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O que os católicos pensam sobre o reiki?

REIKI

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Luis Santamaría - publicado em 08/11/20

Fala-se muito desta terapia alternativa para curar problemas físicos e mentais. Vale a pena experimentá-la?

Os católicos não apoiam a prática do reiki. Em primeiro lugar porque a fé cristã não compartilha a cosmovisão espiritual orientalista. Em segundo lugar, por considerá-lo uma técnica que não pode demonstrar sua efetividade cientificamente.

O reiki se apresenta como um método de cura por meio de energias e parte da base de que tudo o que existe é energia.

Método de cura

O reiki, criado no Japão por Mikao Usui (1865-1926), diz ser um método de cura que utiliza a “energia universal de vida” e uma conjunção de duas energias muito poderosas. A primeira energia seria guiada por uma consciência superior que alguns chamam de “Rei” (Deus) ou seu próprio “ser superior”, isto é, não seria produzida pelo curador, mas pelo próprio ser superior. A outra energia – a pessoal – que moveria o ser humano, é chamada de “Ki”.

Quem pratica o reiki considera que tudo o que existe é energia – do pensamento até os elementos – e nós seríamos, por conseguinte, uma irradiação dessa energia. Segundo esta concepção, o “campo eletromagnético” que produz a energia que nos cerca é composto por várias camadas que nos envolvem; ao longo das nossas vidas, esse campo vai se nutrindo de traumas e problemas emocionais que ficam presos nele, como em uma rede, produzindo bloqueios no fluxo da energia universal de vida. Esta energia, supostamente essencial para a vida (e inclusive mais importante que o ar e a água), se estabilizaria mediante a cura reiki, que a ajudaria a desbloquear os problemas energéticos que seriam os indicadores da doença física.

5 princípios

O reiki tem 5 princípios que aparecem como uma suposta guia para os “canais” (reikianos) e foram estabelecidos por Mikao Usui e outras pessoas, como o Dr. Hayashi e a Sra. Takata. São eles:

  1. Só por hoje, não se preocupe.
  2. Só por hoje, não se aborreça.
  3. Só por hoje, honre seus pais, professores e idosos.
  4. Só por hoje, ganhe sua vida honestamente.
  5. Só por hoje, demonstre gratidão por tudo o que é vivo.

Seu tratamento consiste na colocação das mãos sobre o corpo humano para que a energia flua, cure e inclusive conecte com guias espirituais.

Acredita-se que, ao colocar as mãos sobre o corpo do paciente, o terapeuta reikiano permite que a energia mane entre duas ou mais pessoas, com o único propósito de compartilhar a cura. O reiki também pode ser autoaplicado. Diante de uma região considerada de interesse, é possível manter as mãos sobre ela durante o tempo necessário.

Limpeza

Os sistemas variam de acordo com o terapeuta reikiano, mas em geral se trabalha em uma primeira sessão chamada “limpeza dos 21 dias”, durante os quais se supõe que a energia trabalha limpando os chacras (centros de energia imensurável situados no corpo humano, segundo algumas culturas da Ásia), começando pelo chacra raiz e culminando no chacra coroa. Esta energia fluiria três vezes através dos chacras, no transcurso de três semanas, e depois se daria o “alinhamento”, no qual a energia trabalharia em um nível maior.

Alguns terapeutas reikianos consideram que, além de curar, o reiki ajuda a conectar-se com os nossos “guias espirituais”.

O reiki se fundamenta em uma cosmovisão orientalista panteísta e está influenciando diversas religiões e práticas.

Budista

Antes da chegada da filosofia budista ao Japão, existia na região uma espécie de religiosidade primitiva, similar a outras de diversos povos arcaicos, denominada sintoísmo no século VIII, para diferenciar-se do budismo. Surgiu do culto à natureza feito pelas religiões populares. Isso se reflete em cerimônias que invocam os poderes misteriosos da natureza. Em 1945, o sintoísmo estatal (que concebia o imperador como descendente do deus Sol) perdeu seu lugar oficial e atualmente o culto é privado.

O budismo foi fundado por Gautama (563-483 a.C.) e é uma religião filosófica, ainda que, em sentido estrito, seja mais uma filosofia, porque Gautama negou a utilidade de qualquer deidade. Baseia suas crenças em que o sofrimento (dukkha) é causado pelos desejos e que, portanto, é preciso eliminar o desejo para eliminar o sofrimento. Isso se alcançaria mediante a finalização das sucessivas reencarnações através da senda óctupla e sua culminação no nirvana (desatar) ou libertação espiritual.

Cosmovisão orientalista

A cosmovisão espiritual orientalista (hinduísmo e budismo) é panteísta. O panteísmo é uma doutrina que ensina que Deus é a substância de todas as coisas, ou seja, que “tudo é deus” (imanência). A síntese desta doutrina aplicada às religiões orientais citadas é a crença no Atman ou alma espiritual do homem e no Brahman, Deus sem forma ou espírito do mundo. Em outras palavras, para o conceito religioso orientalista, Deus seria uma energia e nós, parte, reflexo ou pedaços materiais dessa energia cósmica.

Tanto nos upanishad hinduístas como na crença vajrayāna, tântrica ou esotérica do budismo tibetano, menciona-se e acredita-se na existência de 6 pontos energéticos situados em diversas partes do nosso corpo, chamados chacras (círculos). Estes fariam parte de um corpo de energia e seriam mais sutis que o corpo físico. Seu estado de equilíbrio se refletiria em nossa saúde física e mental, e a energia reiki estabilizaria tais centros energéticos.

Mikao Usui não esteve livre da influência destas religiões e práticas, além de ter sido um “monge cristão”. A utilização da terapia reiki como sistema de cura pode ter sua origem na época em que o Japão vivia a abertura cultural e na influência das religiões orientais já citadas mais as do “novo pensamento” ocidental (entre outras coisas), que promoveram a criação de muitos novos movimentos religiosos japoneses (shinshūkyō), já desde o final do século XIX.

Não é ciência

O reiki não é uma ciência; seu conhecimento é alcançado mediante certa forma de iluminação. Apresenta-se como uma maneira de curar doenças, mas seu tratamento não é comprovável.

O conhecimento científico se resume em 3 qualidades: geral, social e legal. A geral se refere à validez da experiência, que pode se repetir e nutrir de conhecimentos gerais e não individuais.

A social exige que este conhecimento possa ser comunicado de maneira que qualquer pessoa com capacidade e empenho possa acessá-lo. Esta característica distingue a ciência, tal como é conhecida no Ocidente, dos conhecimentos que integram as doutrinas esotéricas, como o ioga e o zen, que não poderiam se comunicar por meio da linguagem, mas apenas ser alcançados mediante certa forma de iluminação.

A terceira qualidade do conhecimento científico, a legal, se refere às leis que integram as ciências e a aplicação prática das ciências que constituem a técnica.

Certamente, alguns terapeutas reikianos e seus pacientes não atribuem ao reiki o caráter de ciência, mas afirmam que cura doenças físicas. O reiki não é uma ciência, não é factual, não pode diagnosticar, seu tratamento não é comprovável, não previne, não oferece provas e não pode refutar outros resultados oferecidos pela ciência.

Por sua carga orientalista, possui determinismo filosófico, já que afirma que as consequências são causais (causa-consequência) e nada aconteceria por acaso.

Prática de magia

Outro ponto a ser destacado é o seu sobrenaturalismo, porque considera, em sua prática, a mediação de forças não pertencentes ao âmbito científico, o que o faria sair de seu campo pretendido.

É uma prática de magia de cura e, como tal, está ligada à superstição. Seus efeitos são inexistentes.

O ser humano primitivo chegou a uma etapa na qual acreditou, mediante diversas práticas, poder apaziguar e controlar as forças da natureza por meio da magia ou feitiçaria.

O reiki diz administrar e dominar uma “energia universal de vida” que provém de uma consciência cósmica (à qual muitos chamariam de “Deus”) e que, bem utilizada, pode curar doenças.

No estudo da mente religiosa primitiva, será útil destacar que às vezes se compara religião e magia, ao não haver evidências realmente demonstradas para doenças físicas.

Alguns afirmam que religião e magia são a mesma coisa e que a dualidade magia-religião é posterior a um período mais primitivo, no qual ambas as práticas estavam relacionadas. Frazer sustentou que a magia seria mais antiga que a religião e alegou que aquela é um fenômeno esotérico, e não religioso. Assim, a religião envolve o homem em um vínculo de reciprocidade desigual com a divindade, manifestação própria do fato religioso, enquanto a magia não se detém na adoração de nenhum ser. A influência orientalista (budista) no reiki afasta toda divindade, substituindo-a por essa força ou energia cósmica, essa consciência que supostamente agiria mediante o reiki.

Outras práticas

O reiki não se diferenciaria muito de uma prática “xamânica” ou “druídica”, excetuando-se que não utiliza nenhum remédio ou poção alucinógena. Da mesma forma, afirma não ser nem querer substituir a medicina tradicional ou alopática. A medicina alopática é a terapêutica cujos medicamentos provocam no organismo sadio fenômenos diferentes dos que caracterizam as doenças em que são empregados e é científica porque é conhecimento verdadeiro das coisas pelos seus princípios e causas (corpo de doutrina ordenado e formado com sujeição a um método que constitui um ramo particular do saber humano.

Considerando que não é e diz tampouco querer substituir a medicina tradicional ou alopática, bem como carecer de sustentação científica (ainda que afirme curar e considerar-se terapia alternativa) e não ser uma religião (apesar de atribuir seus resultados a uma energia sobrenatural à qual alguns conheceriam como Deus ou seu próprio “ser superior”), conclui-se que o reiki encaixaria então na definição de uma prática mágica curadora. O reiki diz administrar e transmitir uma suposta energia sobrenatural para um benefício – e o suposto controle de uma força de igual natureza para diversos fins é o que se conhece como magia.

A magia é concebida no pensamento do homem primitivo e das crianças. Está aferrada na superstição popular e, ainda que seja levada à prática e seguida por algumas pessoas, seus efeitos são inexistentes.

Graça

Seu suposto efeito curativo dista muito do conceito cristão de cura pela graça, pela imposição sacramental e pela oração.

Aproximar-se da prática do reiki induz ao abandono da adoração a Deus. A magia é superstição e esta é alheia à fé (e à ciência), desviando a crença por um caminho equivocado.

Com relação ao pretendido efeito de cura do reiki, o conceito cristão de “cura pela graça divina”, por imposição sacramental ou pela oração também dista muito da “energia universal de vida” que o reiki diz administrar de maneira individualista e confusa sobre a proveniência desta suposta energia.

A superstição nasce na ignorância e tal ignorância também pode levar ao afastamento da “cura por poderes naturais” (medicina tradicional), de maneira que a pessoa pode utilizar o reiki não somente como terapia alternativa complementar, mas como terapia única, colocando em risco (talvez ainda mais) a sua saúde. Vários bispos da Igreja Católica afirmaram que o reiki “não seria apropriado para as instituições católicas”.




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