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Por que rezar, se Deus já sabe tudo?

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Jonas Allert/Unsplash | CC0

Adilson Júnior - publicado em 01/12/20

Quando rezamos, abrimo-nos à ação do Espírito Santo que nos santifica e faz-nos capazes de responder ao chamado de Deus

O Santo Padre, o Papa Francisco, em suas catequeses, tem falado sobre o tema da oração. O intuito é claro: fomentar na Igreja novo ânimo, especial apreço e indizível afabilidade por esse meio – o mais insigne – pelo qual se dá o nosso relacionamento com Deus. E, eis que a solicitude do Sumo Pontífice na abordagem dessa matéria tornou-se tão expressiva que, certa vez, uma pessoa questionou-lhe: “o senhor fala muito sobre oração, não é necessário.” A resposta do Papa, no entanto, foi resoluta: “Sim é necessário! Porque se não rezarmos não teremos a força para ir em frente na vida. A oração é como o oxigênio da vida. A oração é atrair sobre nós a presença do Espírito Santo que nos faz ir adiante sempre.” E concluiu: “Por isso, eu falo muito sobre a oração”.

Mas, afinal, a que o Papa está nos exortando? Por que se fala tanto em rezar, quando poderíamos fazer algo mais concreto, de resultados imediatos e visíveis? 

Atualmente, atesta-se um crescente menosprezo pela vida espiritual cuja matriz é, sem dúvidas, a oração. Tal indiferença alicerça-se, fundamentalmente, no seguinte questionamento: “se Deus de tudo sabe, por que precisaria eu expor-lhe minhas necessidades, frustrações, alegrias? Por que gastar tempo ‘inteirando’ Deus daquilo que já lhe é sabido?” 

Ora, rezar não pressupõe dúvida da onisciência de Deus. De fato, sendo Ele o Criador de todas as coisas, o Sumo Bem que sustenta o existir em Si Próprio, é impossível a existência de barreiras que obliterem Seu Saber, de modo que, tudo, absolutamente, é-lhe conhecido.

Dependência de Deus

Rezamos, pois, não para informar Deus acerca das vicissitudes diversas que permeiam nosso quotidiano – como se Ele disso tivesse necessidade. Não! Rezamos porque, de fato, reconhecemo-nos criaturas e esta criatulidade implica dependência de Deus; mais do que isso: implica nossa querência sincera por abandonarmo-nos em Suas mãos, como quem espera tudo, sabendo nada merecer, confiando-nos sem ressalvas à Sua Providência, como nos recorda o Papa Francisco: “a oração de Jesus é abandonar-se nas mãos do Pai. Como Jesus no Horto das Oliveiras, naquela angústia: “Pai, se é possível que isso passe. Mas seja feita a tua vontade”. “O abandono nas mãos do Pai. É bonito quando estamos agitados e buscamos a oração e o Espírito Santo nos transforma por dentro e nos faz abandonar nas mãos do Pai. Pai, que seja feita a tua vontade”

A despeito do que muitos acreditam, rezar não é uma supérflua repetição de fórmulas prontas, tampouco uma frívola e prescindível prática destinada, em caráter restrito, às almas contemplativas. Trata-se, para todos os que buscam configurar-se a Cristo e n’Ele edificar a vida sobre o alicerce da Verdade, de algo intrinsecamente necessário à fortificação da fé pela qual somos salvos e cujo ascender não se dá, de modo satisfatório, apenas no âmbito intelectual, isto é, ela necessita ser cultivada no espírito, onde Deus nos fala. Nesse sentido, rezar é senão um gesto de conformidade para com o projeto salvífico de Nosso Senhor que se instaura na história de todos os batizados. Quando rezamos, abrimo-nos à ação do Espírito Santo que nos santifica e faz-nos capazes de responder ao chamado de Deus, de ordenar nossa vida à escuta e obediência de Sua palavra.

Não rezamos sozinhos

Todavia, grande é o equívoco daquele que se acha capaz de obter, por seus próprios méritos, as graças provenientes da oração. Isso se justifica pelo fato de que não rezamos sozinhos, tampouco por nossos irrisórios méritos! Fazemo-lo em comunhão eclesial e pelos méritos de Nosso Senhor Jesus Cristo. É a Sua voz que o Pai deve escutar quando oramos. Afinal, o corpo da Igreja, enquanto partícipe do sacerdócio de Cristo, encontra, no exercício da oração, esta prerrogativa singular: estender o diálogo entre o Eterno Pai e o Divino Filho, a partir da ação santificante do Espírito Santo – ação que unifica a Igreja e a faz alcançar o valor salvífico desse diálogo. Portanto, se rezamos, fazemo-lo por Cristo, com Cristo e em Cristo. É em nome dEle e por Seus méritos infinitos que obtemos as graças abundantes oriundas da oração.

Foi sob esse viés que o Papa Francisco, numa de suas catequeses, magistralmente afirmou: “Na verdade, Jesus não é apenas testemunha e mestre de oração, é muito mais. Ele nos acolhe na sua oração, para podermos rezar n’Ele e através d’Ele. E isto é obra do Espírito Santo. É por este motivo que o Evangelho nos convida a rezar ao Pai em nome de Jesus. São João relata estas palavras do Senhor: «O que vocês pedirem ao Pai em meu nome, eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho».”

Poder transformador

Em suma, prescindir da oração não é atitude do verdadeiro discípulo de Jesus, pelo contrário, essa fuga implica a autossufiência do homem que, desde já, tomou a resolução de viver à parte de Deus. Resolução esta que, na eternidade, poderá tornar-se definitiva. Nosso Senhor convida-nos a rezar com Ele, a depositarmos nossa confiança em Seu Divino Auxílio para que, dessa forma, unidos uns aos outros e em Seu Nome, caminhemos rumo à perfeita oração: aquela que se dá na glória do céu. Não nos esquivemos, pois, de tão sublime dávida! Rezemos e rezemos muito! Pois, como nos recorda o Papa, “a oração tem o poder de transformar em bem o que de outra forma seria uma condenação na vida; tem o poder de abrir um grande horizonte para a mente e de alargar o coração.” De fato, sem ela, tornamo-nos estéreis à ação Deus, anêmicos no amor ao próximo e vacilantes no caminho da salvação.


Papa Francisco faz o Sinal da Cruz

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