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Onda de sequestros no Haiti tem religiosos entre vítimas: “dezenas por dia”

HAITI

Francisco Proner-Farpa-CIDH-(CC BY 2.0)

Francisco Vêneto - publicado em 12/01/21

Bispo: "Sabemos que Deus está conosco, mas, às vezes, podemos sentir-nos desencorajados. Precisamos sentir o apoio das suas orações"

Onda de sequestros no Haiti tem religiosos entre vítimas: são “dezenas por dia” só na região da capital, Porto Príncipe. Quem comenta sobre a situação caótica no país mais pobre das Américas é o pe. Renold Antoine, missionário redentorista:

“Até agora, as autoridades não fizeram nada para impedir esta onda de sequestros que semeia medo e luto entre a população haitiana”.

De fato, bandidos armados sequestraram uma freira da congregação das Pequenas Irmãs de Santa Teresa do Menino Jesus na cidade de Delmas na última sexta, 8 de janeiro. A irmã Dachoune Sévère foi libertada já no domingo, dia 10, em Porto Príncipe.

Poucas semanas antes, outro religioso vítima de sequestro no Haiti foi o pe. Sylvain Ronald, dos Missionários de Sheut. Ele também foi solto três dias depois.

Onda de sequestros no Haiti

Se parece “pouco”, é preciso lembrar que são somente dois exemplos e que são apenas dois casos entre os religiosos sequestrados no país: e eles são a ínfima minoria, já que, segundo o pe. Renold, as vítimas chegam às dezenas diariamente.

No fim de dezembro, a Conferência Episcopal do Haiti publicou uma mensagem de Natal em que menciona explicitamente a “proliferação de sequestros”, além de “banditismo, violações, assassinatos e barbárie que semeiam terror, morte e luto”. Os bispos acrescentam que a situação, já catastrófica, está se agravando.

“A pobreza extrema tira toda a esperança”

Em outubro, de fato, a Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) havia denunciado o crescimento da violência no país, atrelada à explosão do custo de vida e à falta de alimentos, com suas inevitáveis reações de fúria da população diante da incompetência dos políticos para implementar soluções.

O bispo de Hinche, dom Désinord Jean, declarou na ocasião:

“As pessoas não podem sair às ruas. Estamos trancados em casa. Todas as estradas estão bloqueadas e, mesmo em casos urgentes, ambulâncias e carros de emergência não podem circular. Não temos combustível. Os mercados não funcionam. Todas as escolas foram fechadas. Esta situação afeta o país inteiro”.

O desemprego no Haiti chega a monumentais 80%. Dom Désinord resumiu:

“A pobreza extrema tira toda a esperança”.

“Precisamos sentir o apoio das suas orações”

No entanto, o bispo também demonstrou gratidão às pessoas que estão tentando ajudar o povo haitiano:

“Quero agradecer à AIS e a todos os seus benfeitores pelo apoio ao Haiti ao longo dos anos. Têm sido muito generosos e sabemos que amam o nosso país. Agora precisamos das suas orações. Por favor, rezem por nós… Este país está morrendo. Sabemos que Deus está conosco, mas, às vezes, podemos sentir-nos desencorajados. Precisamos sentir o apoio das suas orações”.

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