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Relativismo: "Deus conhece o meu coração, ninguém pode me julgar"

Benoît Durand / Hans Lucas / Hans Lucas via AFP

Adilson Júnior - publicado em 20/11/20

O Santo Padre Emérito Bento XVI, em seu ministério, muito condenou a chamada “ditadura do relativismo”. Mas, afinal, do que o Papa estaria a nos alertar?

“O relativismo, ou seja, o deixar-se levar «guiados por qualquer vento de doutrina», parece ser a única atitude que está na moda. Vai-se construindo uma ‘ditadura do relativismo’, que não reconhece nada como definitivo e que só deixa como última medida o próprio eu e suas vontades”.

O Santo Padre Emérito Bento XVI, em seu ministério, muito condenou a chamada “ditadura do relativismo”. Mas, afinal, do que o Papa estaria a nos alertar? Contra o que ele estaria lutando?

Ora, quantos de nós já não ouvimos, de pessoas próximas, inclusive, os seguintes dizeres: “Já está ótimo ser um bom cidadão, defender pautas sociais coerentes e amar o próximo com o testemunho de uma vida digna, isso basta! Nisto consiste meu relacionamento para com Deus. Ritos litúrgicos anacrônicos que a Igreja Católica insiste em conservar? Horas e horas falando sozinho diante de uma estátua de gesso? Gestos masoquistas como jejuar e rezar de joelhos? Ora, eu sou uma pessoa evoluída, e como tal, devo quebrar os grilhões da ‘medievalidade’ e do fanatismo. Afinal, para o meu‘ deus’, o que importa é não fazer mal a ninguém.” – Assim se justificam os neopagãos, salientando, ainda, a fim de afastar qualquer sombra de advertência: “só Deus pode-me julgar, Ele conhece o meu coração.”

Falsa espiritualidade

De fato, a gravidade do pensamento supracitado é maquiada pelo crescente respeito detido, atualmente, por uma espécie de agenda cultural a serviço do relativismo, onde se prega que tudo está certo e erros de fé inexistem.

Nesse sentido, a capacidade de dominação exercida por essas correntes ideológicas, antagônicas à matriz de toda a mensagem evangélica, pode ser entendida da seguinte forma: para muitos, os instrumentos de salvação tornaram-se não somente prescindíveis, como obsoletos – os sacramentos, a oração, a penitência, a direção espiritual – sob o pretexto de um amor aparente, de uma falsa espiritualidade, que se firma na exteriorização do bem em atos, somente.

O problema é que, não havendo fecundidade espiritual genuína, esses atos tornam-se pequenos em mérito, ou seja, fazer o bem “por fazer”, não tendo como base a oração, o amor para com Cristo na pessoa do próximo, é senão inepto, frívolo e duvidoso, servindo apenas para camuflar a própria consciência e agigantar o seu próprio eu, numa atmosfera de orgulho e empáfia.

Cristianismo “self-service”

Foi nesse sentido que Bento XVI advertiu: “a caridade sem a Verdade é sentimentalismo.” De fato, muitos fazem do pecado um projeto de vida e querem viver o mais frenético exercício da liberdade sem fronteiras e, surpreendentemente, não o fazem abraçando o agnosticismo ou algum credo “menos rígido”, fazem-no aderindo ao cristianismo “self-service”. Isto é, uma versão religiosa individual onde o sujeito quer professar a fé em Jesus Cristo, mas a Sua Palavra não lhe serve de incômodo, de apelo à conversão, apenas como meio motivacional ou mera fonte de consolo.

Sendo assim, “já que Deus é amor, eu não só posso escolher os dogmas mais atraentes, como incluir os meus – afinal, o ‘fundamentalismo’ é senão um obstáculo às novas ideais – os tempos mudaram.” Eis o lamentável estado de putrefação da fé, com o qual muitos de nós já nos habituamos.

Nosso Senhor foi muitíssimo claro

No entanto, Nosso Senhor foi muitíssimo claro ao fundar a Igreja – Una, Santa, Católica e Apostólica – entregando-a a Pedro, Sua Cabeça Visível sobre a Terra e prometendo assisti-la até o fim dos tempos.

É indubitável, nesse viés, que em tudo precisamos estar com a Ela, Esposa de Cristo e Tabernáculo da Verdade, obedientes ao Magistério e em consonância com a Sagrada Tradição. Para isso, é imprescindível uma fé clara, sem distorções ou sincretismos.

Como nos diz o Papa Bento XVI: “uma fé profundamente arraigada na amizade com Cristo. Essa amizade nos abre a tudo o que é bom e nos dá a medida para discernir entre o verdadeiro e o falso, entre o engano e a verdade”.

Portando, é mister que não nos deixemos seduzir pela atmosfera do relativismo, mas que nos ponhamos numa adesão plena à verdadeira fé católica, sem acréscimos, perdas ou distorções, pois o Amor é inimigo do erro, enquanto que a Verdade é o próprio Amor. E eis que a autêntica caridade está não no ignorar o erro – como muitos acreditam – mas no anunciar a Verdade, em seu todo o seu esplendor e fulgurância.




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Tags:
FilosofiaIdeologiaIgreja Católica
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