o ensino de conteúdos e habilidades (que aconteceria na escola). Quem ensina, além de apresentar ideias e desenvolver habilidades, demonstra os valores que pratica com seu exemplo. Isso é impossível de evitar, tanto na família quanto na escola. Além disso, se os professores se omitissem de sua missão formativa, deixariam as famílias ainda mais sozinhas diante da influência das mídias sociais, da propaganda e das mais inconsequentes ideologias. Afinal, professores também são pais e mães, sentem-se comprometidos com seus alunos e, via de regra, têm uma visão de mundo próxima daquela das famílias de seus alunos. Já as outros possíveis influências que os alunos podem receber costumam estar muito menos comprometidos com o desenvolvimento integral dos jovens.

Além disso, é importantíssima toda a colaboração que for dada para tornar a escola mais humana e acolhedora. Muitas vezes se criou um antagonismo entre os gestores das escolas e a comunidade na qual elas estão inseridas. As reuniões só servem para reclamações mútuas ou cumprimento de formalidades burocráticas. Isso é muito mal. As realidades mais bem sucedidas na educação dos jovens costumam ter uma grande sintonia entre famílias e escola, com reconhecimento e valorização de ambas as partes.

Nesse sentido, nossas comunidades cristãs podem ajudar muito. São lugares onde os pais podem conversar para entender o que se passa na escola, discutirem seus receios e suas incertezas, pensarem juntos em formas de colaboração no processo educativo de seus filhos e em como caminhar junto com a escola, em seu bairro e em sua cidade. Os professores muitas vezes participam da comunidade cristã e aí o apoio a eles, em seus momentos difíceis, se torna ainda mais significativo.

A “vocação” do educador

Fui professor e formei professores durante a maior parte da minha vida. Venho de uma tradição familiar de professores: mãe, tios e tias, primos e primas contaminados pelo “vírus” do magistério. Ser professor é como uma doença incurável, uma janela de realização humana que pode até se fechar, mas uma vez vislumbrada nunca será esquecida.

Para os professores, é fundamental distinguir essa dimensão pessoal de seu trabalho das condições institucionais nas quais ele se desenvolve. Os salários podem ser baixos, as escolas podem ser precárias, os alunos podem ser rebeldes – mas o amor e a dedicação que devotamos a eles não depende dessas condições exteriores. Procuramos fazer o melhor que podemos não pela recompensa ou pela valorização eu recebemos do ambiente em torno, mas pela realização pessoal que o próprio magistério nos dá.

Infeliz do professor que tiver esquecido essa verdade. Será o mais expropriado de todos, pois além de todas as dificuldades materiais, terá perdido também um pouco da própria alma.




Leia também:
Oração dos professores a Dom Bosco

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