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O psiquiatra acredita no diabo?

© DAVID HERNANDEZ / AFP

Gelsomino Del Guercio - publicado em 26/01/21

Segundo o psicanalista, existem pelo menos dois estados que, em alguns casos mais extremos, poderiam se chamar demoníacos: as histerias, que são nervosas, onde se registram mudanças de voz, o falar línguas desconhecidas; e as esquizofrenias, que são psicoses, caracterizadas por distúrbios psiquiátricos com êxtases muito perigosos, o contínuo ouvir vozes, ou emitir risadas anormais. Neste caso é como se tivesse diante de si mais pessoas que uma só. “Não tenho elementos para demonstrar que são possessões demoníacas – disse Codarini – mas naquelas pessoas percebo algo de anormal no rito do falar, na tipologia de linguagem adotada e no discurso. O mundo externo é como se não existisse, e existe uma apreciação fora dele”.

Em muitos casos é possível curar, transformando o estado de nervoso ou psicótico em uma história, banindo assim esta “presença” obscura, inexplicável, que anula o “eu”. “Em outras situações, não é possível curar a pessoa e, naquele ponto, pode entrar o exorcista para tirar a pessoa desta prisão”.

É mais radical o pensamento do Padre Raffele Talmelli, psiquiatra e exorcista, autor do livro “Eu vejo o céu aberto”, no qual desmascara muitas obras do diabo. “A demonologia cuida de fatos extraordinários, com pessoas, frequentemente sãs na mente, que desmoronam no mal e o semeiam. Tudo isso não tem nada a ver com a psiquiatria. E após a Segunda Guerra, ocorreram muitas confusões entre as duas coisas”.

Um exorcista “nem deveria comentar sobre o diagnóstico de um psiquiatra”. Daqui a um tempo sairá um documento da Conferência dos Bispos Italianos neste sentido. “Será útil relatar a demonologia fora do fenômeno da aberração”. Uma “disciplina” que não tem nada a ver com sintomas como mudanças bruscas de humor, distúrbios de personalidade. Nem é correto aproximá-la somente de uma força extraordinária de tipo muscular que poderia originar uma fase maníaca, ou à glossolalia, falar línguas desconhecidas que poderiam ter sido aprendidas em qualquer circunstância da vida. “É necessário ter atenção em outros sinais, sobretudo de ordem moral, que revelam sob forma diversa, a intervenção diabólica”, explica o psiquiatra-exorcista.

“Não digo nada de novo – prossegue padre Talmelli – porque é o Magistérios da Igreja a falar de possessão diabólica nestes termos. Basta ler o ritual do exorcista, hoje facilmente encontrado na internet, para ver que existe uma dimensão não estritamente física que testemunha a presença do demônio”. O sacerdote dá o exemplo de uma pessoa anciã, mas com uma vitalidade enorme, possessa pelo demônio dos 75 aos 90 anos. Era um clarividente e em quinze anos tinha escrito 20 mil páginas sem nenhum erro ortográfico, seguidamente, sem dormir, nem mesmo uma hora ao dia. Uma pessoa que manifestava dentro de si uma maldade incrível. Buscava teorizar o mal, tendo uma cultura de base muito limitada e se sentia movido por uma força que o garantia uma energia sem fim.

“Nunca soube que levantasse objetos pesados – acrescenta o sacerdote -, ou cometesse outros gestos que são associados a uma possessão diabólica. Quero ressaltar que quando Jesus encontrou o demônio, este citou o salmo, dando uma interpretação distorcida à Palavra de Deus. Não cometeu nenhum ato físico contra Jesus, ou contra si mesmo. Um outro exemplo: Hitler era uma pessoa movida pelo demônio, um convicto sustentador da pureza da raça ariana, um germe difundido com maldade indescritível a milhões de pessoas. Por isso sou convencido que a possessão é algo que entra em uma esfera não classificável da ciência, e se insere no extraordinário dos fatos”.

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DemônioExorcismoIgreja
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