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Dia de Finados: pensar na morte e analisar a vida

ALL SAINTS DAY

Pascal Deloche | GoDong

Padre Reginaldo Manzotti - publicado em 02/11/20

Quando pensamos na nossa vida, devemos sempre colocar como meta final a santidade

Estamos em uma semana que nos faz refletir sobre como estamos conduzindo a nossa vida. O Dia de Finados nos faz lembrar dos nossos entes queridos que já se foram, mas também sobre a nossa própria morte (sim, filhos e filhas, por mais que não compreendamos, todos nós vamos morrer um dia). E paradoxalmente, quando pensamos na morte, acabamos por analisar a vida.

Não é por acaso que a Igreja, sabiamente, coloca uma festividade bem próxima ao Dia de Finados, o Dia de Todos os Santos. Isso porque, quando pensamos na nossa vida, devemos sempre colocar como meta final, a santidade.

Vocação à santidade

É importante reforçar que todos nós temos a vocação à santidade. Toda a Sagrada Escritura é um chamado à santidade; ela exorta que a santidade de Deus deve ser imitada: “Assim como é santo o Deus que os chamou, também vocês se tornem santos em todo o comportamento, porque a Escritura diz: “Sejam santos, porque eu sou santo” (1Pd 1,15s).

Muitos têm a concepção de que santos são aqueles que tiveram feitos extraordinários, que fizeram milagres e por isso estão nos altares de nossas igrejas. Porém, é possível se santificar pela pequena via, como fez Santa Teresinha do Menino Jesus. É possível nos santificar vivendo a nossa realidade do dia a dia. Sempre digo que os grandes gestos nos tornam heróis e os pequenos nos tornam santos. A santidade consiste em buscar a face de Deus e ser santo como Ele é Santo (Mt 5,48).

Extensão de Deus

Somos o que somos, porque Deus quis, somos o que somos porque Deus nos fez, portanto, nós somos uma extensão de Deus, um derramamento de Deus. Viemos de Deus e nossa alma anseia por Deus. Pode o ser humano, nas suas diversas culturas, aceitar ou não: nós temos saudades do Criador, está em nossa natureza, está em nossa essência, está em nossa matéria.

Não há necessidade de religião, não é preciso rótulo, é antropológico, é da natureza a fome de Deus, a fome de eternidade, a fome de encontrar o Criador, que só Jesus vem saciar. Ele nos disse: “Eu sou o pão da vida: aquele que vem a mim não terá fome, e aquele que crê em mim jamais terá sede” (Jo 6,25).

Para nós que estamos na busca pela santidade, todo dia procuramos saciar o latente desejo que temos de Deus. Jesus se dá Ele mesmo em comida e bebida (cf. Jo 6,52-59). Então, Jesus nos nutre naquilo que somos por excelência, aquilo que fomos e um dia seremos, face a face com o Criador.

Caminho, verdade e vida

Disse Jesus: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14,6a). Ao colocar essas afirmações, Ele consegue condensar, sintetizar o processo de santificação, de humanização, de divinização e de cura. Ele mostra como pode fazer um processo de cura do homem todo e todo homem, porque a grande meta de Jesus é que o homem todo e todo o homem seja perdoado, regenerado, curado n’Ele

Filhos e filhas, que sejamos santos como o nosso Deus é santo, pois “Esta é a vontade de Deus: a vossa santificação” (1Ts 4,3). Que Nossa Senhora e todos os santos nos ajudem nessa caminhada rumo ao céu.


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