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Tentações: por que Deus permite que sejamos tentados?

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Adilson Júnior - publicado em 11/01/21

Nosso Senhor, desejando conduzir-nos pelo caminho reto da Verdade, instituiu um sacramento indefectivelmente vinculado ao conhecimento por Ele detido a nosso respeito

“Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; na verdade, o espírito está pronto, mas a carne é fraca.” Como estes dizeres, Jesus não apenas nos exorta à vigilância ou ao apreço pela vida de oração. Mais do que isso: Ele reconhece a fragilidade da natureza humana que, mesmo renovada pelo batismo e, por esse fato, partícipe da filiação divina, traz consigo tendências concupiscíveis – inclinações naturais à desvirtude.

Dessa forma, nota-se a imutável vinculância do pecado à inércia do homem. Isto é, não há virtude sem luta, não há salvação sem violência contra si próprio, contra a natureza corrompida e desordenada, como nos recorda o apóstolo: “o reino dos céus é dos violentos” (Mt 11, 12). Nesse sentido, eis a necessidade de inteirarmo-nos de nossa condição e, a partir do autoconhecimento, colocarmo-nos diligentes na busca pela virtude.

De fato, conhecermo-nos a nós mesmos é tarefa árdua, mas intrinsecamente necessária à busca da perfeição. Todavia, somente nos disporemos a trilhar esse caminho e nele perseverarmos impelidos por verdadeira humildade. É dela munidos que reconhecemos quão miseráveis, débeis e inconstantes somos, bem como a nossa impotência perante o maligno, de cujas insídias somente com o auxílio da graça poderemos eximir-nos para corresponder ao projeto salvífico de Deus em nossa história.

Por que Deus permite que sejamos tentados?

Diante dessas considerações, o “modus operandi” da alma que almeja a virtude tipifica uma ambiência de combate. E este não é uniforme, isto é, um soldado no campo de batalha é suscetível a quedas e a uma diversidade de lesões. Todavia, seus os ferimentos não significam, necessariamente, derrota. Pelo contrário, o mérito é proporcional à dificuldade do conflito. Que honra teria um soldado se deixasse o campo de batalha ileso, isento de um arranhão sequer? Do mesmo modo, que méritos teríamos se não fôssemos tentados, se nossa fidelidade a Deus jamais fosse provada?

É por isso que Ele permite as tentações. Mas, não é Deus o seu autor: “tentar é próprio do demônio”, como nos recorda Santo Tomás. Portanto, essa realidade espiritual a que estamos expostos não é obra divina, mas ação ordinária do Mal. E, segundo o mesmo santo, elas ocorrem, entre outros motivos:

  1. A fim de se reprimir a soberba: “para que a grandeza das revelações não me enchesse de orgulho, foi-me dado um espinho na carne, um anjo de Satanás, para me esbofetear” (2Cor 12, 7);
  2. “A fim de que voltem mais fortes os cristãos, assim como voltam mais fortes da guerra os soldados”;
  3. “A fim de que reconheçam a sua dignidade, porque, quando o Diabo assalta alguém, isso é motivo de honra, dado o seu alvo serem os santos”

O que fazer após o pecado?

Assim, ao se reputar que “é uma luta a vida do homem sobre a terra” (Jó 7, 1), instaura- se a previsão racional acerca da possiblidade de queda, ou seja, é possível (e provável) que, mesmo após os votos do batismo e o recebimento das superabundantes graças dele oriundas, no âmbito do combate quotidiano, caiamos em determinadas ocasiões – seja por fraqueza, seja por vileza. Nesse contexto, resta-nos indagar: qual o situação do homem, uma vez vencido pela tentação e, por consequência, apartado da amizade para com Deus? Estaria porventura fadado a permanecer no chão, não havendo oportunidade de reerguimento? Seria pisoteado a bel prazer dos adversários, sem haver quem lhe estendesse a mão?

De fato, o mesmo Senhor, que é ofendido pelo pecado, está disposto a dar-nos Seu auxílio no momento da aflição. Para isso, é mister aproximarmo-nos de modo confiante do sacramento da penitência (confissão), preparados por verdadeiro arrependimento e dispostos a nos emendar de forma definitiva, isto é, a não mais reincidir nas faltas passadas.

Mas, afinal, como fazer uma boa confissão e qual a sua importância?

Eis, portanto, a presente verdade pela qual reconhecemos os desvios da natureza, as tentações que deles se servem para conduzir-nos ao pecado, bem como o dever do combate quotidiano. Desse modo, o sacramento da penitência firma-se um meio indeclinável do qual Deus dispõe para revigorar-nos em nossa decisão de viver segundo a Sua Lei e Vontade.

Contudo, não se pode aproximar do perdão de Deus com quaisquer disposições. Afinal, uma boa confissão é, primeiríssimo lugar, uma confissão válida, ou seja, aquela em que o penitente de fato é absolvido. Nesse viés, a Igreja é claríssima ao afirmar que, no tribunal da misericórdia, o réu deve acusar-se de todos os pecados graves cometidos desde a sua última visita ao confessionário – devidamente acompanhados das circunstâncias atenuantes ou agravantes, bem como de seu número aproximado. Ademais, é imprescindível a presença de arrependimento, mesmo que imperfeito isto é, aquele movido pelo temor; porque a contrição corresponde, em verdade, à matéria do sacramento – assim como o pão e o vinho são a matéria da santa missa e a água, do batismo. Portanto, sem arrependimento, não há absolvição válida; torna-se impossível lograr misericórdia da parte de Deus.

“Digo-vos que assim haverá alegria no céu por um pecador que se arrepende, mais do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento.” (Lucas 15:7)

Em verdade, grandessíssima é a alegria pai quando seu filho pródigo, contrito e humildemente pede-lhe perdão e renova seu compromisso de fidelidade. Esse filho bem- aventurado recebe senão os melhores presentes, a restituição da dignidade e uma portentosa festa em sinal de júbilo pelo seu retorno à casa paterna. É nesse sentido que os antigos denominavam esse sacramento de “segundo batismo” ou de “nova tábua da salvação”, pois nele o penitente encontra não apenas o perdão de suas faltas, mas a reconciliação com Deus, a graça santificante, a força do Espírito e uma nova oportunidade para reavivar o seu caminho batismal.

Recebamo-lo, pois, com humildade, dadas as nossas indizíveis pequenez e miséria diante da Majestade Divina; confiança, tendo em vista a infinita misericórdia de Deus para conosco e frequência, considerando os dizeres do Catecismo Maior de São Pio X: “confessar-se com frequência é coisa ótima, porque o sacramento da penitência, além de apagar os pecados, dá as graças necessárias para evita-los no futuro.”

Por fim, para afastar quaisquer dubiedades, lembremo-nos: Deus permite que sejamos tentados, mas nunca além das nossas forças e do auxílio de Sua graça: “Não vos sobreveio tentação alguma que ultrapassasse as forças humanas. Deus é fiel: não permitirá que sejais tentados além das vossas forças, mas com a tentação, ele vos dará os meios de suportá-la e sairdes dela.” I Coríntios, 10:13


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