Aleteia logoAleteia logo
Aleteia
Quarta-feira 04 Agosto |
São João Maria Vianney
home iconAtualidade
line break icon

Mensagem aos irmãos e irmãs que atuam na área da segurança pública

Antoine Mekary | ALETEIA

Dom João Bosco Óliver de Faria - publicado em 30/12/20 - atualizado em 30/12/20

Aos (às) senhores (as) que atuam nas Forças Armadas, Polícias Civil, Militar, Federal, Guardas Civis Municipais e Agentes Penitenciários faço votos para que se sintam acolhidos (as) e valorizados (as) por toda a sociedade e pela Mãe Igreja

Prezado(a) irmão(ã) que atua na área da segurança pública, desejo dirigir-lhe, nestes tempos conturbados em que vivemos, uma mensagem de profunda esperança e encorajamento ante o importante trabalho que realiza não só combatendo o mal, mas também semeando o bem por onde passa. Deus ilumine, proteja e defenda sempre os (as) que a Ele recorrerem de coração sincero.

O grande apóstolo São Paulo ensina: “Cada qual seja submisso às autoridades constituídas, porque não há autoridade que não venha de Deus; as que existem foram instituídas por Deus. Assim, aquele que resiste à autoridade opõe-se à ordem estabelecida por Deus; e os que a ela se opõem atraem sobre si a condenação. Em verdade, as autoridades inspiram temor, não porém a quem pratica o bem, e sim a quem faz o mal! Queres não ter o que temer a autoridade? Faze o bem e terás o seu louvor. Porque ela é instrumento de Deus para teu bem. Mas, se fizeres o mal, teme, porque não é sem razão que leva a espada: é ministro de Deus, para fazer justiça e para exercer a ira contra aquele que pratica o mal” (Romanos 13,1-4).

Ora, quem se opõe à autoridade mantenedora da ordem atrai para si a reprovação. No âmbito humano, uma transgressão pode ir da contravenção penal a um crime grave. Em contrapartida, quem pratica o bem não deve temer a legítima autoridade, mas, ao contrário, louvá-la como representante de Deus na manutenção (ou restauração) da ordem; ou seja, a verdadeira autoridade está a serviço, é instrumento do bem de todos e de cada um (cf. Comentários do cap. 13 da Carta aos Romanos na Tradução Ecumênica da Bíblia. São Paulo: Loyola, 2015, notas z, a-c, e Bíblia do Peregrino. São Paulo: Paulus, 2017).

Merece realce especial o versículo 4o, acima citado, que diz: “Porque ela [a autoridade legítima] é instrumento de Deus para teu bem. Mas, se fizeres o mal, teme, porque não é sem razão que leva a espada: é ministro de Deus, para fazer justiça e para exercer a ira contra aquele que pratica o mal”. O Pe. Dr. Afonso Rodrigues, SJ, explica: “o Sacerdote é, de fato, o Ministro de Deus para determinadas funções. Mas também o Policial Civil, bem como, o Militar são Ministros de Deus para manter a Ordem Pública, como assegura S. Paulo do Policial: ‘Minister enim Dei est’. O Sacerdote é o doce Cristo na terra. O Policial é o forte Cristo na terra. Toda autoridade legítima emana de Deus” (Igreja e Estado. 2ª ed. São Paulo: Pátria, 1987, p. 71).

Há os que, enquanto autoridade humana, têm a missão de defender a vida alheia com o risco da sua própria, se preciso for. Diz, com efeito, o Catecismo da Igreja Católica em seu n. 2265 que “a legítima defesa pode ser não somente um direito, mas até um grave dever para aquele que é responsável pela vida de outrem. Defender o bem comum implica colocar o agressor injusto na impossibilidade de fazer mal. É por esta razão que os detentores legítimos da autoridade têm o direito de recorrer mesmo às armas para repelir os agressores da comunidade civil confiada à sua responsabilidade”. Em outras palavras, a legítima defesa que é para todos um direito – a ser usado ou não – torna-se, para o agente da lei, um grave dever que tem de ser usado com discernimento no recurso da força proporcional ao risco. Afinal, de sua ação depende a vida de terceiros em risco. Importa, pois, neutralizar o injusto agressor – a ação legal restauradora da ordem é sempre justa – a fim de que, ao menos por ora, cesse sua má ação. Para tal usar-se-á, inclusive, armas.

Nessa ação legal a serviço da comunidade, o objetivo primeiro ou imediato é parar o injusto agressor fazendo-o incapaz de prosseguir com seu malévolo propósito. Ocorre que alguns criminosos reagem, tentam matar ou até mesmo matam os agentes da lei e são, na necessária reação da Polícia, atingidos. Nasce, pois, aqui a questão: Quem é o responsável pela morte desse injusto agressor? – É o próprio agressor injusto, de acordo com o Papa São João Paulo II quando assim escreve: “nesta hipótese, o desfecho mortal há de ser atribuído ao próprio agressor que a tal se expôs com a sua ação, inclusive no caso em que ele não fosse moralmente responsável por falta do uso da razão” (Evangelium Vitae, n. 55).

Conforme esse princípio, assevera o Catecismo: “quem defende a sua vida não é réu de homicídio, mesmo que se veja constrangido a desferir sobre o agressor um golpe mortal: Se, para nos defendermos, usarmos de uma violência maior do que a necessária, isso será ilícito. Mas se repelirmos a violência com moderação, isso será lícito […]. E não é necessário à salvação que se deixe de praticar tal ato de defesa moderada para evitar a morte do outro: porque se está mais obrigado a velar pela própria vida do que pela alheia” (n. 2264). Não há aí por parte do agente da lei – nem dos demais cidadãos que se defendem – pecado contra o quinto mandamento da Lei de Deus (cf. Leo Trese. A fé explicada. 3ª ed. São Paulo: Quadrante, 1981, p. 196).

Lembro, ainda, que certas ações criminosas de nossos dias se revestem de características terroristas, algo que a Igreja rejeita com a força do Evangelho como se lê no Compêndio da Doutrina Social da Igreja: “O terrorismo é uma das formas mais brutais de violência […]: semeia ódio, morte, desejo de vingança e de represália. […] transformou-se em uma rede obscura de cumplicidades políticas, utiliza também meios técnicos sofisticados, vale-se frequentemente de enormes recursos financeiros e elabora estratégias de vasta escala, atingindo pessoas totalmente inocentes, vítimas casuais das ações terroristas […]. O terrorismo atua e ataca no escuro […]. Em muitos casos, o uso dos métodos do terrorismo tem-se como novo sistema de guerra” (São Paulo: Paulinas, 2011, n. 513). Ele “manifesta o desprezo total da vida humana e nenhuma motivação pode justificá-lo, porque o homem é sempre fim e nunca meio. Os atos de terrorismo atentam contra a dignidade do homem e constituem uma ofensa para a humanidade inteira. Existe por isso um direito a defender-se do terrorismo” (idem, n. 514). 

Possam, pois, os nossos legítimos representantes políticos se inteirarem disso, combaterem eficazmente o terrorismo e valorizarem a dignidade humana dos “ministros de Deus” – para usar a linguagem de São Paulo aos Romanos – que atuam na segurança pública e também a de seus familiares. Em especial, lembrem-se das viúvas e dos órfãos – duas categorias tão queridas por Deus em toda Sagrada Escritura – daqueles que tombaram em combate.

Aos (às) senhores (as) que atuam nas Forças Armadas, Polícias Civil, Militar, Federal, Guardas Civis Municipais e Agentes Penitenciários faço votos para que se sintam acolhidos (as) e valorizados (as) por toda a sociedade e pela Mãe Igreja. A Igreja tem um grande respeito pelo trabalho que fazem e os (as) ama e reza para que os senhores (as) se sintam abençoados (as) e protegidos (as) hoje e sempre. Mesmo em dias muito difíceis, não se deixem abater, confiem e caminhem semeando o bem e combatendo o mal. Recordo um amigo da Polícia Militar de São Paulo, que levava o “38” na cintura e um exemplar dos Santos Evangelhos no bolso.

Quero, junto aos votos de feliz Natal e próspero 2021, invocar sobre cada um (a), a quem esta mensagem chegar, as mais copiosas bênçãos do Deus todo-poderoso Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!


JOSH

Leia também:
Garoto de 5 anos liga para a polícia e salva sua mãe em coma


PARAGUAY

Leia também:
Com a Bíblia nas mãos: foi assim que este policial evitou um suicídio

Tags:
Violência
Apoiar a Aleteia

Se você está lendo este artigo, é exatamente graças a sua generosidade e a de muitas outras pessoas como você, que tornam possível o projeto de evangelização da Aleteia. Aqui estão alguns números:

  • 20 milhões de usuários no mundo leem a Aleteia.org todos os meses.
  • Aleteia é publicada diariamente em sete idiomas: inglês, francês,  italiano, espanhol, português, polonês e esloveno
  • Todo mês, nossos leitores acessam mais de 50 milhões de páginas na Aleteia.
  • 4 milhões de pessoas seguem a Aleteia nas redes sociais.
  • A cada mês, nós publicamos 2.450 artigos e cerca de 40 vídeos.
  • Todo esse trabalho é realizado por 60 pessoas que trabalham em tempo integral, além de aproximadamente 400 outros colaboradores (articulistas, jornalistas, tradutores, fotógrafos…).

Como você pode imaginar, por trás desses números há um grande esforço. Precisamos do seu apoio para que possamos continuar oferecendo este serviço de evangelização a todos, independentemente de onde eles moram ou do quanto possam pagar.

Apoie Aleteia a partir de apenas $ 1 - leva apenas um minuto. Obrigado!

Oração do dia
Festividade do dia





Top 10
1
Reportagem local
Gritos levam polícia à casa de dois idosos, que choravam copiosam...
2
Sintomas da depressão
Reportagem local
8 sintomas físicos da depressão: fique atento a si mesmo e ao seu...
3
Philip Kosloski
Mesmo com ouro e glória, Michael Phelps foi ao fundo do poço – ma...
4
Pe. Edward Looney
Padre revela: por que sempre levo água benta comigo ao viajar
5
MAN
Reportagem local
Oração da noite para serenar o espírito e pacificar a ansiedade
6
sacerdotes
Reportagem local
Suicídio de sacerdotes: desabafo de padre brasileiro comove as re...
7
Aleteia Brasil
Sorrisão e joelhos: 2 pais brasileiros e seus bebês que emocionar...
Ver mais
Boletim
Receba Aleteia todo dia