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O Deus Menino nas cartas da beata Gabriela Sagheddu

HOLY FAMILY

Renata Sedmakova | Shutterstock

Vitor Roberto Pugliesi Marques - publicado em 27/12/20

Nesse ano de 2020, quando fomos tomados pelo sofrimento global da pandemia, as palavras da beata Gabriela Sagheddu mostram-se iluminadas e atemporais

Na época do Natal, nosso coração se enche de alegria pela oportunidade de mais uma vez reviver o mistério da encarnação de Deus. Nesse tempo solene em que a Igreja nos coloca diante do presépio de Nosso Senhor, sob uma humildade plenamente divina e plenamente humana, tivemos a oportunidade de meditar alguns apontamentos da beata Gabriela Sagheddu, monja trapista, sobre essa noite feliz. Trata-se de uma festa tão antiga, mas ao mesmo tempo tão nova que, por mais que a perscrutemos, nunca poderemos esgotar a totalidade do seu significado.

Deus Menino

Escrevendo à sua mãe, ao final do ano de 1938, já estando em fase avançada de padecimento pela tuberculose, houve um período de melhora clínica após extração de líquido pleural (líquido esse que pode se formar na cavidade pulmonar entre suas membranas – as pleuras – gerando importante desconforto respiratório e febre). Nessa janela de oportunidade, a beata Gabriela Sagheddu louva a Deus e escreve belas palavras sobre o Natal. Inicia contemplando a grandeza das coisas de Deus dizendo que “este Deus Menino nos dá tantas lições que nunca chegaremos a entendê-las plenamente”. Deus, que é amor e misericórdia infinita, revelou, em seu nascimento (e também em sua cruz), uma face de amor pela humanidade que nenhum homem seria capaz de alcançar por seus próprios méritos, diante da qual todos os joelhos devem se curvar. Diz ela ainda: “Ele, o Deus Criador do Universo, se humilha até nascer num pobre estábulo, abrigo de animais, onde passa despercebido a todos”; e acrescenta: “observe que nós fazemos o contrário. Quase temos vergonha de ser pobres e, às vezes, quase queremos esconder nossa pobreza”.

Simplicidade

Se fizermos uma análise sincera de nossos atos, veremos quantas foram as vezes que nos apresentamos diante de Deus para “exibir” nossos méritos. Uma pequena penitência, um simples terço bem rezado infla-nos o ego em dizer: “Como sou católico! Quanto sou merecedor do Reino de Deus!”, quando, na verdade, Deus nos deu em seu natal o modo como Ele quer nos receber: na simplicidade, no reconhecimento de nossa fragilidade, na humildade em reconhecer que fazemos a todo momento atos de fé, mas que jamais, por nossa forças, conseguiremos prestar um culto total à Sua Majestade, exceto se d’Ele mesmo vier a força para tal. Em um ato de humildade, devemos pedir a Deus que coloque em nossa alma os dons do Espírito Santo para que, por meio deles e por eles, possamos ser servos bons e fiéis a corresponder em nossas vidas ao desejos de Deus.

Sagrada Família

Nesse ano de 2020, quando fomos tomados pelo sofrimento global da pandemia, as palavras da beata Gabriela Sagheddu mostram-se iluminadas e atemporais, sobretudo quando nos diz nessa mesma carta: “Quem ousará rebelar-se, se pensar nas humilhações e sofrimentos do Deus-homem?”. Se fizermos um paralelo de nossa vida esse ano com a vida da Sagrada Família, veremos que ela, que tem uma dignidade infinitamente maior que a nossa, passou por tribulações muito maiores que as deste ano. Tivemos de deixar de ir a festas e aniversários; a Sagrada Família, na pessoa de São José, teve de viver o sofrimento de ver o seu casamento possivelmente não concretizado, pois Maria ficara grávida antes do casamento, o que era inadmissível perante a Lei. Tivemos nossa liberdade de ir e vir cerceada; a Sagrada Família foi perseguida e teve de descer ao Egito. Tivemos de nos voltar para o comércio virtual e amargar o tempo de espera dos correios; a Sagrada Família não teve condições de fazer um enxoval para acolher o Menino-Deus. Tivemos de ver as visitas hospitalares limitadas a um acompanhante nos momentos de parto; a Sagrada Família não teve hospital, não teve berço, não teve obstetra, somente a manjedoura na qual os animais se alimentavam. Desse modo, podemos ver que Jesus – sendo Deus – submeteu-se a um rebaixamento tamanho que nem mesmo ao mais simples homem seria tolerável. Ora, sendo Ele de natureza divina, tal rebaixamento é um escândalo ainda maior.

Receber as virtudes

Olhando pela ótica da fé, podemos perceber como nosso fardo é abrandado por Deus, como somos amados e cuidados pelo Senhor, pois Ele trouxe para Si todos os sofrimentos da humanidade e nos deu a certeza de que se Ele permite passarmos por sofrimentos é porque, unidos a Ele, podemos tirar grande proveito e grande bem. A chegada ao Natal deste ano já nos mostrou isso; independente do que aconteceu, o Natal foi celebrado mais uma vez nesses mais 2.000 anos de caminhada da Igreja. Diz a beata Gabriela Sagheddu sobre as virtudes próprias do berço divino: “A doçura, a humildade e o amor”; tais virtudes ela desejou que sua mãe a recebesse nesta sublime data. Também nós tenhamos a disposição de receber tais virtudes para nos unirmos cada vez mais a Ele, que é o caminho, a verdade e a vida (cf. Jo 14,6).




Leia também:
Mensagem de Natal do Papa Francisco

Tags:
Natal
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