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É possível viver para sempre?

Sarcophagus of Tutankhamon – pt

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Juan Ávila Estrada - publicado em 30/10/20

Nós não somos chamados à imortalidade, mas à eternidade

O maior dom e a maior responsabilidade que os seres humanos possuem é a vida.

Acreditamos que ela nos foi dada por Deus, por meio dos nossos pais; que começa no momento da fecundação e que tem seu término físico com a morte natural da pessoa. Nós a valorizamos e gostaríamos de ter a possibilidade de estendê-la o máximo possível, para poder vivê-la prolongadamente sobre a terra.

É difícil compreender que muitas das nossas aspirações serão interrompidas pela experiência da morte, que, ainda que tenhamos consciência dela, nos atinge até o sofrimento, especialmente quando toca uma pessoa amada. A luta contra a doença, a dor e a velhice se tornou uma batalha titânica por roubar da morte uns dias ou anos a mais, que nos permitam poder chegar às conquistas com as quais sonhamos durante anos.

Neste afã por adiar a morte o máximo possível e não aceitar os ciclos da existência como algo natural, os seres humanos acabaram inventando as formas mais estranhas para perpetuar-se no mundo: a clonagem humana, os mausoléus e o embalsamento de cadáveres.

Com a primeira delas, pensamos em algo que não esteve sequer na cabeça do Criador: fazer dois seres vivos (incluindo os humanos) exatamente iguais, para perpetuar em um a vida do outro. A originalidade de Deus e da vida está precisamente no fato de que Deus é sempre um criador com inovação e que fez cada ser humano de maneira única e singular. O "molde" que Ele utilizou foi destruído para sempre, de tal maneira que nunca, na história da terra e da humanidade, uma pessoa será igual à outra.

Esta singularidade é o que nos torna especiais para Deus e faz com que cada um seja identificado com nome próprio. Que o ser humano queira fazer dois daquilo que Deus quis fazer um é uma aberração da natureza.

Quanto aos mausoléus, são produto do ínfimo esforço humano por criar artificialmente uma obra, que finalmente o tempo deteriorará, para recordar-nos que houve alguém sobre a terra que não se conformou com o fato de o seu nome ser apagado da órbita do planeta. Mentes que produziram grandes obras, mas foram incapazes de reter um só segundo de vida.

Sempre me chamou a atenção que, quando o ser humano quer se perpetuar, tenta colocar o perecível – o corpo humano – em uma grande obra que seja capaz de resistir ao tempo, enquanto Jesus, o Eterno, buscou o mais insignificante – um pedaço de pão – para permanecer conosco para sempre. O pequeno no grande e o Grande no pequeno.

Finalmente, o embalsamento dos cadáveres é a terceira forma pela qual o ser humano busca inutilmente fazer história na humanidade. A rejeição da possibilidade de permitir que o pó volte ao pó, de ser presa da decomposição e alimento dos vermes nos levou a deter algo que deveria acontecer com todos: a decomposição do corpo.

A macabra exposição de um corpo embalsamado, pretendendo com ela que a vida não escape, que a história não nos apague dos seus anais ou que as gerações futuras conheçam nossa fisionomia; ou simplesmente continuar ocupando um lugar físico no mundo. Este é o resultado de não ter conhecido ou compreendido que a perpetuidade à qual estamos chamados é diferente da simples permanência no mundo físico.

Deus criou o ser humano para a eternidade, mas não para a imortalidade. A imortalidade é um despropósito de algumas pessoas, que nos fazem acreditar que a morte é um fracasso e uma derrota da vida, que ela não é desejável e que a imortalidade traria a felicidade a quem conseguisse possuí-la. Estas pessoas se equivocam, e a elas seria preciso responder como Jesus respondeu aos filhos de Zebedeu: "Vocês não sabem o que pedem".

Nós, cristãos, temos a certeza de qual é o nosso destino. Sabemos a que estamos chamados. Sabemos que a morte não tem a última palavra e que nem tudo acaba no caixão. A vida dos que acreditam em Deus não termina, mas se transforma. A morte não pode nos vencer, porque ela já foi vencida.

Não pretendemos ser imortais nem nos perpetuar na terra; mas buscamos que nossos nomes permaneçam escritos para sempre diante da presença de Deus. Não queremos um mausoléu na terra, mas um lugar no coração no Criador.

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