Aleteia logoAleteia logo
Aleteia
Domingo 17 Janeiro |
home iconAtualidade
line break icon

O que a Igreja Católica fez pela paz?

ANDREAS SOLARO | AFP

Reportagem local - publicado em 22/11/20

Grandes iniciativas marcaram a história, como as instituições medievais de Paz e Trégua e as ações dos papas contra as guerras

A Igreja sempre considerou a defesa da paz como um ato de caridade cristã, porque a guerra, a violência e a insegurança são males sociais contrários ao Evangelho. Seus pronunciamentos, iniciativas e experiências a favor da paz são incalculáveis.

Vale a pena lembrar algumas destas grandes iniciativas pacificadoras que a Igreja levou a cabo ao longo da história, como fez o historiador e vigário episcopal de Barcelona Joan Galtés, em uma conferência.

Focando a atenção em alguns territórios europeus, o sacerdote se referiu, em primeiro lugar, às instituições de Paz e Trégua (“Trégua de Deus”), nascidas no século X, com as quais a Igreja pretendia limitar os estragos da violência e criar espaços e paz, inclusive dentro dos períodos de guerra.

Como explicou Galtés, os bispos de Elna e Vic, por volta do ano 1020, haviam estabelecido os primeiros estatutos a favor da paz. Em 16 de maio de 1027, o grande Oliba, bispo de Vic, presidiu um sínodo em Toluges, que reunia o clero e uma multidão de fiéis, homens e mulheres, e pela primeira vez Oliba proclamou Trégua de Deus.

A Paz de Deus, já instituída anteriormente, proibia a qualquer momento o ataque a um monge, um clérigo, às mulheres e às famílias em suas ocupações domésticas, bem como a violação de igrejas e casas situadas ao redor, dentro de um espaço de 30 passos.

A novidade de Paz e Trégua era impor um cessar temporal de hostilidades em determinados momentos e períodos do ano litúrgico.

A partir desse momento, esta instituição benéfica se estendeu por outras regiões da França e da Espanha, passou à Alemanha, Inglaterra e Itália. Desde então, foram realizadas assembleias com a adesão da autoridade civil, ou seja, dos condes e reis. Muitos acordos passaram aos repertórios dos juristas, como, por exemplo, os Usajes.

Medievo

Além disso, a ideia da guerra justa também se desenvolve na época medieval, ainda que já se encontrasse no pensamento de Santo Agostinho. Estabelece-se que a violência poderia ser aceitável quando se tratasse de uma causa justa ou defensiva. Desta ideia derivou a justificação, por parte da Igreja, de determinados enfrentamentos bélicos.

Para o historiador, “a questão, no entanto, é saber quando e quem deve determinar a suposta causa justa. De fato, toda guerra é um grande mal que se opõe ao amor efetivo do Evangelho”.

Com relação à época contemporânea, Galtés comentou que os papas interpuseram sua autoridade moral contra a guerra e a favor da paz.

Bento XV, durante a 1ª Guerra Mundial, procurou por todos os meios alcançar uma paz justa, mas não encontrou apoio nos responsáveis dos diversos países e sua neutralidade foi mal interpretada e muito criticada.

Também Pio XII tentou acabar com o espiral beligerante que levou à 2ª Guerra Mundial: “Não se perde nada com a paz, mas tudo pode ser perdido com a guerra”, disse em 24 de agosto de 1939, mas seu clamor não foi escutado; tampouco foi atendida sua petição de trégua por ocasião do Natal.

Anos mais tarde, Pio XII foi reprovado injustamente por não ter defendido suficientemente os judeus durante a perseguição nazista, sem que tenham levado em consideração sua atuação pela via diplomática e sua ação a favor dos judeus.

Finalmente, o historiador recordou “o grande número de cristãos que arriscaram suas vidas para salvar outros”, bem como alguns exemplos atuais, como a ação decidida de João Paulo II contra a guerra do Iraque e a mais recente, do Papa Francisco, contra a guerra da Síria e a intervenção armada dos Estados Unidos nesse país.

Tags:
GuerraIgreja CatólicaPapaPaz
Apoiar a Aleteia

Se você está lendo este artigo, é exatamente graças a sua generosidade e a de muitas outras pessoas como você, que tornam possível o projeto de evangelização da Aleteia. Aqui estão alguns números:

  • 20 milhões de usuários no mundo leem a Aleteia.org todos os meses.
  • A Aleteia é publicada em 8 idiomas: Português, Francês, Inglês, Árabe, Italiano, Espanhol, Polonês e Esloveno.
  • Todo mês, nossos leitores acessam mais de 50 milhões de páginas na Aleteia.
  • 4 milhões de pessoas seguem a Aleteia nas redes sociais.
  • A cada mês, nós publicamos 2.450 artigos e cerca de 40 vídeos.
  • Todo esse trabalho é realizado por 60 pessoas que trabalham em tempo integral, além de aproximadamente 400 outros colaboradores (articulistas, jornalistas, tradutores, fotógrafos…).

Como você pode imaginar, por trás desses números há um grande esforço. Precisamos do seu apoio para que possamos continuar oferecendo este serviço de evangelização a todos, independentemente de onde eles moram ou do quanto possam pagar.

Apoie Aleteia a partir de apenas $ 1 - leva apenas um minuto. Obrigado!

Top 10
Aleteia Brasil
Na íntegra: as três partes do Segredo de Fáti...
UNPLANNED
Jaime Septién
Filme contra o aborto arrasa nas bilheterias ...
BABY BAPTISM
Padre Reginaldo Manzotti
Por que é tão importante batizar uma criança?
Deserto de Negev
Francisco Vêneto
Pedra de 1.400 anos com inscrição mariana é e...
KRZYŻYK NA CZOLE
Beatriz Camargo
60 nomes de bebês que carregam mensagens pode...
Reportagem local
Papa Francisco: cuidado com os cristãos que s...
POPE JOHN PAUL II
Philip Kosloski
"Não tenhais medo": a frase mais usada por Sã...
Ver mais
Boletim
Receba Aleteia todo dia