Aleteia logoAleteia logo
Aleteia
Segunda-feira 18 Janeiro |
home iconReligião
line break icon

Como São João resgatou um cristão que tinha se tornado chefe criminoso

Father Lawrence Lew OP CC

Reportagem local - publicado em 13/12/20

O Apóstolo lega aos seus sucessores bispos um alto patamar de comprometimento com a salvação das almas perdidas

Recordemos a surpreendente história real sobre São João Evangelista, registrada pelo bispo Eusébio, do século IV, no Livro III, Capítulo 23, da sua História da Igreja: “uma narrativa sobre João, o Apóstolo, que foi transmitida de voz em voz e atesourada na memória”, conta Eusébio.

João acaba de retornar do exílio na ilha de Patmos e está viajando por vários lugares para ordenar bispos. Em uma das cidades, ele mostra especial preocupação com o bem-estar espiritual de um jovem e exorta o bispo local: “Este jovem eu confio a você com toda a seriedade na presença da Igreja e com Cristo como testemunha”. O bispo aceita a missão e João volta para casa, em Éfeso.

O bispo repassa então a um dos seus presbíteros a tarefa de instruir e batizar o jovem. Julgando erroneamente que o jovem agora é forte na fé, porém, o sacerdote relaxa a disciplina muito cedo. É quando as coisas começam a ir ladeira abaixo.

Seduzido por “entretenimentos caros”, o jovem começa a andar em más companhias que o convencem a roubar com eles. Sua consciência, no entanto, sabe que os seus atos são graves. Vendo o quanto os seus crimes foram sérios, ele começa, infelizmente, a perder a esperança na misericórdia de Deus. Julgando-se assim perdido para sempre, ele se atira ainda mais fundo no crime, e, como Eusébio descreve, se torna “um chefe criminoso ousado, o mais violento, truculento e cruel de todos eles”.

Algum tempo depois, João visita aquela igreja de novo e pede ao bispo: “Restaura-nos o depósito que tanto eu quanto Cristo confiamos a ti, tendo por testemunha a igreja que presides”.

No início, o bispo fica confuso, pensando que João se refere ao dinheiro, mas o Apóstolo esclarece que fala “do jovem e da alma do irmão”. O bispo explode em lágrimas e confessa: “Ele está morto, morto para Deus. Ele se tornou mau e agora é um bandido. E, em vez de frequentar a igreja, ele assombra as montanhas com um bando de iguais a ele”.

Prisioneiro

João, de acordo com Eusébio, “rasga as suas vestes e, batendo a cabeça com grande lamentação”, clama: “A que bom guardião eu confiei a alma de um irmão! Mas trazei-me um cavalo e que alguém me mostre o caminho”. João monta e parte em busca do esconderijo do agora criminoso.

Quando chega perto, é feito prisioneiro por alguns dos ladrões. Ele não resiste, mas exige encontrar o líder. O jovem está de pé, armado, quando João se aproxima. Ao reconhecer João, ele “foge, cheio de vergonha”.

João, que estaria então em seus 70 ou 80 anos, “se esquece da idade, o persegue com todas as suas forças” e grita para ele: “Por que, meu filho, foges de mim, teu próprio pai, desarmado e ancião? Tem piedade, meu filho; não temas; ainda tens a esperança da vida. Eu darei contas de ti a Cristo. Se necessário, suportarei de bom grado a morte, como o Senhor sofreu a morte por nós. Por ti eu darei a vida. Levanta-te, crê; foi Cristo que me enviou”.

O jovem para, abaixa o olhar, solta as armas e começa a “tremer e chorar amargamente”. Quando João o abraça, o jovem confessa os seus pecados, “batizando-se”, como diz Eusébio, “pela segunda vez com as lágrimas”.

Vamos deixar Eusébio contar o resto da história:

“João, comprometendo-se e assegurando-lhe sob juramento que ele iria encontrar o perdão do Salvador, ajoelhou-se diante dele, beijou-lhe a mão direita como se agora purificada pelo arrependimento e o levou de volta para a igreja. E intercedendo por ele com orações abundantes, e lutando junto com ele em jejuns contínuos, e fazendo à sua mente várias declarações, ele não se afastou, como se costuma dizer, até reintegrá-lo à igreja, provendo um grande exemplo de verdadeiro arrependimento e uma grande prova de regeneração, um troféu de visível ressurreição”.

Isto é um Apóstolo.

Encorajo os caros leitores a orar pelos nossos bispos, para que, como sucessores dos Apóstolos, eles tenham a sabedoria e a coragem de acompanhar o exemplo de João. E o mesmo peçamos para nós próprios.




Leia também:
Como rezar o Terço das Sete Dores de Nossa Senhora – versão completa

Tags:
BíbliaHistória da Igrejasalvacao
Apoiar a Aleteia

Se você está lendo este artigo, é exatamente graças a sua generosidade e a de muitas outras pessoas como você, que tornam possível o projeto de evangelização da Aleteia. Aqui estão alguns números:

  • 20 milhões de usuários no mundo leem a Aleteia.org todos os meses.
  • A Aleteia é publicada em 8 idiomas: Português, Francês, Inglês, Árabe, Italiano, Espanhol, Polonês e Esloveno.
  • Todo mês, nossos leitores acessam mais de 50 milhões de páginas na Aleteia.
  • 4 milhões de pessoas seguem a Aleteia nas redes sociais.
  • A cada mês, nós publicamos 2.450 artigos e cerca de 40 vídeos.
  • Todo esse trabalho é realizado por 60 pessoas que trabalham em tempo integral, além de aproximadamente 400 outros colaboradores (articulistas, jornalistas, tradutores, fotógrafos…).

Como você pode imaginar, por trás desses números há um grande esforço. Precisamos do seu apoio para que possamos continuar oferecendo este serviço de evangelização a todos, independentemente de onde eles moram ou do quanto possam pagar.

Apoie Aleteia a partir de apenas $ 1 - leva apenas um minuto. Obrigado!

Top 10
Aleteia Brasil
Na íntegra: as três partes do Segredo de Fáti...
UNPLANNED
Jaime Septién
Filme contra o aborto arrasa nas bilheterias ...
BABY BAPTISM
Padre Reginaldo Manzotti
Por que é tão importante batizar uma criança?
Deserto de Negev
Francisco Vêneto
Pedra de 1.400 anos com inscrição mariana é e...
KRZYŻYK NA CZOLE
Beatriz Camargo
60 nomes de bebês que carregam mensagens pode...
Reportagem local
Papa Francisco: cuidado com os cristãos que s...
POPE JOHN PAUL II
Philip Kosloski
"Não tenhais medo": a frase mais usada por Sã...
Ver mais
Boletim
Receba Aleteia todo dia