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Martírio dos 21 cristãos coptas pelo Estado Islâmico: 6 anos de um horror que chocou o mundo

Martírio dos 21 cristãos coptas

Captura de Tela / YouTube

Francisco Vêneto - publicado em 06/01/21

O mesmo vídeo divulgado a fim de estarrecer a humanidade captou a última palavra que apareceu em seus lábios: o nome de Jesus

Martírio dos 21 cristãos coptas executados pelo Estado Islâmico na costa da Líbia: este foi, sem dúvida, um dos episódios mais aterradores e abomináveis perpetrados pela maldade humana nestas duas primeiras décadas do milênio. A ascensão do covarde e sanguinário bando jihadista na Síria, no Iraque e na Líbia estava em seu auge, com ataques brutais contra cidades e vilarejos, expulsões massivas de centenas de milhares de pessoas de suas casas e terras, escravização de homens, mulheres e crianças, execuções selvagens em praças públicas e imposição da mais rígida interpretação da lei islâmica sobre as áreas conquistadas, além da constante ameaça de atentados terroristas contra grandes cidades espalhadas pelo planeta.

As imagens que chocaram a humanidade

Em 12 de fevereiro de 2015, o Estado Islâmico publicou fotografias dos 21 reféns na sua revista online Dabiq, editada em inglês e voltada a divulgar as suas atividades terroristas ao Ocidente. Mas o mundo ficaria ainda mais estarrecido três dias depois, quando, em 15 de fevereiro, os assassinos divulgaram um vídeo cujo título era “Uma mensagem assinada com sangue para a nação da cruz“.

Eles se referiam explicitamente à cristandade. De fato, um dos jihadistas dizia em inglês, nesse vídeo, que a morte dos 21 reféns era uma reação à “guerra dos cristãos” contra o Estado Islâmico.

O vídeo tinha sido editado pela Al Hayat, uma das produtoras do grupo terrorista. O Estado Islâmico mantinha uma complexa estrutura de comunicação e propaganda, que servia tanto para recrutar novos membros na Europa e na América do Norte quanto para disseminar as suas ameaças ao Ocidente.

As imagens daquele vídeo mostravam os assassinos vestidos de preto e seus reféns usando um uniforme laranja idêntico ao de outros reféns que já tinham sido degolados anteriormente pelo mesmo bando na Síria e no Iraque. De mãos amarradas nas costas, os cristãos coptas eram conduzidos em fila à beira do Mar Mediterrâneo, na costa líbia, e obrigados a se ajoelhar na praia. Antes de ser decapitados de modo frio e covarde, vários deles apareciam movendo os lábios, possivelmente em oração.

Apesar de que a chocante divulgação do assassinato dos 21 reféns foi feita em 15 de fevereiro, estimou-se que a execução havia sido perpetrada ainda no início de janeiro.

É por isso que, nesta semana, recordam-se os 6 anos desse martírio.

O martírio dos 21 cristãos coptas

Dos 21 mártires, 1 era ganês e 20 eram migrantes de um vilarejo pobre do Egito que tinham se transferido para a vizinha Líbia em busca de novas oportunidades. Na Líbia, eles se estabeleceram na cidade litorânea de Sirte, a cerca de 500 quilômetros ao leste da capital, Trípoli. Foi em Sirte, entre os meses de dezembro de 2014 e janeiro de 2015, que eles foram sequestrados por milícias do Estado Islâmico. O mundo só voltaria a saber deles por ocasião do seu martírio.

Martírio dos 21 cristãos coptas
DR-Facebook « Chants araméens »

Uma semana após a notícia do massacre, o patriarca copta-ortodoxo Tawadros II decidiu inscrever os 21 mártires no Synaxarium, o livro dos mártires da Igreja Copta. A memória litúrgica dos mártires, na Igreja Copta, passou a ser celebrada em 15 de fevereiro.

Martírio dos 21 cristãos coptas
Aid to the Church in Need

Quem são os coptas?

São os descendentes dos antigos egípcios, que se converteram ao cristianismo no século I. Quando os muçulmanos conquistaram o Norte da África, a partir do século VII, impuseram ao Egito o seu idioma árabe e a sua religião islâmica. No entanto, uma minoria dos egípcios se manteve cristã e preservou também o idioma copta, derivado da antiga língua egípcia. Hoje, o copta é usado apenas liturgicamente.

Os coptas formam cerca de 10% da população egípcia atual e são tratados como cidadãos de segunda classe, motivo que diminui aceleradamente o seu número. Existem altas taxas de migração, além de conversões ao islã por conveniência social. A situação da comunidade cristã copta piorou ainda mais depois da queda do ditador egípcio Hosni Mubarak, em 2011. Nos anos seguintes, os coptas passaram a sofrer forte perseguição por parte de facções islamitas.

90% dos cristãos coptas pertencem à Igreja Ortodoxa Copta de Alexandria, que nasceu no próprio Egito. Os 10% restantes (cerca de 800.000 pessoas) se dividem entre a Igreja Católica Copta e a Igreja Protestante Copta.

A Igreja Ortodoxa Copta de Alexandria é independente e não está em comunhão nem com a Igreja Ortodoxa nem com a Igreja Católica. A separação aconteceu após o Concílio de Calcedônia, no ano de 451, por divergências doutrinais no entendimento da pessoa e das naturezas humana e divina de Cristo.

Um grupo separou-se da Igreja Ortodoxa Copta em 1741 para entrar em comunhão plena com a Igreja Católica Romana. Foi assim que surgiu a Igreja Católica Copta, cuja sede fica no Cairo. Os católicos coptas mantêm as suas tradições e ritos litúrgicos orientais, mas reconhecem a autoridade e a primazia do Papa de Roma, estando, assim, oficialmente unidos à Santa Sé.

O nome de Jesus, sussurrado no último instante

Os restos mortais dos coptas martirizados na Líbia foram identificados no final de setembro de 2017. Eles estavam numa vala comum na costa de Sirte. Os corpos tinham sido encontrados com as mãos amarradas atrás das costas, vestindo os mesmos macacões alaranjados com que passaram para a história nas imagens macabras do vídeo de sua execução.

© twitter

Em 2020, a diocese copta-ortodoxa de Samalut, no Egito, celebrou de modo solene os “mártires coptas da Líbia” por ocasião do quinto aniversário do seu martírio. De 1º a 16 de fevereiro, as celebrações foram realizadas tanto na igreja quanto no museu-sacrário dedicados aos mártires em Samalut.

A respeito do martírio dos 21 cristãos coptas, ecoarão para sempre as palavras do bispo copta-católico emérito de Gizé, Anba Antonios Aziz Mina, pronunciadas após a divulgação do martírio:

“O vídeo que mostra a sua execução foi construído como uma encenação chocante, com a intenção de espalhar o terror. Mas, naquele produto diabólico da ficção e do horror sanguinário, vê-se que alguns dos mártires, no momento da sua bárbara execução, repetem ‘Senhor Jesus Cristo‘. O nome de Jesus foi a última palavra que apareceu em seus lábios. Como na paixão dos primeiros mártires, eles se confiaram às mãos d’Aquele que logo os receberia. E assim celebraram sua vitória, a vitória que nenhum carrasco poderá tirar deles. Aquele nome sussurrado no último instante foi como o selo do seu martírio”.
Martírio dos 21 cristãos coptas
© Tony Rezk




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Tags:
MártiresMuçulmanosPerseguiçãoTerrorismo
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