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Milenar mosteiro cristão de Dadivank em risco de ser tomado por muçulmanos

Mosteiro de Dadivank

© Eva Mont - shutterstock

Francisco Vêneto - publicado em 17/11/20

O mosteiro na vila de Karvachar está no centro das tensões entre armênios e azeris em Nagorno-Karabakh

Milenar mosteiro cristão de Dadivank em risco de ser tomado pelos muçulmanos azeris: os padres armênios, no entanto, prometem permanecer no local enquanto os habitantes cristãos armênios são forçados a abandonar a vila de Karvachar levando tudo consigo – até mesmo os corpos dos seus antepassados, para evitar profanações.

Protegido pelos militares da missão internacional russa, o mosteiro de Dadivank, em Karvachar, tornou-se símbolo da tensão entre os armênios e os azeris na disputa pelo território de Nagorno-Karabakh. Historicamente, é uma região de maioria armênia cristã, mas, politicamente, faz parte do território do Azerbaijão, país de ampla maioria muçulmana. Os dois países estão em guerra pelo controle do território.

Dadivank
© Mato Z - shutterstock

Segundo a tradição armênia, o mosteiro de Dadivank foi fundado no século I por um discípulo de São Judas Tadeu, evangelizador dos armênios. De fato, a Armênia foi o primeiro país do mundo a adotar o cristianismo como religião oficial, antes até que o Império Romano tomasse a mesma medida. Os mosteiros mais antigos, como Dadivank, são testemunhas justamente desse fato.

Dadivank
© Sagittarius Production - shutterstock

Agora, porém, a vila de Karvachar (ou Kalbajar, no idioma azeri) está sendo entregue às forças do Azerbaijão, conforme os termos do tratado de paz assinado dias atrás entre os governos dos dois países, com a mediação da Rússia e da Turquia.

Na iminência da entrega do território historicamente disputado pelos azeris e pelos armênios, a população armênia tem se visto forçada a fugir em massa. Na fuga, além de levarem consigo tudo o que podem, os armênios estão incendiando suas próprias casas para que nada de cristão caia em mãos dos muçulmanos azeris. Os retirantes chegaram a abrir os túmulos para transferir os corpos de seus entes queridos, porque temem que os cemitérios cristãos sejam profanados pelos azeris.

De fato, profanações desse tipo não seriam novidade, posto que o Azerbaijão tem histórico de destruir monumentos armênios em seu território. Foi o caso, por exemplo, dos cemitérios de Julfa, em Nakichevan, e de Sabunchi, em Baku, ambos destruídos pela população muçulmana local com o aval das autoridades azeris.

Milenar mosteiro cristão de Dadivank

Entre os tesouros cristãos que não podem ser levados embora de Karvachar está o mosteiro de Dadivank.

A sua existência, aliás, é uma prova de que os armênios estão presentes no território há mais de um milênio. O Azerbaijão alega, no entanto, que a vila foi ocupada pelos armênios depois de expulsarem a população azeri.

Quando os governos divulgaram que a vila seria entregue ao Azerbaijão, os monges começaram a retirar os sinos do mosteiro e a planejar a remoção dos “kachkar”, grandes cruzes tradicionais armênias, esculpidas e ornadas em pedra e colocadas diante de igrejas e locais importantes para a população. O abade, no entanto, afirmou que não abandonaria o local e que estava disposto a morrer para defendê-lo.

Dadivank
David Galstyan / Spoutnik / Spoutnik via AFP

As autoridades armênias conseguiram que o mosteiro seja protegido pelas forças russas, que darão ao local uma segurança provisória. O futuro, porém, continua incerto. A permanência russa prevista pelo acordo de paz é, inicialmente, de cinco anos.

Como quer que seja, o fato é que a população armênia ficará privada durante tempo indefinido de ouvir as badaladas milenares dos sinos de Dadivank.




Leia também:
Armênia: a crônica de um genocídio

Tags:
CristianismoMuçulmanosPerseguiçãoPolítica
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